LOGINNuno já não sabia como explicar. O nervosismo bateu de verdade, e o medo de que Mafalda pensasse outra vez que ele estava insistindo nela de forma humilhante só piorou tudo.Só que, ao ouvi-lo repetir tantas vezes a palavra mal-entendido, Mafalda sentiu o coração esfriar por completo.Sem perceber o efeito daquilo, Nuno voltou depressa ao assunto de antes e retomou a pergunta que ela não tinha terminado de responder.Mafalda repuxou os lábios num sorriso raso.— Ainda existe outro jeito, eu posso me casar.As pupilas de Nuno tremeram de leve. Os lábios dele até se entreabriram, mas, antes que qualquer palavra saísse, Mafalda já bateu de leve no braço dele, como se quisesse tornar tudo mais leve.— Então, Sr. Nuno, será que você pode me fazer esse favor? Vê se encontra alguém adequado e me apresenta para uns encontros.Ela manteve o sorriso, mas a voz saiu gelada.— Eu não peço muito. Só tem uma condição: ele precisa ter algum peso em San Elívar. Pelo menos o suficiente para não ser alg
Mafalda olhou para o rosto bonito de Nuno e, sem entender direito por quê, deixou aquelas palavras chegarem à boca.Ainda havia gotas d’água em seu rosto. Sem os óculos, os traços dele ficavam suaves de um jeito quase cruel. Dolorosamente suaves.Ao longo dos anos, Mafalda viu os olhos de muitos homens.Mas só esses... só esses ela parecia incapaz de cansar de olhar.— Que jeito?Nuno perguntou com toda a seriedade.O coração de Mafalda acelerou.Esse jeito seria... casar com ele.Se ela se casasse com Nuno, poderia deixar a casa dos Barbosa de cabeça erguida, sem depender mais da tutela dos pais de Gisele.E era justamente por isso que, durante todos esses anos, os Barbosa fizeram de tudo para destruir qualquer namoro ou possibilidade de casamento em sua vida.Mafalda pensou e repensou.Em San Elívar, talvez só diante da família Fonseca os Barbosa não pudessem agir como bem entendessem.Vendo por esse lado, Nuno era um partido bom demais.Bom até demais.E foi por isso que, desde muit
Mafalda o cortou com o rosto em brasa, tomada pela agitação.Toda vez que ficava diante de Nuno, era assim. Bastava uma fagulha, e ela já incendiava.Porque, de algum jeito, ele sempre acabava pisando exatamente no ponto onde sua insegurança mais doía.Depois de despejar tudo aquilo, Mafalda viu um lampejo de surpresa passar pelo rosto dele. Logo em seguida, o olhar de Nuno se encheu de uma emoção difícil de decifrar.E, ao perceber que o atingiu, ela também se sentiu mal.O silêncio caiu pesado entre os dois. Até o ar pareceu ficar constrangido.Mafalda se virou e voltou para o quarto, fechando a porta atrás de si.Não acendeu a luz.Apenas se jogou na cama e se escondeu sob o lençol, deixando que a escuridão a engolisse inteira.No fundo, Mafalda sabia muito bem:quanto mais tentava se justificar, mais miserável se sentia.Como se cada desculpa só a deixasse ainda menor.Como quando ouviu, anos atrás, as últimas palavras da mãe dirigidas à família Barbosa:— Ela é igual ao pai...— S
As pernas de Mafalda pareciam já não lhe pertencer. Mesmo assim, foi seguindo Nuno, obediente, como se o corpo inteiro tivesse deixado de lhe pedir permissão.Eduardo, furioso, tornou a chamar por ela.Só que, antes que Mafalda pudesse sequer reagir, Nuno também se virou para encará-lo.— Ah, e devolva o celular da Mafalda.Enquanto falava, já estendeu a mão para ele.Eduardo hesitou, travou a mandíbula e, a contragosto, entregou o aparelho.Mas, logo em seguida, voltou a se dirigir a Mafalda:— Você vai mesmo sair daqui com ele? Tem noção do que vai enfrentar se cruzar essa porta?Por dentro, Mafalda já era puro caos.Só que Nuno não parou. Quase a arrastou para fora da casa dos Barbosa.Dessa vez, ele não lhe deu espaço para hesitar. Nem voltou a perguntar o que ela queria.No instante em que cruzaram o portão, o vento da noite veio de encontro aos dois. Era frio, cortante, mas trouxe com ele uma sensação de alívio tão intensa que quase chegou a doer.Só que esse alívio mal durou alg
— Mafalda, não esqueça que sou eu o seu responsável legal. Se você der esse passo hoje, pense muito bem no preço que vai pagar.Eduardo a conhecia bem demais.Mafalda sempre pareceu feroz por fora, cheia de espinhos, como se mordesse o mundo inteiro.Mas, por dentro, era muito mais frágil do que deixava transparecer.Ela não conseguiria abrir mão do que a mãe lhe deixou. Nem tinha força suficiente para escapar de vez do controle deles.Já Nuno era o oposto.Por fora, parecia obediente.Por dentro, era pura teimosia.O que ele decidia fazer com Mafalda vinha do próprio coração. Ninguém conseguia dobrá-lo.— ...Mafalda encarou Nuno, os olhos brilhando de um jeito instável. Sentia os pés leves demais, como se andasse fora do próprio corpo.E, mesmo assim, acabou seguindo com ele para fora do quarto.— Mafalda!A voz de Eduardo desceu pesada outra vez.Fernanda também já não conseguia assistir àquilo calada, embora o tom dela viesse mais macio:— Mafalda, já está tarde. Por mais ressentid
Nuno cravou os olhos em Eduardo. O olhar dele era quieto, mas tinha uma força que obrigava qualquer um a pensar duas vezes.Eduardo também começou a ficar inquieto.No fim das contas, Nuno era dos Fonseca. Comprar briga com ele não era algo que lhe interessava. E, se aquela cena crescesse e vazasse, quem passaria vergonha seriam eles mesmos.Pior ainda: isso só daria a Mafalda mais espaço para reagir.Fernanda também estava aflita.Ela nunca imaginou que Nuno ainda manteria um vínculo tão forte com Mafalda.Porque, por mais que tivessem coragem de forçar Mafalda a se dobrar, não dava para fazer o mesmo com Nuno.— Tio Eduardo, acho melhor o senhor ter uma coisa em mente. — Nuno tornou a falar. — A Mafalda não é só funcionária do Grupo Fonseca. Ela também é amiga da Ayla.Ele fez uma pausa curta, sem desviar os olhos.— E, por trás da Ayla, não existe só o Grupo Fonseca. Existe também o Grupo Cardoso. O senhor realmente quer comprar briga com tanta gente por causa de uma única pessoa?N
— Porque eu preciso casar... — Mafalda soltou, com raiva presa na garganta.Era o tipo de coisa que ela nem sabia como explicar direito.No testamento da mãe, existia uma cláusula a mais. Se Mafalda se casasse, ela podia sair da família Barbosa de imediato e recuperar uma parte da herança que os Bar
Mas, até o instante em que percebeu que Isadora nunca o tomou como destino, Daniel sentiu uma espécie de alívio, como se algo pesado finalmente saísse dos ombros.Talvez, desde o começo, ele colocasse ela num lugar que exigia proteção total.E, nisso, ele engoliu sentimentos demais.Ele nem chegou a
A voz de Gustavo ficou rouca de tanta emoção. Ele não ligou para os olhares ao redor. Ele não ligou nem para os funcionários que se aproximavam ao ver a confusão.Ele encurralou Ayla, teimoso, como se quisesse trancar ela ali na marra. Até que gente do reservado ouviu o barulho e saiu.— Gustavo!—
— Lalá? Você já fez drama o suficiente, não? Já se passaram vários dias. Tá querendo nunca mais falar comigo é? — A ligação finalmente foi atendida, e a voz de Gustavo invadiu os ouvidos de Daniel.A expressão de Daniel escureceu na hora.Ayla estava prestes a se tornar sua esposa, mas para aquele h