LOGINEla foi como uma luz.Quando Rebeca mergulhava na escuridão mais profunda, foi aquela luz que a acompanhou noite após noite, afastando pesadelos, sustentando-a com força e coragem.E, de repente, essa luz se apagou para sempre.Rebeca jamais acreditou que ela teria tirado a própria vida sem motivo. Nem mesmo por causa de um término. Jamais.A mão de Bruno que segurava o copo hesitou por um instante. O olhar turvo ganhou um lampejo de lucidez, afiado, mas logo voltou a se perder sob o efeito do álcool.Ele curvou os lábios.— Aquela? É só... uma velha amiga.— Velha amiga?As unhas de Rebeca cravaram-se na palma da mão.Ela forçou a voz a permanecer estável.— Era alguém importante? E agora onde ela está?Bruno ficou em silêncio por alguns segundos. Depois inclinou a cabeça e esvaziou o copo de uma vez.O álcool amplificava tudo o que ele tentava manter sob controle. Nos olhos sempre calculistas, surgiu uma sombra rara, algo próximo da dor.— Ela morreu.Duas palavras.A voz saiu rouca,
Ao ouvir aquilo, a expressão de Rebeca melhorou de forma visível.Bruno captou cada detalhe. Ficou sem palavras.Ela nem se esforçava para disfarçar.De fato, ele só confrontava Ayla por causa de Carolina.Depois do que Ayla disse naquele dia, algo que permaneceu tensionado dentro dele por anos pareceu se romper de repente.Bruno tentava sufocar as suspeitas que surgiam. Não queria ser influenciado por provocações.Mas quanto mais se forçava a ignorar, mais a dúvida crescia.Ele não ousava investigar.Se fosse verdade, se a morte dos pais estivesse ligada a Carolina... então toda a vida que construiu, tudo o que fez até agora, não passaria de uma farsa cruel.O olhar dele escureceu.De repente, os dedos se fecharam com força, e as articulações estalaram.Rebeca percebeu a mudança no humor dele e aproveitou o momento.— Na verdade, Sr. Bruno, não precisamos ser inimigos. A Ayla pode conviver em paz com você.— Você não entende nada. — Ele soltou um riso seco. — Eu não sou como sua amiga
— Quando foi que eu disse... que te odiava?Rebeca piscou algumas vezes. A expressão denunciava uma gentileza forçada, mas o tom saía surpreendentemente suave.Por um instante, Bruno quase teve a ilusão de que ela fazia aquilo de propósito, como se estivesse flertando.— Não foi ontem à noite que você quase me jogou pra fora e disse que chamaria a polícia ao me ver? — Ele se inclinou, se aproximando perigosamente dos lábios dela, a voz preguiçosa, carregada de provocação. — Rebeca, o que você está tramando afinal?— Eu...Ela encolheu o pescoço, mas Bruno segurou o rosto dela de repente, as mãos firmes nas bochechas.A sombra alta do corpo dele trouxe uma pressão invisível. A respiração roçou a lateral do rosto dela, quente.— Ou será que... — Ele baixou ainda mais a voz. — Quando eu estava completamente bêbado ontem à noite, fiz alguma coisa com você... algo que não sai da sua cabeça?— Não fala besteira! — As orelhas de Rebeca ficaram vermelhas num instante. Ela apoiou a mão com forç
— Vá resolver algo para mim.Carolina entregou a Bruno um documento recém-impresso. Ele passou os olhos pelo conteúdo e um leve espanto cruzou seu olhar.— A senhora pretende agir contra a família Cardoso?— Não se meta no que não lhe diz respeito. — A voz dela saiu fria. — Você só precisa executar. Se falhar outra vez, eu realmente perderei a fé em você.Bruno sabia exatamente o que significava decepcioná-la.Anos de esforço para conquistar reconhecimento. Tudo o que envolvia a família Fonseca. Tudo o que dizia respeito ao Grupo Fonseca. Poderia desaparecer.— Mas... e a empresa? Eu...Ele hesitou. A tarefa em si não era complexa. O problema era envolver-se com a família Cardoso. Aquilo podia facilmente sair do controle.Era um risco alto demais.— Quanto à empresa, você ficará suspenso por alguns dias. Também servirá como explicação para Ayla. Você falhou, e eu não tenho disposição para protegê-lo desta vez. Siga o regulamento interno. Ayla não poderá fazer nada além disso.Carolina
Assim que saiu da sala de reuniões, Carolina foi seguida de perto pelo mordomo.Ela deu instruções rápidas sobre a questão da família Sampaio.— Resolva isso o quanto antes. Quero um retorno amanhã.— Sim, senhora. — Ele assentiu, depois acrescentou: — O jovem senhor Bruno ainda está ajoelhado no subsolo. Já faz quatro horas. A senhora deseja vê-lo?Só então Carolina se lembrou de Bruno.Desde que Ayla voltou, a eficiência dele parecia evaporar. Todas as vezes que tentava lidar com ela, partia confiante e retornava derrotado.Desta vez, o erro foi ainda mais grave, afetou diretamente os negócios dela. A paciência de Carolina estava no limite.Não queria vê-lo. Mas Bruno ainda tinha utilidade.Ela mudou de direção e seguiu para o subsolo.O subsolo era, na verdade, um antigo abrigo subterrâneo construído junto com a mansão. Normalmente servia para armazenar objetos.Depois que Carolina passou a viver na residência dos Fonseca, transformou o espaço em dois cômodos fechados.Um quarto.Um
Ao ouvir aquilo, a expressão de Márcia esfriou ainda mais.Ela soltou uma risada curta, irônica.— Compensação? A família Sampaio não carece de nada, Sr. Filipe, o senhor é gentil demais. E os presentes que Nuno deixou, pode levá-los de volta também.— Os presentes de Nuno foram um gesto sincero. Srta. Márcia, mesmo que nossas famílias não se tornem parentes, ainda podemos manter uma boa relação.Felipe sabia que ela ainda estava tomada pela irritação. Não insistiu no ponto.— Em San Elívar, a família Fonseca ainda tem certo peso. Se me chamar de tio, eu a trato como meia filha. Não é melhor do que continuar brigando com aquele garoto?O sorriso dele era hábil demais. Márcia entendia perfeitamente o subtexto... ele queria que ela soubesse até onde podia ir.Mas e daí que era a família Fonseca?Ela simplesmente não conseguia engolir o que Nuno fez.Além disso, a própria família Fonseca enfrentava turbulências. Depois que Samuel saiu de cena, a estrutura interna parecia fragmentada.Feli






