Mag-log inEsse jardim é a distração da minha mãe, o lugar é realmente privilegiado, há árvores frondosas circundadas por um gramado bem aparado, e uma diversidade de flores por toda extensão. Apesar da ausência do sol, respirar esse ar puro é como um bálsamo para mim.
Calçada com minhas pantufas, caminho até o início da passarela central e me sento embaixo de uma das árvores onde o antigo balanço de madeira está pendurado, o mesmo que a minha mãe brincava comigo em minha infância. Aqui é meu lugar favorito do jardim, todas as melhores lembranças que tenho de quando era apenas ainda uma garotinha vêm em minha mente. Respiro fundo e, inevitavelmente, minha memória me leva de volta ao dia em que sonhei que estávamos brincando nesse mesmo jardim. Ao vê-la pela primeira vez junto à minha tia Niele, e mesmo sendo apenas uma criança, entendi que era ela a mulher que o meu pai tamou por toda a sua vida e nunca havia desistido de encontrar. Quando ainda pequena, carregava meus momentos de dor. Sentia-me incompleta por não ter uma mãe, e por mais que a minha família me mimasse ao extremo, a ausência maternal era um buraco impossível de preencher. Então, a Nanda chegou. Vi nela uma mulher perfeita. Ela transformou a minha vida, trouxe alegria, deu cor aos meus dias. Tínhamos nossos momentos só de meninas, algo que eu mais sentia falta. O meu pai sempre foi maravilhoso, mas havia coisas que não estavam ao alcance dele. A Nanda veio para somar; ela deixou nossa família inteira mais feliz. Hoje reconheço, sentada aqui, que estou sendo ingrata ao fazê-la sofrer tanto com as minhas atitudes. Sento-me no balanço e tento me concentrar na beleza desse lugar. O vento balança suavemente os galhos, e o perfume das flores invade meus pulmões. Falo com Deus, como sempre faço, e pouco a pouco sinto uma paz sutil preencher o espaço que a dor insiste em ocupar, é como se Ele me pegasse no colo, acalentando-me. Sinceramente, gostaria muito de voltar a ser aquela menina de sorriso fácil, falante igual a uma maritaca, como a Dona Nanda sempre diz. De repente, a lembrança do olhar do homem que salvou a minha vida toma conta dos meus pensamentos. Por que aquele olhar não sai da minha mente? Principalmente nos momentos mais escuros, quando pensamentos suicidas me atravessam, tirando-me a paz. Lembro-me vagamente de sua voz me chamando de “amor”... “Por favor, meu amor, não me deixe...” Será que ele me confundiu com alguém? Provavelmente sim. Eu o ouvi me chamar de Anna Carolina. Ergo o olhar e, através das grades que cercam a mansão, observo uma viatura da Polícia da Segurança Pública passar lentamente pela rua. Meu coração acelera, ouço o barulho dos freios derrapando no asfalto e meu corpo estremece. Um carro em alta velocidade vira a esquina e quase se choca contra o portão de casa. As nuvens escuras cobrem completamente o céu, como um manto cinza espesso. A visão embaçada não me deixa distinguir o rosto do policial que faz uma manobra arriscada, como numa busca implacável. De onde estou, só consigo ver uma pequena cabeça surgir pelo vidro semiaberto da viatura. O vento chicoteia os galhos das árvores com violência. Sei que não vai demorar para a tempestade desabar de vez. O Rio Tejo, lá adiante, está cada vez mais agitado. Olho para o céu e sinto o peso daquela lembrança, tempestades ainda me paralisam. Quero levantar, correr para dentro, mas uma sensação estranha me invade, como uma paralisia. Meu corpo não obedece, permanece estática, enquanto tudo ao meu redor se move. E então a chuva começa. Primeiro leve, mansa, depois mais firme. Os pingos batem no telhado e escorrem como pequenas lágrimas lavando tudo. E, no meu corpo, cada gota parece lavar também um pouco da minha alma. Avisto a viatura parada quase em frente ao portão principal. Um tumulto começa a se formar na rua, os seguranças da casa e curiosos se amontoam para ver o que está acontecendo. Em passos lentos, aproximo-me um pouco mais da grade. A ansiedade aperta o meu peito, enquanto algo dentro de mim alerta, essa sensação estranha não é normal. — Senhorita Manu, é melhor não se aproximar. Pode haver troca de tiros entre o policial e os suspeitos. — Me diz um dos seguranças ao me barrar com o braço estendido. Obedeço, mesmo a contragosto, e permaneço do lado interno do jardim, tentando acompanhar a cena pela grade. Meu coração b**e forte, acelerado. O policial desce apressado da viatura. Seu porte autoritário domina o espaço enquanto aborda os dois homens que, há poucos minutos, passaram em alta velocidade. Me viro para um dos seguranças e pergunto: — O que está acontecendo? — Houve um furto em uma residência aqui por perto senhorita. Me aproximo um pouco mais, ignorando o frio que sobe pelas pernas. Nesse instante, reconheço um carro familiar chegando. Meu tio Marlon, que é delegado, desce com sua postura firme, braços cruzados, apenas observando o policial trabalhar. Ao me ver apoiada na grade, com as mãos entrelaçadas, se aproxima. — Bom dia, Manu! Que surpresa boa. Fico feliz em vê-la de pé. Princesas não vivem em seus castelos eternamente; elas passeiam pelos jardins também. — ele brinca. Esboço um sorriso tímido, já nem me lembrava mais das duas covinhas que se formam em minhas bochechas quando sorrio. — Oi, tio! Pois é… fui expulsa do meu quarto pelo senhor Luiz Armando, ele me botou pra correr. — Brinco, aliviando o clima. — Por pouco não apanhei de cinta. O que está acontecendo? — questiono, apontando discretamente para a rua. Olho para o policial de costas e observo impressionada, a sua habilidade em render os dois homens de uma só vez com as algema. Meu olhar percorre seus movimentos, a destreza com que atua. Seu corpo é escultural: braços musculosos, farda justa que destaca coxas torneadas e um bumbum perfeitamente desenhado. Por um segundo sinto uma centelha de atração, mas ela morre no instante em que noto uma aliança grossa de ouro em sua mão esquerda. Ainda assim, os tremores no corpo e o coração disparado insistem em me denunciar. — Houve um furto próximo daqui. Vim correndo achando que fosse na casa de vocês. Todo cuidado é pouco… — diz meu tio, colocando-se à minha frente, bloqueando a minha visão do policial. — Estou seguindo para a delegacia! — anuncia o policial ao entrar na viatura. O timbre da sua voz é como um choque elétrico no meu corpo. Ele fala e arrepios sobem pela minha pele. Essa voz… eu já ouvi antes. Mas onde? Se não saio de casa desde o acidente … — Quem é esse policial, tio? — pergunto, tentando disfarçar a inquietação. — Você não o conhece, Manu. Ele se chama Henrique Sales. Chegou na cidade há poucos meses, é brasileiro. Já faz quase um ano que você não sai de casa, esqueceu? Engulo em seco, é verdade. Desde o acidente, minha vida ficou limitada às paredes desta casa. Me despeço do meu tio com um aceno discreto e volto a caminhar pelo jardim com o copo de chocolate quente já frio, agora misturado com a água da chuva que desaba de vez enquanto o vento uiva. De repente, o estrondo de um trovão parece estilhaçar o mundo. Meu coração dispara, o copo escorrega das minhas mãos e se despedaça no chão. A chuva agora se transforma em uma tempestade violenta. Encharcada, tremendo dos pés à cabeça, corro para dentro de casa aos gritos, tentando escapar do peso do céu que desaba sobre mim.Alguns meses depois...A manhã de sábado na Fazenda Felicidade está banhada pelo brilho dourado do sol da primavera. O Pasto balança suave, o lago reflete o céu azul infinito, e por um instante tenho a sensação de estar assistindo o começo de algo muito maior do que planejávamos.Estou com as mãos apoiadas na cerca de madeira, Tatiane está ao meu lado, e juntas observamos nossos maridos caminhando ao longe.Henrique gesticula, aponta para as terras, olhando o horizonte como quem mede o mundo. Gustavo caminha devagar, atento, analisando minuciosamente cada detalhe como se estivesse lendo um mapa invisível desenhado sobre o chão. Olhos profissionais de quem sabe construir impérios. Eles não estão apenas andando... Estão sonhando.E sentimos isso de onde estamos.Descemos o pequeno caminho de terra lentamente, querendo chegar perto sem interromper. Conforme me aproximo, escuto a voz firme de Gustavo.— Aqui pode ser a recepção principal.Paramos alguns passos atrás deles.Henrique se vir
Seguimos até o deck externo do restaurante onde o som do mar domina tudo do lado de fora. Por alguns segundos ficamos em silêncio, apoiados no guarda-corpo, olhando o oceano escuro. Homens não precisam falar imediatamente, e Gustavo é tipo de homem que analisa tudo com cautela e precisão. Ele bebe mais uma dose do uísque, e então quebra o silêncio. — Então… Henrique. O que você faz quando não está em lua de mel? Solto um riso baixo. — Trabalho demais. Ele arqueia a sobrancelha.Espero um instante antes de responder.— Trabalhava, na verdade... — Cresci em uma fazenda em Capitólio, Minas Gerais. Vivi lá até me casar com a minha primeira esposa e entrar na Rotam.Gustavo permanece em silêncio, atento, como se pesasse cada detalhe da minha história.— Depois que ela faleceu… em um trágico acidente — continuo, respirando fundo — Minha vida virou de cabeça para baixo.Ele ergue levemente as sobrancelhas, impressionado.— Cara, eu também perdi a minha esposa em um trágico acidente. —
A música ainda toca, porém, não mais alto que o som de nossas respirações misturadas. Sinto o toque dos dedos de Emanuelly percorrendo meu rosto, e pescoço, descendo devagar.Ela sorri apaixonada, eu a olho nos olhos e declaro todo o meu amor.Ao tomá-la com delicadeza em meus braços, caminho lentamente até a suíte. O corpo dela repousa contra o meu, quente e confiante, como se fosse o lugar onde sempre sonhou estar.Na banheira, envoltos pela água morna e pelo silêncio do fim de tarde, nos amamos mais uma vez... sem pressa, apenas sentindo um ao outro, como se o mundo lá fora deixasse de existir.Depois, eu a envolvo em uma toalha macia e a levo para a cama.Com cuidado, eu a deito sobre os lençóis ainda aquecidos. Seus cabelos se espalham pelo travesseiro como um véu escuro, e seus olhos começam a pesar.Não demora muito e Emanuelly adormece em meus braços, tranquila, respirando suavemente contra meu peito.Eu a observo por um momento, tomado por uma ternura silenciosa. Inclino-me d
HENRIQUESinto o momento exato em que o tremor domina o corpo de Emanuelly. Ouço seus gemidos balbuciando palavras carinhosas, em ondas avassaladoras de prazer.Encaro seu rosto contorcendo em puro êxtase, e então ela se arqueia em minha boca segurando forte em meus cabelos e me puxa com força, atolando ainda mais o meu rosto em sua boceta. Seguro-a com firmeza, mordisco o interior de sua coxa, saboreando sua entrega até o último gemido rouco.Pela cintura, a coloco de quatro na cama, e espalho uma trilha de beijos por todo a sua pele. Minha língua percorre o seu corpo até chegar em sua intimidade traseira. Enquanto o sugo, introduzo dois dedos sua intimidade melada.— Henrique! — ela grita meu nome em êxtase.— Gostosa! — rosno em seu ouvido.Em um impulso com o corpo, ela me joga para o lado e se posiciona agora por cima de mim, dominando totalmente o momento. Sua boca macia percorre meu peito largo, forte, depois desce pelo meu abdômen até chegar ao cós da minha boxer. Faminta, a p
As duas se cumprimentam com um beijo no rosto, e trocam aquele olhar rápido que só mulheres entendem. Em segundos já existe simpatia entre elas.Gustavo nos observa por um instante, analisando, como se estivesse acostumado a ler pessoas.E então nos diz:— Espero que aproveitem a estadia. Esse lugar costuma guardar boas histórias.Franzo o cenho.— Costuma? — sorrio.— A minha lua de mel, foi aqui também, esse é o lugar preferido da Tatiane.Tatiane lança um olhar divertido para ele.— Estamos em uma segunda lua de mel... Aliás eu acho que nunca saímos dela.Gargalhamos juntos, Emanuelly acaricia a sua barriga e pergunta-lhe:— E já encomendaram logo um bebezinho... Está linda a sua barriga... É o primeiro?Tatiane sorri.— Tenho um mocinho que irá completar seis aninhos, o meu príncipe Guilherme, e agora virá a Maria Alice para completar a nossa felicidade.Olho novamente ao redor, depois para Gustavo, e solto uma risada curta.Algo curioso acontece, sinto que, não é só uma conversa
Ligo o motor do carro, minhas mãos permanecem firmes no volante enquanto observo pelo retrovisor a fazenda ficando para trás. O sol da manhã vem nascendo, cobrindo os campos, o curral, a varanda os pomares e jardimRespiro fundo, e olho para Emanuelly sentada ao meu lado... Minha esposa, a mulher por quem sou perdidamente apaixonado.Ela mantém o buquê repousado no colo, os dedos delicados brincam distraidamente com uma das fitas brancas. O vestido de noiva foi trocado por um vestido leve de viagem, mas ela continua perfeita como sempre foi.Com os olhos marejados, ela sorri sem olhar para mim.— Eu ainda não acredito, que nos casamos... Eu te amo tanto Henrique! — ela diz, se virando e se sentando em cima de uma das pernas dobradas no banco do carro.Sorrio, apaixonado. Cada “Eu te Amo” que Emanuelly diz, é como se fosse a primeira que estivesse ouvindo.— Deita aqui... — peço, trazendo sua cabeça para o meu peito, e beijo sua testa.O carro começa a avançar pela estrada de terra, le







