MasukUm prejuízo fora de controle já se aproximava. Se a situação piorasse, a falência do Grupo Siqueira deixava de ser algo impensável.Gustavo transferiu as ações para Ayla nesse momento não apenas para preservar a reputação da família Siqueira, mas também para trazê-la de volta à empresa.Com o escândalo do projeto, grande parte do problema vinha da incapacidade da equipe atual de corrigir as falhas.Ayla sempre demonstrou habilidade excepcional para recuperar projetos e reorganizar dados. Anos atrás, quando o Grupo Siqueira enfrentou uma crise ainda mais grave, foi ela quem segurou a empresa à beira do colapso.Agora a situação piorava a cada hora. O tempo era escasso. Armando não teve alternativa além de ceder.Ficou claro que, ao menos por enquanto, a empresa não podia ficar sem Ayla.— O que você está fazendo?Quando Gustavo entrou no quarto, encontrou Bianca mexendo em sua pasta de trabalho.— Nada. — Respondeu Bianca, sobressaltada. Ela fechou a pasta rapidamente. — Eu só quis orga
Com o apoio da família, a influência de Isadora disparou. Em poucos dias, suas ações sociais já alcançavam o nível nacional.Enzo acreditou que ela finalmente superou o passado.Não imaginava que, na verdade, ela havia calculado cada passo com precisão, deixando Daniel sem margem de defesa.Daniel a observou por alguns instantes. As sobrancelhas se cerraram, pesadas.O ar ao redor parecia congelado.Enzo sentiu o coração subir até a garganta. Tinha medo de que Daniel, no segundo seguinte, simplesmente anunciasse que não iria mais.Forçá-lo nunca dava certo. Quando pressionado, ele reagia de forma imprevisível.Mas aquele não era apenas um grande projeto do Grupo Cardoso. Era um projeto estratégico de nível nacional. Por mais relutante que estivesse, Daniel não podia se esquivar de uma responsabilidade desse porte.Isadora sabia disso.Ela recolheu a mão que permanecera no ar e se sentou diante dele.Vestia um macacão cáqui de estilo utilitário. O cabelo preso num rabo de cavalo alto e
No lounge VIP do aeroporto, Daniel aguardava a chegada de alguém.Ele abaixou a cabeça para revisar o relatório do projeto que iria negociar. Mesmo assim, sua mente ainda voltava ao olhar de Ayla antes da despedida.— Que horas são? — Perguntou ele, deixando o celular de lado.Enzo olhou o relógio.— São nove horas.Ele entendeu o que Daniel queria saber e acrescentou:— Deve chegar a qualquer momento.Dessa vez, o Grupo Cardoso assumiu um projeto nacional de enorme relevância.A área ficava na fronteira sudoeste, numa região montanhosa remota onde dois países se encontravam. O investimento vinha de ambos os lados. O Grupo Cardoso negociou por três anos até garantir aquele projeto estratégico.Daniel viajava justamente para dar início oficial à execução.Como o projeto envolvia desenvolvimento comercial e também impacto social, os dois países indicaram um "representante de ação social" para acompanhar e registrar todo o processo de lançamento. A intenção era divulgar a cooperação entre
As orelhas de Ayla ficaram quentes. Ela o empurrou de leve.— Anda logo, Sr. Daniel.O trajeto de mais de quarenta minutos passou num piscar de olhos.No caminho, Ayla tomou a iniciativa de abraçar Daniel. Começou a não querer se separar. Era só uma semana, apenas uma semana, mas a sensação era de encarar uma despedida longa demais.Ela enterrou o rosto no pescoço dele, aspirando com avidez o aroma fresco e limpo que lhe era tão familiar.— Daniel — disse ela, com a voz abafada. — Vou sentir sua falta.— Então eu não vou mais. — Daniel apertou os braços ao redor dela, puxando-a ainda mais para perto, o queixo roçando de leve no topo de sua cabeça.Ao ouvir isso, um brilho atravessou os olhos de Ayla.Mas ela sabia que ele não estava brincando. Ele realmente poderia mandar o motorista dar meia-volta.— Não. O trabalho é importante.O compromisso que o tirava por uma semana não era algo simples. Ela não podia ser egoísta.— No pior dos casos, eu largo o cargo de presidente do Grupo Cardo
O tom de Bruno saiu suave demais. Ele ainda deu dois tapinhas no ombro da responsável pelo RH.Ela quase perdeu o equilíbrio.Por que justo ela precisava conduzir aquilo? Que azar.— Eu não quis dizer isso, Sr. Bruno... — A voz dela saiu trêmula. — Talvez tenha sido apenas um mal-entendido. O senhor já pediu desculpas, então podemos considerar encerrado...— Faça como achar melhor.Bruno a interrompeu. O sorriso que não alcançava os olhos fez o couro cabeludo dela arrepiar....À noite, Ayla terminou mais cedo o expediente no Grupo Fonseca para acompanhar Daniel ao aeroporto.Ele viajaria por uma semana.Tinha jato particular, tudo organizado. Não queria que ela se incomodasse indo até lá. Mesmo assim, Ayla insistiu.Uma semana sem vê-lo era tempo demais. Queria aproveitar cada minuto.Mas, curiosamente, a presença dela tornou a partida mais difícil para Daniel.Os dois jantaram algo leve no restaurante do aeroporto. Ayla controlava o horário e, quando percebeu que estava próximo, avis
Ao ouvir aquilo, os olhos de Rebeca arderam. Ela realmente se assustou. Olhou para Ayla.Bruno percebeu. E a irritação só aumentou.Não era ela que teve coragem de enfrentá-lo? Agora fazia aquela expressão frágil, como se fosse vítima?— Rebeca, se você tem tanta convicção, siga pela via judicial. — A voz dele saiu baixa e cortante. — E trate de trabalhar direito. Ayla pode te proteger por um tempo, mas não pela vida inteira.Era uma ameaça direta.O tom frio entre os dentes parecia capaz de esmagar os ossos dela.Rebeca sentiu o corpo enrijecer.Ayla, por outro lado, perdeu a paciência.— Bruno, você esqueceu o que eu disse na sala de reunião?— Ayla, você já não exagerou?Ele sabia que não era o momento de insistir demais. Ayla tinha material comprometedor envolvendo seus atos para Carolina.Se ela levasse adiante, ele sairia ferido.Mas nunca, em todos esses anos, alguém o pressionou assim, muito menos uma subordinada que ousou denunciá-lo.— Peça desculpas.As duas palavras saíram







