INICIAR SESIÓNChega novembro, e com ele a dolorosa realidade: este será o primeiro final de ano sem minha esposa, Anna Carolina.
Cada luzinha piscando, cada enfeite natalino, que para todos parece trazer alegria, para mim apenas acende as lembranças e as feridas que se recusam a cicatrizar. Na verdade, parece que, nesta época festiva, a dor se intensifica, tornando-se insuportável, como se cada brilho no mundo ao meu redor lembrasse a sua ausência. As dores são reais, incuráveis. Passamos por tantas coisas juntos, momentos que o tempo jamais poderá apagar. Talvez, com o passar dos dias, a ferida encontre algum alívio, e é a isso que tento me agarrar, embora o vazio permaneça insistente. Meu sorriso, raro e cuidadosamente moldado, consegue enganar a todos, e disfarça o turbilhão de saudade, o peso de uma ausência que nenhum brilho natalino consegue iluminar de verdade. Aos 32 anos, aprendo diariamente com a minha filha, Heloisa, de apenas 4 anos, que seguir em frente não significa apagar as dores do passado, tampouco estar completamente curado. Avançar é, antes de tudo, dar o primeiro passo para superá-las, mesmo que de forma lenta. A Helo é a única razão das minhas incontáveis tentativas de recomeçar, a força que me mantém de pé quando o peso da ausência se torna insuportável. O primeiro ano do luto é, sem dúvidas, o mais cruel de todos. Ele nos ataca com lembranças que pareciam adormecidas, mas que ressurgem com força redobrada em datas especiais. É impossível ignorar a sensação de vazio, a realidade amarga que me envolve, mas, apesar de tudo, ainda me agarro à esperança de que o próximo ano possa ser um pouco mais leve, um pouco menos doloroso. Sempre fui um homem feliz, realizado profissionalmente, e minha família era a minha maior alegria, minha prioridade. Nas minhas orações, muitas vezes questiono a Deus, tentando entender por que Ele a levou de mim. Por que Anna Carolina, minha base, minha vida, foi arrancada do meu lado? Mesmo amargurado, sei que preciso seguir em frente. Preciso vestir minha armadura, como se fosse o Homem de Ferro, pronto para enfrentar o mundo. Carol era mais do que minha esposa, era minha âncora, o amor da minha vida. Juntos, construímos uma história que deixarão marcas eternas. A Heloisa é um pedacinho dela que permanece comigo, uma lembrança constante do amor que nunca morre. Nossa vida era simples, mas plena. Morávamos em Capitólio, uma cidadezinha encantadora no interior de Minas Gerais, famosa por seus rios cristalinos, cachoeiras deslumbrantes, canyons imponentes e montanhas verdes que se perdiam no horizonte. Cresci em uma fazenda que passei a administrar até me casar. Sempre fui apaixonado pela vida no campo: cavalgar pelos pastos, sentir o vento nos cabelos, cuidar da terra e dos animais, mas Carol sonhava com a vida na cidade. Com seu jeito doce e persistente, convenceu-me a prestar o concurso para a Polícia Militar, e assim demos um passo rumo a um futuro diferente, mas sempre juntos. Apesar da simplicidade, nossa casa vivia em festa. Não importava a data, qualquer motivo se tornava celebração. Um churrasco improvisado, com bifes de coxão duro e meio quilo de linguiça toscana sobre a grelha de carvão, era suficiente para encher nossos dias de alegria, risadas e amor. O destino, porém, foi cruel. Esperávamos ansiosamente pelo nascimento de Heitor, nosso filho que seria o companheiro perfeito para todas as travessuras e aventuras que planejávamos. Ele, infelizmente, partiu junto com Carol, não cheguei a conhecer seu rostinho. Sonhava em ensinar-lhe tudo que aprendi no batalhão, quem sabe, até vê-lo tornar-se um capitão da Rotam. Após a perda devastadora, decidi me mudar para Portugal, buscar um recomeço ao lado da minha avó Maria e da minha irmã Camila. Nunca imaginei que um dia viveria na Europa, mas aqui estou, tentando reconstruir minha vida. Seu maior desejo é que eu me case novamente. Não é algo que eu busque no momento, mas compreendo que Heloisa precisa de uma figura feminina em sua vida, alguém que possa chamar de “mamãe” e que a ame profundamente. Até me relacionei com algumas mulheres, mas nada passou de encontros casuais, relações descompromissadas, prazer momentâneo e sem conexão emocional. Acredito que conquistar o coração de alguém vai muito além de dizer versos bonitos; é preciso que eles sejam verdadeiros, vividos, sentidos. Não iludo ninguém. Para conquistar verdadeiramente um coração, primeiro precisamos conquistar o nosso próprio, curar nossas feridas, explorar nossos cantos mais profundos, aceitar nossas lacunas. Só então, quando um coração está pronto, podemos compartilhá-lo. Juntos, enfrentaremos altos e baixos, inevitavelmente, mas também haverá milhões de instantes de alegria pura, momentos que aquecem a alma, que nos fazem sentir vivos. E sabe por que? Porque, mesmo em meio à dor e à saudade, o amor continua, e ele tem força suficiente para nos ensinar a viver novamente. E é por isso que pessoas como eu, dizem que nunca mais conseguirão amar um outro alguém ... Talvez seja porque o meu coração não fora somente quebrado, ele fora arrancado do peito, e somente um grande amor me trará-lo novamente, o que eu duvido muito ... Gostaria de pelo menos me interessar verdadeiramente por alguém, nutrir uma boa amizade e quem sabe assim desenvolvêssemos um relacionamento bacana, porém, as garotas que me relacionei até o momento são cheias de frescuras e não demonstram qualquer tipo de interesse em relação a minha filha, exceto a Cibele sua professora do primário, aparentemente ela gosta muito da Heloisa e consegue satisfazer-me loucamente na cama, mas, ela é pegajosa demais e isso chega a me irritar. Acredito que amar, amarei somente a Carol, mas tentaria ao menos uma boa relação e quem sabe até me apaixonar. A Heloisa já me pediu para escrever sua cartinha para o papai Noel e o pedido foi nada mais nada menos que uma mamãe. A minha Helo é doce assim como a Carol era, ama cor-de-rosa, é carinhosa e cheia de chamego; elas se amavam e não se desgrudavam, desde a hora que acordavam até a hora que iam dormir. Infelizmente há certas coisas que por mais que tentamos entender, estão longes de serem totalmente compreendidas, elas simplesmente acontecem e marcam as nossas vidas.— Tem certeza? — Eduardo sussurra baixinho em meu ouvido.— Sim ... Há muito tempo não sou tocada dessa forma, sou mulher e sei exatamante o que estou fazendo. — afirmo com a voz trêmula, em um sussurro ao pê do seu ouvido.Vejo em seus olhos o brilho que revela a mesma necessidade que sinto queimar dentro de mim.Ao se aproximar um pouco mais, seus lábios quentes e carnudos percorrerem lentamente o meu pescoço causando arrepios em minha pele.Suavemente, suas mãos deslizam pelos meus braços e ombros como se estivessem explorando cada partezinha do meu corpo.Beijando-me de uma forma possessiva, em seus braços sou levada até outra pilha de feno. Nossos olhares se encontram novamente em uma busca delirante, e encontro no fundo dos seus olhos o desejo ardente que reflete nos meus que faz o meu coração bater compulsivamente dentro do peito.Acaricio o seu rosto, sinto a aspereza de sua barba serrada, com um sorriso tímido deslizo minhas mãos em seu peito, desabotoo alguns botões de sua s
Saio no gramado vestindo o melhor sorriso no rosto e caminho em direção a Eduardo que nos aguarda encostado no capô da caminhonete com a perna direita apoiada na grade. Ele está maravilhosamente lindo, vestido com um camisão jeans escuro, calça caqui colada no corpo demarcando suas coxas e bumbum, bota preta e um cinto de fivela, na cabeça um lindo chapéu preto com a medalhinha de Nossa Senhora da Aparecida. Ao nos ver, retira o chapéu e apaga o palheiro de menta que estava fumando. Com um selinho o cumprimento, me sento no banco dianteiro, coloco o cinto de segurança e me embriago no rastro do se perfume deixado dentro da cabine. Um silêncio predomina até que Emanuelly o quebra ao reclinar o corpo para frente entre os dois bancos. — Desistiu das competições Du? — Esse ano não competi Manu! — E por que não? — Sei lá, não senti vontade. Emanuelly me olha, e com um sorriso orgulhoso do amigo me diz: — O Eduardo foi campeão por diversas vezes na festa de peão em Barre
Meu coração parece derreter diante da intensidade da chama acesa no olhar de Eduardo, ao ser puxada pelo braço para um beijo intenso sinto seus lábios tocarem os meus com urgência e tomar minha boca por completo. Um fogo percorre todo o meu corpo me fazendo estremecer, logo ele é levado para ainda mais perto, diminuindo qualquer distância entre nós. Fecho os olhos e me entrego de corpo de alma ao momento, minha língua envolvida a dele, acompanha seus movimentos intensos até que o beijo começa a ficar lento e profundo. Com os olhos semiabertos o vejo de olhos fechados como se quisesse memorizar cada segundo e sensação. Seus dedos deslizarem pelos cabelos da minha nuca, e um arrepio percorre pela minha espinha dos pés à cabeça. Com a língua, exploro cada pedacinho do céu de sua boca, minhas mãos trêmulas, acariciam o seu rosto, traçando com a ponta dos dedos a linha da sua mandíbula. Suas mãos percorrem o contorno da minha cintura, em seguida repousam em minhas coxas apertando-as
Aos 25 anos de idade, tive apenas um relacionamento amoroso em minha vida. Se é que posso chamar aquela relação conturbada de “amorosa”. Nasci, cresci e vivi na roça durante praticamente a minha vida toda. Assim que acabei de completar 15 anos, perdi os meus pais em uma catástrofe que houve em Capitólio. Houve o desmoronamento de um dos paredões de pedra de um dos cânions. Naquela época, trabalhávamos na roça durante a semana, e aos Sábados e Domingos fazíamos o roteiro que incluía uma passagem pela Lagoa Azul, Cânions, Cascatinhas e Lago de Furnas. Em um momento de descontração, em que rotineiramente as embarcações ficavam paradas para que as pessoas desfrutassem das paisagens, uma das rochas se desprendeu e atingiu a lancha dos meus pais. Alguns turistas que perceberam o que ia ocorrer gritaram, mas eles não conseguiram ouvir, infelizmente o desastre estava relacionado com o processo de erosão e outros fatores geológicos, que comprometeram a sustentação da rocha.Eu estava em uma
Seguimos diretamente para a Hangaragem da família onde todos nos aguardam para alçarmos voo. Heloísa, com sua fofura e carisma encanta a todos.A viagem até o Brasil parece uma eternidade. Mal espero o avião aterrissar e já me levanto. Meu coração bate forte dentro do peito, uma angústia avassaladora toma conta de cada célula do meu corpo e um nó na garganta me sufoca.Meus pensamentos estão em Henrique a todo momento.A camionete branca em que estou percorre o que resta da estrada de asfalto e depois vira à direita pegando o caminho de cascalho em direção à Fazenda Doce Encanto. A paisagem árida se estende enquanto o imenso açude se desdobra ao longo do caminho.Ouço os cascalhos da estrada tilintar contra o para-choque, sinto o cheiro da terra molhada e um sorriso encantado brota em meus lábios, observo os pastos verdejantes e a soja aqui do alto do norte da fazenda pronta para colher. O sol brilha forte no alto do céu, "estalando mamona" como diz o pessoal da região. Conheço ca
Entro pela porta da sala, procuro meus pais pela casa, e não os vejo, provavelmente já tenham ido se deitar. Caminho alguns passos e ouço vozes vindas do escritório, aproximo um pouco mais o ouvido da porta e então ouço: — É ele Nanda, eu tenho certeza de que é ele!— Também posso jurar que sim ... E parece muito com o pai quando era mais jovem ... A personalidade, os traços faciais...Logo minha presença é notada pelo meu pai que possui uma audição aguçada e uma sensibilidade extrema a sons.— Emanuelly? — ele chama pelo meu nome.— Oi pai?— Quer conversar filha? — pergunta minha mãe ao abrir a porta.— Agora não mãe, preciso terminar de arrumar minhas malas.Me despeço com um beijo no rosto, termino de arrumar minhas malas com o coração apertado dentro do peito. Exausta, me jogo na cama ainda vestida com o agasalho de Henrique. O perfume impregnado no tecido me envolve como um abraço quente.Repouso a cabeça no travesseiro. Meus olhos ainda estão inchados. Sinto o rosto







