LOGINCapítulo 51Eu te conheço, sou sua mãeDeiseO tio Otávio tentou me colocar para trabalhar na farmácia e também tentou me pagar uma pensão; ele sempre se sentiu culpado pelo que o pai e o filho dele fizeram.Ele se afastou dos dois, ficou trabalhando na farmácia e proibiu Hugo de se aproximar.Nunca mais o vi depois que me mudei para São Paulo, mas acredito que acabou ficando com a transportadora também. A empresa agora se chama Transportadora Nic Freitas.— Nossa, que povo safado e interesseiro!— Filha, o sucesso só vale a pena se não prejudica ninguém. A vida sempre vem cobrar a conta. Veja: Nic foi criada sozinha, em uma família destruída. Hugo é infeliz, teve um casamento mal‑sucedido, não criou os filhos e vive só pelo dinheiro. Pelo contrário, nós vivemos felizes, com amor, respeito e lealdade. Passamos dificuldades, mas sempre tivemos nossa casa e nunca faltou comida. Temos amigos verdadeiros.Dessa história toda, tenho dó de Fernando: esse garoto não é ruim, ele só não sabe o
Capítulo 50Brincadeira de mau gostoDeiseEles não poderiam jogar minha vida assim: ou eu fico com Hugo, ou a empresa vai ser disputada em uma mesa de jogo.Que brincadeira de mau gosto! Mas eles sempre resolveram tudo na mesa de jogo. Se fosse desafiado, tinha que jogar ou seria a chacota da cidade.Marcaram para o mesmo dia na parte da tarde.Fomos todos; eu chorava desesperada, trabalhei tanto por aquela empresa, ela era minha.O senhor Otávio tentou convencer o pai a desistir dessa loucura, mas acabou levando um tapa na cara e sendo chamado de frouxo. O pai dele perguntou:— Você não é homem? Está com medo do quê? Se eu perder a perfumaria, você ainda tem a farmácia. Agora, se eu ganhar, a transportadora fica conosco e ficamos milionários.Meu avô perdeu as três jogadas ali. A empresa que eu trabalhei tanto, dei meu sangue por ela, e meu avô perdeu.Hugo riu da minha cara:— Bem feito! Agora vai trabalhar de empregada para mim. Se quiser, me caso com você e você continua dona da
Capítulo 49Prédio de alto padrãoDeiseÍamos viajar ontem mesmo, mas meus amigos pediram para passarmos o dia juntos. Fomos para o parque, eu não ia desperdiçar um dia com eles, eu queria ficar mais um pouquinho perto de Nic.Estou preocupada em ir para tão longe e deixar ela, mas não tenho o que fazer. O Fernando jamais permitiria que ela fosse conosco.Já tínhamos arrumado tudo da casa, só vamos levar as roupas, o resto vamos deixar tudo. Vou passar no máximo oito meses lá, volto para fazer a faculdade com todos os meus amigos; é o tempo de Fernando esquecer que eu existo, cara chato, eu que não vou perder o meu tempo batendo de frente com ele sem motivos.As únicas coisas que me deixaram com raiva dele foram ter afastado Nic de nós, aquele babaca pode destruí‑la e ter chamado o meu pai de ladrão. Mamãe entregou as provas das fraudes para o doutor Luís Henrique, ela fez questão de entrar com o processo para provar a inocência do meu pai; referente à casa, ao carro e à empresa, eu n
Capítulo 48Logo nos viciamosHugo Bônus— Quando passei para o quinto ano, tive que mudar de escola. Lá conheci uma turminha barra pesada, eu me sentia livre, ninguém se metia comigo.Foi logo quando Fernando viajou para estudar fora. Éramos vários meninos e meninas, mas eu era mais próxima de Carlos. Começamos a fumar, depois fomos para drogas mais fortes.Logo nos viciamos, tínhamos entre 12 e 13 anos. Meu dinheiro não era suficiente, minha mesada não dava para nada. Comecei a vender meus brinquedos, minhas joias. Ninguém podia saber que eu usava drogas. Lembra dos seus relógios, papai, que sumiram? Fui eu que peguei.Até o dia em que estava no pátio da escola e vi Deise bagunçando com os amigos dela. Aquela menina me atraiu, foi um sentimento tão grande por ela que eu não sei explicar, é como se ela fosse minha irmã, igual Fernando. O mesmo amor que sentia por Fernando senti por ela. Olhei para Carlos e falei:— Gosto daquela menina, vou pedir para entrar na turma dela.Saí e fui
Capítulo 47Carlos me contou tudoHugo BônusPassei a tarde toda com Carlos, ele me contou tudo o que passou junto com Nic, me levou à associação para dependentes químicos. Estava tendo uma reunião com os jovens e seus familiares, escutei vários relatos sobre o que aqueles jovens passaram. Só pensava em Nic, que sofrimento minha filha passou todos esses anos, eu nunca percebi. Não tinha mais controle sobre as lágrimas.Acabou a reunião, Carlos me levou para conhecer os líderes da associação, a senhora Joana e o senhor Pedro. Eles me explicaram tudo sobre a associação, mas quando começaram a falar de Nic, meu coração parecia que ia sair pela boca. Eles conhecem minha filha melhor do que eu, eles fazem o papel que eu deveria estar fazendo.Não sei nem como agradecer essas pessoas. Tenho certeza de que todo o meu dinheiro não apagaria tudo o que estão fazendo por minha filha. Agradeço por tudo o que estão fazendo e me despeço deles, me comprometendo a ajudar em tudo o que eles precisarem
Capítulo 46 Que mundo pequeno Hugo Bônus Já não durmo direito há algum tempo, mas, no dia em que Nic me contou sobre as fraudes, meu coração gelou. Quando vi Deise entrando na sala de reuniões, fiquei branco como um papel. Foi como se meu sangue tivesse saído do corpo. Ela é igual à Eliana, o cabelo, o rosto, os olhos, as mãos, até as unhas eram idênticas às dela. Como isso é possível? Senti tanto medo, ali tinha certeza de que o passado tinha vindo cobrar as contas. Pergunto se ela é filha de Eliana Munhoz, tendo certeza da resposta. Apesar de Deise se apresentar como Deise Alencar, ela é uma Munhoz, sem dúvida alguma. É o clone de Eliana. Ela confirma minhas suspeitas, sim, ela é filha de Eliana. Fernando percebeu meu desespero, mas prefiro não contar nada sobre o meu passado desastroso. Deise começa a falar sobre as fraudes, fico impressionado como é parecida a forma de falar, a determinação, mais uma grande empresária no mundo dos negócios está na minha frente. Percebo o olhar d







