Compartir

Divórcio

last update Fecha de publicación: 2026-07-31 11:36:44

Quando recuperei meus sentidos, estava na outra sala de estar, com a senhora Hills e o nosso jardineiro ao meu lado, ambos com semblantes preocupados.

— Quanto tempo fiquei desacordada? — perguntei, tentando levantar, sentindo minhas pernas ainda pesadas.

— Quase quatro minutos, senhora. — a governanta disse, consternada.

— Muito tempo... — ergui meu corpo com dificuldade. — O normal é dois minutos.

Fui andando, amparando-me na parede.

— Senhora... quer que eu providencie... um... chá?

— Não, senhora Hills. Obrigada.

Eu sabia que não havia chá capaz que curasse a minha doença. Tampouco a dor da rejeição que eu sentia. Achei que nada pudesse ficar pior entre Oliver e eu. Porém, nos meus últimos dias de vida, descobri que poderia.

Quando cheguei à sala principal, vi um dos funcionários subindo as malas de Brianna para o andar superior. Logo atrás dele, Brianna e Oliver conversavam animadamente.

Fui até a escadaria e tentei subir, sem saber se conseguiria.

Quando percebeu minha presença, Oliver virou a cabeça para trás:

— Aonde você estava? As crianças estão pedindo por você.

Parei por alguns segundos e disse:

— Eu estava providenciando o que você me pediu... o quarto para Brianna.

Os dois seguiram. E eu fiquei ali, sentindo o meu mundo desabar de vez.

Quase me arrastei até o quarto dos meus filhos. Quando cheguei, Maicon e Zoe já estavam dormindo. Senti uma lágrima boba escorrer pelo meu rosto. Lágrimas de orgulho por ser mãe daquelas criaturinhas tão perfeitas, que faziam tudo na minha vida realmente valer a pena. Eu os desejei ardentemente. E eles vieram exatamente do jeitinho que eu imaginava... dois pacotinhos de amor.

Ajeitei-me na cama entre os dois. Hoje eu dormiria ali. E acho que, até os meus últimos dias, velaria o sono tranquilo dos meus bebês, porque sabia que em breve não poderia mais fazer aquilo.

Pensei em Oliver e Brianna e finalmente entendi que era impossível segurar o meu casamento. Eu precisava libertar Oliver. E me libertar, por mais que doesse.

Eu facilitaria as coisas para Oliver. Pediria o divórcio. Sabia que talvez ele tivesse adiado aquilo por pena. E... talvez, pela primeira vez, mesmo à beira da morte, eu devesse preservar a minha dignidade.

Mandei uma mensagem para Natália, minha melhor amiga:

"Nati, eu gostaria que você desse entrada no meu divórcio."

Era tarde, e eu não esperava que ela respondesse imediatamente.

"Isso é um sonho ou você realmente acordou?"

Respirei fundo e confessei:

"Eu acordei. Mas não foi de um sonho e sim de um pesadelo."

Natália mandou vários emojis de mãos em prece.

"Redigir seu pedido de divórcio será a melhor coisa que já fiz até hoje na minha carreira de advogada."

Limpei as lágrimas, sentindo-me, pela primeira vez desde que recebi o diagnóstico naquela manhã, acolhida e apoiada.

Tentei dormir, mas não consegui. Revirava-me de um lado para o outro e, quando cochilava, despertava em pânico, coberta de suor.

Levantei e peguei o diagnóstico médico da minha bolsa. Rasguei-o em pedacinhos minúsculos e joguei tudo dentro do lixo do banheiro do quarto das crianças.

Antes de deitar novamente, vi sobre a mesa de estudos de Maicon e Zoe várias canetas coloridas e folhas de papel.

Sentei-me à mesa e peguei uma folha. Escolhi duas canetas coloridas, uma rosa-pink e outra azul-claro.

E então fiz uma lista.

DEZ COISAS QUE EU FAREI ANTES DE MORRER:

Pedir o divórcio.

Deixar meus filhos nas mãos de uma pessoa que eu sei que irá amá-los e cuidar deles da mesma forma que eu faria se estivesse viva.

Beijar na boca.

Aprender a dirigir.

Transar com um desconhecido e ter meu primeiro orgasmo.

Arranjar um emprego e me sentir útil.

Fazer uma viagem longa com meus filhos.

Perdoar Oliver e o meu pai.

Me apaixonar novamente e descobrir que, ainda assim, consigo viver sem isso.

Ser amada pela primeira vez e saber que não sou a segunda opção na vida de alguém.

Dobrei o papel tomado por letras coloridas e limpei as lágrimas, finalmente sorrindo de verdade, de forma espontânea, depois de tanto tempo.

Eu não sabia se teria tempo para realizar todos os meus desejos. Mas faria o possível para concluir aquela lista antes do meu último suspiro.

Guardei a folha num bolso escondido da minha bolsa. E, junto dela, um marca-texto verde-neon para riscar cada item conforme fosse concluído.

Se conseguiria riscar todos? Eu não sabia. Infelizmente, sempre fui uma covarde. Mas jamais descobriria se não tentasse.

Voltei para a cama. Maicon, ainda dormindo, me abraçou e aconchegou-se ao meu corpo. Zoe murmurou algo sem perceber e, ainda adormecida, virou-se e bateu o braço no meu rosto.

Sorri. Até dormindo eram eles mesmos.

Decidi que, quando meus filhos crescessem, teriam orgulho da mãe que tiveram. Era hora de deixar de ser invisível. Nem que fosse nos meus últimos dias ou meses de vida, eu faria diferença na vida de alguém, principalmente na dos meus filhos.

Na manhã seguinte, levantei da cama sem sequer ter dormido. Olhei-me no espelho e vi olheiras profundas.

Passei uma leve maquiagem para esconder a dor física estampada no meu rosto, mesmo sabendo que a emocional não podia ser maquiada.

Deixei as crianças na escola e depois passei no escritório de Natália. Tentei ser breve, porque ainda não queria contar a ela sobre a minha condição. Na verdade, nem sabia se deveria dividir aquilo com alguém.

Minha amiga era como uma metralhadora de palavras. Falava sem parar e, às vezes, me deixava zonza. Naquele momento, porém, o assunto eram os papéis do divórcio que ela me entregava.

Ela insistiu tanto que acabei aceitando um jantar na casa dela naquela noite. Fazia tempo que não nos encontrávamos pessoalmente e só conversávamos pelo celular. Sempre gostei muito de Natália, e ela era alguém que eu gostaria de ter ao meu lado até o meu último suspiro. Assim como meus filhos, ela sentiria a minha falta.

Peguei a pasta e me dirigi à Diamond Bianchi Group. Ainda no elevador, flagrei-me rindo. E pensar que, no dia anterior, eu estava naquele mesmo lugar levando ao meu marido o diagnóstico de uma doença terminal.

Agora eu levava os papéis do divórcio.

Seria cômico, se não fosse trágico.

Quando entrei na sala de Oliver sem anunciar, vi Brianna sentada na cadeira à frente dele, separados apenas por uma mesa de vidro.

Ele ficou impressionado quando me viu. Ela não.

— Jaqueline, que surpresa! Eu e Oliver estamos discutindo os últimos detalhes da campanha de lançamento da Diamond. Você quer analisar as minhas fotos? Eu gostaria da sua sincera opinião... coisa de mulher, sabe!

Eu não olhei para Brianna. Ignorei sua fala e encarei Oliver:

— Preciso falar com você, em particular. É bem importante.

Oliver arqueou uma sobrancelha, surpreso:

— Fale.

Olhei para Brianna:

— Se você não se importa... eu gostaria de ficar a sós com meu marido. É um assunto de família.

Ela olhou para Oliver, em busca de apoio para ficar na sala. Ele, por sua vez, olhou tranquilamente para a amante e disse:

— Tome um café para descansar um pouco. Logo voltamos a acertar os últimos detalhes. Prometo que serei breve.

Brianna saiu, visivelmente chateada.

Oliver voltou os olhos para mim. Naquele dia, em especial, meu marido parecia ainda mais bonito do que já era.

Respirei fundo, tentei manter meu corpo ereto quando coloquei a pasta sobre a mesa dele:

— Eu quero o divórcio.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu   Sete anos em sete minutos (III)

    Ela retirou minha mão de seu queixo e limpou a lágrima que escorria pela bochecha:— Aceitei você transando com várias mulheres durante seis anos. Nunca me importei porque sabia que eram casos passageiros.— Não eram casos passageiros. Eu nunca me envolvi de verdade com nenhuma delas. Eu apenas pagava para...Aquilo fazia algum sentido?Eu pagava para transar enquanto havia uma mulher que me amava esperando em casa.— Você poderia ter ficado com qualquer uma... menos com ela — Jaqueline continuou. — Porque você amou Brianna durante anos, e ela te deixou. Quando teve a oportunidade de ir embora, foi exatamente isso que fez. Não pensou em você, não te convidou para ir junto e não te ligou. Brianna simplesmente excluiu você da vida dela.Caralho! Que porra estava acontecendo?— Deixe-me ir... por favor...Acho que aqu

  • Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu   Sete anos em sete minutos (II)

    — Eu não me casei com ela.Desde quando eu havia me casado com Brianna?Jaqueline suspirou e sorriu. Não havia ressentimento em suas palavras:— Você está morando com ela. Desculpe, mas, para mim, isso tem o mesmo significado de um casamento.Não respondi. As palavras simplesmente morreram na minha garganta.— Siga em frente, Oliver. E permita que eu também siga. Sei que vai repetir que Adriel não vale nada, mas quero descobrir isso por mim mesma. Eu gosto dele. Certamente, ainda não é o mesmo sentimento que você tem por Brianna. Mas, aos poucos, posso chegar lá... posso amar novamente.— Não... — Meneei a cabeça, atordoado.— Eu tenho o direito de amar e de ser amada, Oliver. — As lágrimas escorreram dos olhos dela.Quando percebi, minha mão já estava erguida, a poucos cent&iac

  • Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu   Sete anos em sete minutos

    POV OliverEntrei no banheiro e tranquei a porta. Eu sabia que, se não fizesse daquela maneira, não conseguiríamos conversar.— Este banheiro é feminino, Oliver... Você não pode...— Não posso entrar no mesmo banheiro que a minha mulher? — Ri enquanto me aproximava dela. — É claro que posso.— Eu não sou sua mulher — Jaqueline disse entredentes, furiosa.O rosto de Jaqueline estava molhado. Eu conseguia enxergar até as pequenas gotas de água presas aos seus lábios avermelhados.Bastou se divorciar de mim para ela se transformar em uma mulher de verdade. Agora, usava batom, seu perfume podia ser sentido de longe e os cabelos estavam sempre arrumados.E as roupas? De onde ela havia tirado aquilo? Desde quando Jaqueline mostrava o corpo daquela maneira? Não usava nada propriamente decotado, mas suas curvas ficavam

  • Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu   Qualquer pessoa é substituível (II)

    No fim, aquele pedido de casamento não representou apenas a oportunidade de me casar com o homem da minha vida. Também foi a chance de me livrar daquela casa... e da minha própria família.Na primeira noite em que Oliver transou comigo, uma pequena esperança surgiu dentro de mim. Porém, desfez-se na manhã seguinte, quando ele acordou, pediu desculpas e disse que tudo não passou de um erro.Eu sabia que o divórcio era apenas uma questão de tempo. Ainda assim, amava-o desesperadamente. Não queria sair daquele casamento sem nada, ouvir um simples adeus e carregar a certeza de que nunca mais o veria, porque sabia que ele jamais me procuraria depois que eu partisse.Então, em meio ao desespero, tive a pior ideia da minha vida: engravidar sem conversar com ele a respeito. Eu sabia que, se contasse sobre meu desejo, Oliver diria não.Eu não sabia exatamente o que passou pela minha cabeça quando tomei aquela decisão. Não tinha certeza se queria ter filhos para nunca mais ficar sozinha, porque

  • Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu   Qualquer pessoa é substituível

    — Enquanto isso, gostaria de discutir alguns pontos com os advogados — disse o juiz. — Reiniciaremos a audiência em vinte minutos. — Então, olhou diretamente para mim.Comecei a andar devagar, concentrada em não desabar. O corredor parecia longo demais e eu não fazia ideia de onde ficava o banheiro.Definitivamente, não era naquele corredor. Percebi que Oliver caminhava logo atrás de mim e retirei a mão do peito, obrigando-me a andar sem procurar apoio nas paredes.Assim que saí do corredor, encontrei Adriel e Brianna. Estavam no mesmo ambiente, mas sentados em lados opostos.Adriel falava ao telefone. Quando me viu, encerrou a ligação e veio imediatamente em minha direção.— Você... está bem? — perguntou.— Sim. — Tentei sorrir.— Está pálida.— Está sendo muito difícil lá dentro.Ele olhou brevemente para Oliver. Eu não me atrevi a concentrar minha atenção em nada além do rosto de Adriel, usando-o como um ponto de equilíbrio.— Não se preocupe, Jack. Se ele ganhar, consigo uma nova

  • Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu   Licença no tribunal (III)

    Nikolay prosseguiu:— Meu cliente havia se atrasado apenas alguns minutos para realizar uma chamada de vídeo. As crianças estavam alimentadas, seguras e sob a supervisão do pai. Ainda assim, a senhora Walker entrou na casa visivelmente alterada, anunciou que levaria os filhos embora, discutiu com o pai e tentou atingi-lo na frente deles. Logo depois, perdeu a consciência.Natália se levantou:— Minha cliente não invadiu uma residência desconhecida. Entrou na casa onde viveu durante sete anos porque Oliver não cumpriu o combinado. Era a primeira noite em que ela permanecia longe dos filhos. Jaqueline chegou assustada, encontrou as crianças emocionalmente abaladas e reagiu de maneira impulsiva. Não houve agressão consumada.— Precisamos esperar que uma agressão seja consumada para considerar o comportamento preocupante, senhorita Still?Natália fuzilou Nikolay com os olhos:— Precisamos parar de transformar uma reação isolada em uma característica permanente. Minha cliente estava sob fo

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status