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Além da Linha

Além da Linha

By:  AutoraCompleted
Language: Portuguese
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— Professor… Por favor. Eu vim pra aprender a dirigir. Não pra isso. Ela era casada. Ele era instrutor de direção e, para piorar, amigo do marido. Durante as aulas, cada erro no pedal virava um pretexto para se aproximar. Cada correção vinha acompanhada de um toque que ultrapassava o necessário. Presa dentro do carro da autoescola, sem ter para onde ir, ela sentia a linha entre o certo e o proibido se desfazer minuto a minuto. Naquele dia, uma escolha errada, de roupa, de silêncio, de confiança, fez tudo escapar do controle. O espaço apertado, a respiração próxima demais, a tensão que já não dava mais para disfarçar.

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Chapter 1

Capítulo 1

Meu nome é Isadora.

Recentemente, o trabalho passou a exigir viagens frequentes, e decidi que finalmente precisava tirar a carteira de motorista.

Por coincidência, ou talvez não, Daniel, um amigo próximo do meu marido, trabalhava como instrutor em uma autoescola. Ele se ofereceu para me ensinar sem cobrar nada, dizendo que seria apenas um favor entre amigos.

No dia da primeira aula, meu marido ainda brincou:

— Capricha no visual. Quando sai comigo, você é meu cartão de visitas.

Pensei um pouco antes de sair. No fim, escolhi uma roupa que ele mesmo tinha me dado, simples, ajustada, elegante o suficiente para chamar atenção sem parecer exagerada. Quando caminhei alguns passos pela sala, percebi o olhar dele demorando mais do que o normal.

— Assim está ótimo. — Disse, satisfeito. — Meu amigo que vai morrer de inveja.

Revirei os olhos.

— E você não tem medo de alguém se interessar demais pela sua esposa?

Depois de vestir a meia-calça, segui para a autoescola.

Ao chegar, encontrei o carro de Daniel estacionado. Inclinei-me para bater no vidro da janela.

— Daniel, cheguei para a aula.

Ele baixou o vidro lentamente. O olhar demorou um segundo a mais do que devia, como se avaliasse algo além do necessário. Só então percebi que, naquela posição, minha postura não era exatamente cuidadosa. Endireitei-me de imediato, ajeitando a roupa, fingindo naturalidade.

— Você é a Isadora, certo? — Disse ele, com um sorriso contido. — Entra. Seu marido é um grande amigo meu. Pode ficar tranquila, vou te ensinar direito. Se depender de mim, você passa de primeira.

Assim que me sentei no banco do passageiro, Daniel se inclinou um pouco e chamou minha atenção para os pedais.

— Presta bem atenção. — Disse, em tom sério. — O pé esquerdo aqui, o direito alivia devagar. Quando o carro começa a vibrar, esse ponto é o que a gente chama de meia-embreagem.

Ele apontava, explicava, demonstrava com paciência.

— Vem. Tenta você agora.

Segui as instruções, mas minha falta de prática ficou evidente. O carro morreu.

Tentei outra vez. E outra. Sempre o mesmo resultado.

Daniel suspirou, impaciente.

— Assim não vai dar.

Ele se aproximou um pouco mais, encurtando a distância entre nós. Sua mão pousou de leve sobre minha perna, como se fosse apenas parte da explicação. Ainda assim, o contato inesperado me deixou imediatamente tensa, como se todo o meu corpo tivesse entrado em estado de alerta.

— Vou te mostrar como controlar a força. — Disse, com naturalidade. — Quando eu pressionar, você solta o freio devagar.

A proximidade só me deixou mais nervosa. Minha voz saiu baixa, hesitante:

— Daniel… Isso não é meio estranho? Você é amigo do meu marido… Desse jeito…

Ele riu, alto, despreocupado.

— Estranho por quê? — Respondeu. — Justamente por ser amigo dele é que eu quero te ensinar direito. Não estou fazendo nada além do meu trabalho. Outros alunos adorariam ter esse tipo de atenção.

As palavras soavam convincentes. Acabei relaxando um pouco, confiando novamente no papel que ele dizia estar desempenhando.

Segui as instruções. O carro começou a vibrar de leve, de repente, a mão dele se contraiu e apertou com força a minha coxa.

— Isso. — Disse ele. — Agora não mexe o pé. É aqui. Mantém assim e solta o freio aos poucos.

Até então, nunca havia sentido a mão de um homem que não fosse meu marido pousar na minha coxa. Mesmo através da meia, eu percebia o calor da pele dele, e algo inesperado se agitava dentro de mim, um sobressalto estranho, difícil de nomear.

Enquanto o carro começava a se mover lentamente, meu coração batia mais rápido do que deveria.

De tão nervosa, soltei o freio rápido demais.

O carro arrancou de forma brusca.

Daniel reagiu no mesmo instante, pisando com força no freio do lado dele. A parada repentina me lançou para a frente e, por um segundo, perdi completamente a noção de espaço.

Houve um contato inesperado.

A mão dele escorregou para dentro da minha saia.

Breve. Acidental.

Mas suficiente para fazer meu corpo inteiro reagir, como se um choque tivesse atravessado meus nervos.

Corei na mesma hora. A sensação de constrangimento foi imediata, quase insuportável.

Daniel afastou a mão rapidamente e me olhou, como se nada fora do comum tivesse acontecido.

— Calma. — Disse, retomando o tom profissional. — O pé tem que soltar devagar. Sem pressa. Vamos tentar de novo.

Respirei fundo algumas vezes, tentando recuperar o controle. Dessa vez, o carro finalmente começou a se mover de forma suave.

A etapa seguinte era a baliza.

E foi aí que tudo desandou.

Tentei uma vez. Errei o ângulo.

Tentei outra. Passei da linha.

Quando achei que tinha acertado, o carro ficou torto demais para corrigir.

Nenhuma tentativa dava certo.

Daniel observava em silêncio, balançando a cabeça.

— Desse jeito… — Comentou, por fim. — Acho que nem em dez anos você pega isso.

Aquilo me atingiu em cheio.

— Então o que eu faço? — Perguntei, já aflita. — Mês que vem começo a viajar a trabalho. Sem dirigir, vai ser impossível.

Ele levou a mão ao queixo, pensativo. O olhar demorou mais do que devia antes de voltar para mim.

— Tem um jeito. — Disse, com um meio sorriso. — Mas você vai ter que confiar em mim.

Meu estômago se apertou.

— Você senta aqui no meu colo. — Continuou. — Eu vou te guiando, passo a passo. Assim você aprende rápido.

Demorei um segundo para processar o que ele estava sugerindo.

Aquilo ultrapassava claramente o limite do que eu considerava apropriado. Só de imaginar a situação, senti o rosto esquentar. Se meu marido soubesse, certamente não ficaria confortável.

— Isso… Isso não é demais? — Perguntei, hesitante. — Não fica íntimo demais? Acho que meu marido não gostaria nada disso.

Daniel não respondeu de imediato. Apenas me observou, como se esperasse que eu mesma tomasse a decisão.

E aquele silêncio, estranhamente carregado, pesava mais do que qualquer palavra.

Ao perceber minha hesitação, Daniel pegou o celular e ligou diretamente para o meu marido.

— Ei, Bruno, sua esposa está aqui há quase três horas e ainda não conseguiu pegar o jeito. — Disse, em tom casual. — Pensei em deixá-la sentar-se no meu colo para eu ir guiando, bem de perto. Você se importa?

Do outro lado da linha, a resposta veio rápida demais.

— Se é você, eu confio. — Respondeu meu marido, sem hesitar. — O importante é ela aprender. Isso é só detalhe.

A ligação foi encerrada antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

Fiquei ali, em silêncio, sentindo algo quente e pesado se formar dentro do peito.

"Como ele podia ser tão despreocupado?"

Sentar-se no colo de outro homem, e para ele não significava nada.

Foi nesse momento que algo dentro de mim mudou.

Se ele não se importava, por que eu deveria me importar?

Movida por uma mistura confusa de raiva, ressentimento e uma vontade amarga de provocar, tomei a decisão que, minutos antes, jamais teria considerado.

Fiz questão de recuar um pouco mais o corpo ao me sentar, atrás de mim, algo rígido pressionava de leve, impossível de não notar.

Fiquei vermelha na hora, o rosto queimando. Esse Daniel… Era intenso demais. A presença dele atrás de mim tinha uma força quase brutal.

Não era nada parecido com meu marido, sempre distante, apagado, fazia tanto tempo que eu já quase tinha esquecido o que era me sentir mulher de verdade.

As mãos firmes de Daniel se sobrepuseram às minhas no volante, guiando meus movimentos com uma segurança excessiva, como se ele tivesse total controle da situação, e, de certo modo, tinha. Eu tentava me concentrar na direção, mas meu corpo reagia de forma traiçoeira, denunciando um conflito que já não era apenas técnico.

Ele ligou o carro e, de propósito, manteve o motor naquele ponto instável, fazendo tudo tremer com violência.

A cada solavanco, algo atrás de mim me pressionava repetidas vezes, insistente, acompanhando o ritmo bruto da vibração.

A sensação era intensa demais. Meu rosto ardia, o calor subindo até as orelhas, e o corpo inteiro parecia em chamas, inquieto por dentro, como se algo se movesse sem parar.

Sem perceber, deixei escapar um som baixo, quase um suspiro contido, tentando conter o que se passava dentro de mim.
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