Chega novembro, e com ele a dolorosa realidade: este será o primeiro final de ano sem minha esposa, Anna Carolina. Cada luzinha piscando, cada enfeite natalino, que para todos parece trazer alegria, para mim apenas acende as lembranças e as feridas que se recusam a cicatrizar. Na verdade, parece que, nesta época festiva, a dor se intensifica, tornando-se insuportável, como se cada brilho no mundo ao meu redor lembrasse a sua ausência. As dores são reais, incuráveis. Passamos por tantas coisas juntos, momentos que o tempo jamais poderá apagar. Talvez, com o passar dos dias, a ferida encontre algum alívio, e é a isso que tento me agarrar, embora o vazio permaneça insistente. Meu sorriso, raro e cuidadosamente moldado, consegue enganar a todos, e disfarça o turbilhão de saudade, o peso de uma ausência que nenhum brilho natalino consegue iluminar de verdade. Aos 32 anos, aprendo diariamente com a minha filha, Heloisa, de apenas 4 anos, que seguir em frente não significa apagar as d
Última actualización : 2026-08-30 Leer más