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* Capítulo 01 - Henrique Sales

last update Data de publicação: 2026-08-30 01:44:04

Chega novembro, e com ele a dolorosa realidade: este será o primeiro final de ano sem minha esposa, Anna Carolina.

Cada luzinha piscando, cada enfeite natalino, que para todos parece trazer alegria, para mim apenas acende as lembranças e as feridas que se recusam a cicatrizar. Na verdade, parece que, nesta época festiva, a dor se intensifica, tornando-se insuportável, como se cada brilho no mundo ao meu redor lembrasse a sua ausência.

As dores são reais, incuráveis. Passamos por tantas coisas juntos, momentos que o tempo jamais poderá apagar. Talvez, com o passar dos dias, a ferida encontre algum alívio, e é a isso que tento me agarrar, embora o vazio permaneça insistente. Meu sorriso, raro e cuidadosamente moldado, consegue enganar a todos, e disfarça o turbilhão de saudade, o peso de uma ausência que nenhum brilho natalino consegue iluminar de verdade.

Aos 32 anos, aprendo diariamente com a minha filha, Heloisa, de apenas 4 anos, que seguir em frente não significa apagar as dores do passado, tampouco estar completamente curado. Avançar é, antes de tudo, dar o primeiro passo para superá-las, mesmo que de forma lenta. A Helo é a única razão das minhas incontáveis tentativas de recomeçar, a força que me mantém de pé quando o peso da ausência se torna insuportável.

O primeiro ano do luto é, sem dúvidas, o mais cruel de todos. Ele nos ataca com lembranças que pareciam adormecidas, mas que ressurgem com força redobrada em datas especiais. É impossível ignorar a sensação de vazio, a realidade amarga que me envolve, mas, apesar de tudo, ainda me agarro à esperança de que o próximo ano possa ser um pouco mais leve, um pouco menos doloroso.

Sempre fui um homem feliz, realizado profissionalmente, e minha família era a minha maior alegria, minha prioridade. Nas minhas orações, muitas vezes questiono a Deus, tentando entender por que Ele a levou de mim. Por que Anna Carolina, minha base, minha vida, foi arrancada do meu lado?

Mesmo amargurado, sei que preciso seguir em frente. Preciso vestir minha armadura, como se fosse o Homem de Ferro, pronto para enfrentar o mundo. Carol era mais do que minha esposa, era minha âncora, o amor da minha vida. Juntos, construímos uma história que deixarão marcas eternas. A Heloisa é um pedacinho dela que permanece comigo, uma lembrança constante do amor que nunca morre.

Nossa vida era simples, mas plena. Morávamos em Capitólio, uma cidadezinha encantadora no interior de Minas Gerais, famosa por seus rios cristalinos, cachoeiras deslumbrantes, canyons imponentes e montanhas verdes que se perdiam no horizonte. Cresci em uma fazenda que passei a administrar até me casar. Sempre fui apaixonado pela vida no campo: cavalgar pelos pastos, sentir o vento nos cabelos, cuidar da terra e dos animais, mas Carol sonhava com a vida na cidade. Com seu jeito doce e persistente, convenceu-me a prestar o concurso para a Polícia Militar, e assim demos um passo rumo a um futuro diferente, mas sempre juntos.

Apesar da simplicidade, nossa casa vivia em festa. Não importava a data, qualquer motivo se tornava celebração. Um churrasco improvisado, com bifes de coxão duro e meio quilo de linguiça toscana sobre a grelha de carvão, era suficiente para encher nossos dias de alegria, risadas e amor.

O destino, porém, foi cruel. Esperávamos ansiosamente pelo nascimento de Heitor, nosso filho que seria o companheiro perfeito para todas as travessuras e aventuras que planejávamos. Ele, infelizmente, partiu junto com Carol, não cheguei a conhecer seu rostinho. Sonhava em ensinar-lhe tudo que aprendi no batalhão, quem sabe, até vê-lo tornar-se um capitão da Rotam.

Após a perda devastadora, decidi me mudar para Portugal, buscar um recomeço ao lado da minha avó Maria e da minha irmã Camila. Nunca imaginei que um dia viveria na Europa, mas aqui estou, tentando reconstruir minha vida. Seu maior desejo é que eu me case novamente. Não é algo que eu busque no momento, mas compreendo que Heloisa precisa de uma figura feminina em sua vida, alguém que possa chamar de “mamãe” e que a ame profundamente.

Até me relacionei com algumas mulheres, mas nada passou de encontros casuais, relações descompromissadas, prazer momentâneo e sem conexão emocional.

Acredito que conquistar o coração de alguém vai muito além de dizer versos bonitos; é preciso que eles sejam verdadeiros, vividos, sentidos. Não iludo ninguém. Para conquistar verdadeiramente um coração, primeiro precisamos conquistar o nosso próprio, curar nossas feridas, explorar nossos cantos mais profundos, aceitar nossas lacunas. Só então, quando um coração está pronto, podemos compartilhá-lo.

Juntos, enfrentaremos altos e baixos, inevitavelmente, mas também haverá milhões de instantes de alegria pura, momentos que aquecem a alma, que nos fazem sentir vivos. E sabe por que? Porque, mesmo em meio à dor e à saudade, o amor continua, e ele tem força suficiente para nos ensinar a viver novamente.

E é por isso que pessoas como eu, dizem que nunca mais conseguirão amar um outro alguém ... Talvez seja porque o meu coração não fora somente quebrado, ele fora arrancado do peito, e somente um grande amor me trará-lo novamente, o que eu duvido muito ...

Gostaria de pelo menos me interessar verdadeiramente por alguém, nutrir uma boa amizade e quem sabe assim desenvolvêssemos um relacionamento bacana, porém, as garotas que me relacionei até o momento são cheias de frescuras e não demonstram qualquer tipo de interesse em relação a minha filha, exceto a Cibele sua professora do primário, aparentemente ela gosta muito da Heloisa e consegue satisfazer-me loucamente na cama, mas, ela é pegajosa demais e isso chega a me irritar.

Acredito que amar, amarei somente a Carol, mas tentaria ao menos uma boa relação e quem sabe até me apaixonar.

A Heloisa já me pediu para escrever sua cartinha para o papai Noel e o pedido foi nada mais nada menos que uma mamãe.

A minha Helo é doce assim como a Carol era, ama cor-de-rosa, é carinhosa e cheia de chamego; elas se amavam e não se desgrudavam, desde a hora que acordavam até a hora que iam dormir.

Infelizmente há certas coisas que por mais que tentamos entender, estão longes de serem totalmente compreendidas, elas simplesmente acontecem e marcam as nossas vidas.

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Comentários (3)
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Vanusa Batista
seu novo amor logo Chegará Henrique não vejo a hora
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Elijane Oliveira
Ai,que capítulo lindo
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Monica
Seu amor irá chegar Henrique ...
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