LOGIN— O que foi?Daniel baixou os olhos para Ayla e, num piscar, abandonou a frieza calculista. Seus dedos longos voltaram a percorrer o rosto dela com uma ternura quase indulgente.— Os juros que você cobra quando as luzes se apagam, eu até pago com prazer... Mas vai mesmo acertar as contas com o Nuno?— Claro. Negócios são negócios, até entre irmãos.Daniel não demonstrou o menor constrangimento.Ayla soltou uma risada e tentou apertar as bochechas dele. O rosto emagrecido, porém, não lhe deixou quase nada entre os dedos.— Daniel, faz quanto tempo que a gente se casou? E a sua máscara já caiu?Ele permitiu que ela continuasse brincando com seu rosto, sem perder o sorriso carinhoso.— Minha máscara?— Você valoriza mais o lucro do que os sentimentos. Já está fazendo conta até com a minha família. Daqui a pouco, vai querer acertar as contas comigo também.Ayla fez um muxoxo e virou levemente o rosto, fingindo contrariedade.— Com você? Nunca.Daniel se deixou cair sobre a cama e a puxou j
Ayla conhecia Mafalda bem demais. Sabia que, depois de se emocionar, ela acabaria transformando gratidão em culpa.— Quando você recuperar a herança da sua mãe, as patentes dos medicamentos deverão ficar vinculadas ao Grupo Fonseca. Além disso, agora que passou pela avaliação, quero ainda mais empenho no trabalho. Espero que você e sua equipe desenvolvam medicamentos melhores, reduzam os custos de produção e aumentem a eficiência. Preciso que me ajudem a alcançar a próxima meta do Grupo Fonseca o quanto antes.Ao terminar, Ayla ergueu a mão e acariciou os cabelos de Mafalda. O carinho em seus olhos era o de uma irmã mais velha que cuidava da caçula sem jamais cobrar reconhecimento.Mafalda permaneceu em silêncio por um instante. Então assentiu com firmeza.— Se a Srta. Ayla decidiu apostar em mim, vou fazer esse investimento render.Depois de agradecerem a Ayla, os dois não viam a hora de voltar para casa.Felipe já mandou limpar e redecorar o lar do casal. Nuno não sabia de nada e, as
Ao ver a bengala atingir Nuno, Mafalda se apressou em erguer as mãos. Temia que pai e filho começassem outra discussão por causa dela.— Não precisa, de verdade. Eu não quero presente nenhum. Para mim, basta que o senhor aceite... pai.A última palavra saiu mais baixa.Constrangida, Mafalda abaixou o rosto.Felipe não suportava ver o filho perder toda a compostura por amor. Mas agora que aceitou Mafalda como nora, até a voz dela lhe pareceu mais agradável.Ele limpou discretamente a garganta e lançou um olhar para Ayla.Ela entendeu de imediato. Assumiu o papel de assistente particular do tio, abriu uma das gavetas e retirou o cartão black que Felipe deixou reservado ali. Em seguida, o colocou nas mãos de Mafalda.Mafalda se assustou.— Isto...— É o presente do tio para lhe dar as boas-vindas à família. — Ayla sorriu com doçura e desviou os olhos de Mafalda para Nuno. — E também o presente por esse “pai” que você acabou de dizer.Nuno não escondeu a surpresa. Aquele acerto ficou apena
Quando o fim da vida pareceu bater à sua porta, Felipe começou a se perguntar se não exigiu demais de Nuno. Até os argumentos de Ayla, antes rejeitados sem hesitação, ganharam outro peso.Ainda assim, ceder não era simples.Felipe pronunciou palavras duras demais e tomou decisões que já não podiam ser desfeitas. Depois de levar o conflito tão longe, qualquer tentativa de reconciliação lhe custaria mais do que estava disposto a admitir.Ayla sabia disso. Por essa razão, guardou sua cartada mais decisiva para o momento certo.O negócio de comércio exterior, maior orgulho de Felipe, enfrentava um impasse. Apesar da tradição do nome, a empresa se limitava a cobrir os próprios custos ano após ano. O prestígio construído ao longo de décadas continuava de pé, mas o esplendor de outros tempos já não existia.O Grupo Cardoso entrou nesse mercado muito depois, porém avançava com rapidez. Uma das novas áreas do conglomerado atuava justamente no mesmo setor. A isso se somava a rede de contatos que
— E os caldos de ervas que chegam aqui todos os dias, cada um com ingredientes diferentes... também foi você que preparou?A voz de Felipe não mudou de tom. Ainda assim, a pergunta pesou sobre Mafalda.Dessa vez, ela não precisava sustentar a história dos presentes.Nuno passava as noites ali, acompanhando o pai. Mafalda pouco podia fazer por Felipe, mas se lembrou de algumas receitas de caldos para recuperar as forças que sua mãe lhe deixou na infância. Procurou as anotações e experimentou prepará-los algumas vezes.Depois, passou a mandar um todos os dias para Nuno, na esperança de ajudá-lo a cuidar do pai.Não imaginava que Felipe soubesse.— Fui eu...Mafalda assentiu. Logo se apressou em acrescentar:— Mas, por favor, não fique bravo. Não quero incomodar o senhor. Eu e Nuno quase nem temos nos falado ultimamente...Ayla e Nuno trocaram um olhar. Nenhum dos dois interferiu.Felipe continuou a observá-la com frieza, sem demonstrar um pingo da indulgência que se esperava de um homem
— Fale mais baixo...Mafalda tornou a franzir a testa. Por mais que contivesse a voz, não conseguia disfarçar a aflição.Nuno esboçou um sorriso, ergueu o rosto dela e calou o próximo protesto com um beijo.Mafalda piscou, surpresa, e se agarrou aos braços dele. Não ousou fazer barulho. Só um gemido escapou, abafado entre os lábios dos dois, e pareceu aquecer aquele canto estreito.Nuno, porém, já não se contentava com um beijo breve. Cada vez mais ousado, beijava como se enfim pudesse soltar o desejo que mantinha sob controle.Sem conseguir conter seus avanços, Mafalda lhe deu um beliscão na cintura.Ele franziu a testa. Ela não poupou força, e o corpo inteiro de Nuno estremeceu.— Nuno... pare...Mafalda aproveitou aquele instante de hesitação para o afastar.— Mafalda, isso doeu. — Nuno engoliu em seco, a voz grave.As últimas palavras mal saíram, e ela já segurava sua gravata, puxando o rosto dele para perto da própria boca.— Pare com isso. Se seu pai ouvir, todo o nosso esforço v







