INICIAR SESIÓNSei que concordei com tudo isso, já faz um ano e meio que levo essa vida. Murat já se acostumou com minha disponibilidade para ele, mas ele está cada vez mais ausente e eu o amo, isso tem acabado comigo. Preciso começar a pensar no meu futuro. Não sei se conseguirei continuar como sua amante.
—Murat, eu quero fazer esse teste.
Ele se aproxima e segura o meu rosto.
—Eu te dou tudo que uma mulher possa desejar. Você não precisa disso. Não precisa trabalhar. Você é minha Ester e precisa de mim mais do que quer admitir. —Ele então me olha calado por um tempo. —Eu preciso de você. E muito! Você não tem ideia o quanto.
Eu estremeço de prazer com a confissão dele. Mas isso é quebrado quando o vejo passar o lenço em seus lábios retirando meu batom que manchou sua boca, me lembrando que ninguém sabe de nós.
Então, ele se vira e pega sua pasta no sofá. Deixa o apartamento.
Solto o ar e trêmula caminho até o sofá. Praticamente desabo nele.
Ele está certo quando disse que eu preciso dele. Ele é uma droga e eu sou a drogada.
Mas ele?
Que sentimento ele realmente nutre por mim? Apenas o velho e bom sexo! Não se iluda! Foi exatamente isso que ele se referiu, ele precisa de você na sua cama.
Suspiro.
Quando ele fala que me estendeu a mão em um momento difícil é verdade, mas não por bondade, longe disso. Murat sempre demonstrou ser um homem frio, levado pela razão e que sabe exatamente o que quer e faz tudo para obter...
Passei os olhos por cada centímetro do meu apartamento que "dividimos" quando ele tem tempo para mim.
Murat no início foi um balsamo, eu tinha acabado de perder meu irmão para as drogas e estava em Londres há pouco tempo, saí às pressas da minha cidade em York quando fui ameaçada por traficantes para pagar o que Arthur devia.
O valor era muito alto, mesmo com meu emprego de recepcionista em um hotel de luxo na minha cidade, eu não conseguiria pagar nem metade do que ele devia aos traficantes.
Tive que deixar toda a minha vida para trás. Amigos, emprego. Sei que foi uma decisão sensata. Com certeza, se eu continuasse lá, eu acabaria como ele, pagando a dívida com a minha vida, ou acabando sendo estuprada por algum deles.
Quando vim para cá tinha poucas economias e por isso tive que morar num albergue feminino cheio de pulgas e percevejo. Durante o dia eu procurava emprego e ficava na rua, só voltava a noitinha para dormir. Acordava sempre com coceira, o corpo cheio de picadas dos insetos.
Fiquei nessa vida dura uma semana até que finalmente uma oportunidade de trabalho surgiu e eu fui trabalhar na mansão dos Alakurt Kemal Çelik....
Foi um acaso ter ido trabalhar na casa dos pais de Murat, mas foi escolha minha aceitar tudo que ele me ofereceu depois... pensei que ele acabaria se apaixonando por mim...eu nunca imaginei que as coisas chegariam ao ponto que chegaram hoje. Não entendo os sentimentos de Murat. Ele não me passa confiança. Às vezes vejo nele um homem apaixonado, outras vezes acho que estou sendo usada e quando ele se cansar de mim vai me cuspir fora como um bagaço de laranja depois de tirar o meu melhor, minha juventude. E quando eu ficar velha? Murat ainda vai me querer?
Talvez ele esteja me enrolando e nunca enfrente o pai dele.
Solto um suspiro pensando quem é Murat Alakurt Kemal Çelik:
Um homem dotado de uma inteligência formidável para os negócios. Usando seu brilhantismo, ele está sempre um passo à frente de seus adversários. Tendo seu pai como mentor, Murat tem crescido os negócios da família. Solteirão convicto, é considerado pelas revistas da alta sociedade como um bom partido. Cobiçado pelas mulheres que querem acabar com esse título de solteiro que ele carrega e fazem de tudo para obter sua atenção elevando ainda mais seu ego, já tão elevado.
Murat juntamente com seu pai sempre ajudou com seus donativos e causas humanitárias. Não sei até que ponto ele tem essa preocupação com seu semelhante. Se ele realmente tem um coração de carne ou se é apenas uma fachada para melhorar sua imagem de homem duro nos negócios, cuja ambição é sem limites.
Fecho os olhos e aperto bem as pálpebras quando me lembro dos dias que trabalhei na mansão dos Alakurt Kemal Çelik.... e como tudo evoluiu. Como a determinação de Murat que me envolveu com amarras invisíveis da paixão, eu aceitei sua proposta nada conservadora...
Meu olhar está distraído vendo Ester brincando de bola com os nossos filhos na piscina. É inacreditável como o tempo passou. Yasmin, está com nove anos e Osman, oito anos.—A carne está cheirando queimado. —Ouço Tereza dizer.Pisco e só então vejo o fogo alto que se formou. Jogo um pouco de água no carvão para diminuir as chamas.—Droga! Meu pai se aproxima se firmando em sua bengala.—Deixa que eu cuido disso—ele diz.—Não precisa baba. Eu que estava distraído.Ele olha os netos brincando com Ester.—Eles cresceram, não é isso que estava pensando?—Sim, o tempo passou. Tanto que me sinto um velho. A nossa diferença de idade agora está bem em evidência —digo reparando em Ester, que continua linda, com seus trinta e três anos e eu quarenta e oito. Estou grisalho, as rugas evidentes nos cantos dos olhos.—Você não deveria se preocupar com isso. Ester te ama. Não vê como ela olha para você? Como ainda te procura com os olhos nas
EsterEu meneio a cabeça achando graça na dramaticidade deles. Tentando levar na esportiva os pensamentos que me surgem agora.Quando eu estava gravida de sei meses, eu saí para ir ao mercado e peguei um congestionamento enorme na volta. Tudo parado por causa de um acidente. Quando eu cheguei Murat andava de um lado para o outro como um leão faminto, muito preocupado comigo, já que eu tinha ido comprar seis coisinhas e demorei.Turcos!—Está certo pai. Dá uma ligada para ela antes de ir. Para despreocupá-la.Nossa! Vai cair o mundo! Quanto tempo ele ficou aqui? Acho quem nem meia hora.—Sim, no carro eu ligo.—Não esquece! —Murat diz enfático.—Não vou esquecer—ele diz e olha para mim. —Verei com Ayla um almoço em casa.—Será só nós ou chamará todos da família? —Murat questiona estudando o pai.—À princípio só nós. Você não acha melhor?Murat parece aliviado.—Sim, concordo. Yasmin é muito pequena para passar de colo em colo. —Ele diz. Seu senso protetor nível dez agora.—Vou indo. —M
Seis meses depois...MuratO cliente sorri satisfeito ao passar os dedos pela cristaleira.—Vou levar—ele diz sem nem ao menos perguntar o preço. —Há muito tempo tenho procurado por essa peça.—Ótimo, fico feliz de tê-la encontrado aqui—digo enquanto preencho a nota para ele. —Suba até o escritório e acerte com minha esposa. Aproveita e passa seu endereço para a entrega.—Está certo.O sino da porta de entrada soa e eu me preparo para mais um cliente. Quando me volto para ele vejo a figura de meu pai.Meu coração se agita e eu fico estacado olhando para ele.—É assim que recebe seus clientes? —Ele me questiona. —Os deixa plantados esperando ser atendidos?—Ba... —quase o chamo de pai em turco, mas na última hora suprimo as palavras. —Ahmed, o que faz aqui?Meu pai estremece.—Sua loja é como sua mãe descreveu. Muito bem organizada. Não fica aquela impressão de móveis acumulados. Você fez vários ambientes.—Sim. Sempre notei nessas lojas que íamos certa desorganização —digo. —Resolvi i
Tive uma gestação tranquila.Ao longo desses meses, recebi a visita de Ayla que se mostrou uma mulher de fibra, de opinião. Contrariando a vontade do pai de Murat, sempre que pôde, veio nos visitar.No início ela me tratou com uma frieza irritante, cheio de recato, deixando claro que sua vinda era apenas para ver Murat, mas que não aprovava a escolha dele. Só que o tempo foi passando e ela pode perceber através das ações de Murat como ele estava feliz ao meu lado, como ele me tratava com carinho. Isso teve o efeito de um martelinho quebrando toda a resistência dela. E suas visitas rápidas, aos poucos, foram se estendendo. Se tornado em horas, então um dia ela almoçou conosco, outro dia ficou para o jantar e assim foi indo. Quando Yasmin nasceu eu já me dava muito bem com a minha sogra. Nossa filha só veio selar isso com sua vinda. Hoje nosso bebê completa um mês.Ela é um bebê grande, forte e saudável.Linda!O cabelo negro igual ao do pai, os olhos de um lindo azul-esverdeado.Ag
Murat aperta os lábios e solta o ar.—Meu pai sempre valorizou objetos antigos. Se você tivesse visto o quarto dele entenderia o que quero dizer. É como se entrasse na idade média. Todas as peças que ele comprou eu o acompanhei. Quando ele se interessava por alguma e o preço era muito alto, ele levava um amigo nosso, que já até faleceu. Ele era historiador, especializado em peças antigas. Ele que checava se as peças eram apenas uma cópia, e se não, ele avaliava se elas valiam tudo o que diziam. Eu fiquei fascinado com esse mundo. Quando meu pai viu meu interesse, ele investiu em livros caríssimos sobre a veracidade dos móveis antigos. Eu passei a estudar sobre isso nas horas vagas e meu pai pagou John para me ajudar. Além de ele tirar as minhas dúvidas, visitamos muitos antiquários para eu pôr em prática meus conhecimentos. Muitas peças na casa de meu pai foi eu que comprei. Louças, vasos, alguns móveis. Tirando o quarto dele, é claro.Solto o ar, entendendo agora de onde vem essa com
Eu me sinto como se tivesse flutuando nas nuvens. Tudo tem corrido tão bem que dá até medo!Nos casamos no cartório, com poucas testemunhas. Minha tia, a mãe de Murat. Tereza e seu marido que foram nossos padrinhos.Viajamos depois, ficamos vinte dias inteiros hospedados em um hotel em Artemida, na Grécia. Um lugar maravilhoso. Praias de águas límpidas, um verdadeiro paraíso. Foi tão bom estar com Murat em lugares públicos. Andar de mãos dadas pela praia, frequentar restaurantes e assistir o sorriso largo dele experimentando pela primeira vez a liberdade, sem a sombra de seu pai atrapalhando tudo.Logo que chegamos de viagem, juntos, começamos a ver as casas. Nos apaixonamos por uma.Linda!Uma casa de cinco quartos, sendo todos suítes. Bem espaçosa. Cozinha grande, sala de jantar, uma grande sala de estar com lareira. Toda avarandada.O jardim lindo, um sonho. Grande, o gramado cerca toda a casa. Plantas ornamentais espalhadas em vários pontos estratégicos, lindas, em uma combinação







