Mag-log inAbri os olhos lentamente e encontrei-me sozinha na cama, tate-ei o braço para o outro lado do colchão, mas tudo o que encontrei foram lençóis frios e uma almofada ligeiramente amassada. Alexander já tinha saído.Me espreguiçei e de seguida me levantei e segui para o banheiro onde me preparei para o dia.Sabia que tinha agido por puro impulso quando decidi fugir de toda a gente e aceitar as maluquices de Alexander. Tinha me colocado perante duas escolhas, a imprudência ou a realidade. E, sem pensar duas vezes, escolhi o caminho mais fácil.Mas agora teria de enfrentar a minha mãe, correção, teria de enfrentar os meus pais.O homem que, até há um mês, eu nem sequer sabia que era parente meu.Saí da casa de banho já vestida com uma roupa casual. A temperatura estava agradável naquele dia, sem aquele frio quase insuportável que parecia dominar os outros dias.Enquanto organizava algumas coisas sobre a penteadeira, reparei num pequeno papel verde dobrado. Peguei nele e abri, um sorriso bob
Estar a me apaixonar pelo meu stalker era uma das maiores loucuras que talvez estivesse a cometer em toda a minha vida.Duas semanas ao lado de Alexander tinham sido suficientes para me fazer repensar muitas coisas. Nunca imaginei que voltaria a sentir o coração bater tão depressa por alguém. Muito menos que aquele homem conseguiria trazer à tona uma versão de mim que julgava perdida.Estava a apaixonar-me por ele, e pelo filho dele.O mundo realmente não dá voltas, ele capota.O meu tinha capotado tantas vezes que já havia perdido a conta. A vida me jogou para o fundo de um abismo aparentemente sem fim. Contudo, uma mão tinha surgido para me ajudar a sair de lá.Mesmo que essa mão pertencesse a uma mistura estranha de Lex Luthor, Coringa e Tony Stark, cabia apenas a mim decidir se queria aceitá-la.— Liebe...A voz de Alexander interrompeu os meus pensamentos. Me virei olhando em na sua direcção e fiquei completamente imóvel.Ele segurava um enorme ramo de tulipas. Eram tantas que ma
Alexander saiu muito cedo de casa, deixando apenas um bilhete a avisar que estaria de volta antes da hora do meio dia.Tomei o café da manhã sozinha e completamente constrangida. Começava a achar que Carmélia tinha medo de mim, ela não demonstrava abertamente, mas era bastante evidente na maneira como se comportava sempre que nos cruzávamos.Reconheço que talvez a tivesse dado motivos para isso, afinal, não tinha causado propriamente uma boa primeira impressão.Não é todos os dias que uma mulher aparentemente normal aparece na cozinha de alguém, começa a gritar e atira uma frigideira à cabeça do próprio patrão. Se estivesse no lugar dela, também estaria apavorada.Carmélia devia estar convencida de que eu tinha fugido de algum hospício. Uma maluca, instável e completamente surtada.Passei o resto da manhã na sala, a maratonar Havai Força Especial e a me entupir de porcarias, a mesma obsessão doentia que eu tinha pelo Dean Wincheste, também tinha pelo Steve McGarret. Estava tão concent
Acordei com batidas na porta, que me fizeram resmungar. Quem, em plena manhã, se atrevia a interromper o meu precioso sono? O sol ainda nem sequer tinha nascido!— Entra! — gritei, escondendo o rosto nos travesseiros, na esperança de conseguir regressar ao meu sono de princesa.— Acorda, dorminhoca.Pela deusa, como era possível alguém ter um humor tão radiante àquela hora da manhã?Tapei a cabeça com o travesseiro.— Meine Liebe, precisas de acordar. Já são quase dez horas.— Estás a mentir. Olha lá para fora! Ainda está escuro, isto só pode ser um pesadelo. Dá para você me deixar em paz, pelo menos no meu sonho, Alexander?Ouvi o barulho de alguns objectos a serem movimentados. Resmunguei, pedindo a ele que fizesse menos barulho, mas, aparentemente, a minha súplica foi ignorada. Um comando de voz depois, as luzes do quarto acenderam, amaldiçoei mentalmente a existência daquele homem.— Estamos na Alemanha, Agatha. Aqui o clima é mais frio e o sol raramente dá o ar da sua graça, prin
Acordei com a sensação de que um trator tivesse passado por cima de mim.Minha cabeça latejava, meu estômago parecia querer sair de dentro de mim e a minha boca estava tão seca que precisei engolir duas vezes antes de conseguir soltar um gemido de desconforto.Mantive os olhos fechados por alguns segundos, na esperança de que, se ignorasse, aquela sensação teria a decência de desaparecer.Infelizmente, o universo parecia ter desenvolvido uma obsessão pessoal por mim.Virei-me para o lado, puxando o edredão até ao queixo, e tentei recordar de como cheguei àquele estado.As memórias voltaram com tudo, e me lembro do sorriso de Alexander. Abri os olhos de repente.— Não. Não, não, não!Sentei tão depressa que a cabeça pareceu querer se separar do pescoço. Levei as mãos às têmporas, respirando fundo enquanto as memórias da noite anterior me atingiam com a delicadeza de um camião desgovernado.— Filho de uma viga.Arranquei o edredão de cima de mim.Foi então que reparei na roupa que vest
A conversa de minutos atrás continuava a rodar na minha mente, vezes sem conta, como um disco arranhado. Cada palavra, cada acusação e cada olhar regressavam para me atormentar, provocando uma dor de cabeça tão intensa que eu começava a suspeitar que o meu cérebro estava a tentar abandonar o meu corpo por conta própria.Não imaginei que aquele dia terminaria assim.Em nenhuma das possibilidades que a minha mente conseguia criar, o desfecho era tão absurdo.Em nenhuma delas eu tinha um pai que desconhecia a minha existência.Em nenhuma delas o meu melhor amigo se tornava, de repente, meu irmão.Não meio irmão, ou irmão de juramento, mas sim irmão biológica. Em nenhuma delas minha mãe, a mulher que me ensinou a nunca aceitar menos do que merecia, era também a pessoa que escondeu de mim uma verdade capaz de destruir tudo aquilo em que eu acreditava.E, definitivamente, em nenhuma delas eu continuava em Nova Iorque.Muito menos noiva.Passei as mãos pelo rosto e soltei um suspiro tão pr







