LOGINDante ainda tentou alcançar Ayla, mas os funcionários se colocaram imediatamente em seu caminho.Depois que ele deixou o Solar Maré-Céu, o mordomo entregou a Daniel um delicado estojo revestido de veludo.A visita arruinou o resto da manhã de Ayla.Ela passou algum tempo praticando ioga na academia e, em seguida, se recolheu sozinha para um banho demorado. Daniel tentou acompanhá-la, mas ela o deixou do lado de fora.Somente à tarde, quando Enzo trouxe algumas opções de lembranças para os convidados do casamento, Ayla pareceu recuperar um pouco do ânimo. Ela saiu do quarto e se sentou com Daniel para avaliar as peças.— Podemos ficar com estas. Acho que já são suficientes.Bastou a aprovação de Ayla para Daniel concordar.Com a tarefa concluída, Enzo se preparou para sair o mais depressa possível. Os patrões viviam sua fase de lua de mel, e ele não pretendia segurar vela nem por quinze minutos.A voz de Ayla, porém, o deteve:— Mais uma coisa. Tire Dante da lista de convidados.— O Sr.
Ao perceber que a expressão de Daniel também se fechou, Dante enfim entendeu como suas palavras soaram.— Soube da gravidez e também que o Sr. Daniel ainda está se recuperando. Eu... fiquei preocupado com vocês dois.A impaciência já transparecia na voz de Ayla.— Eu estou ótima, e o estado de Daniel permanece estável. O Sr. Dante não precisa se preocupar conosco.Daniel ergueu a xícara de chá, mas não chegou a levá-la aos lábios. Tornou a pousá-la sobre o pires com absoluta calma.— Pelo que me lembro, o Grupo Vórtex ainda não apresentou uma explicação pública sobre as medidas adotadas contra sua ex-funcionária, Bianca.Seu tom permaneceu impecavelmente cortês.— Não me parece que o Sr. Dante tenha tempo sobrando para cuidar da família dos outros.O rosto de Dante perdeu a cor.Ele sabia que, se procurasse Ayla, seria impossível evitar o assunto de Bianca. Por isso, já trouxe uma resposta preparada.— Não haverá mais qualquer vínculo entre Bianca e eu.Ayla inclinou levemente a cabeça
— O que foi?Daniel baixou os olhos para Ayla e, num piscar, abandonou a frieza calculista. Seus dedos longos voltaram a percorrer o rosto dela com uma ternura quase indulgente.— Os juros que você cobra quando as luzes se apagam, eu até pago com prazer... Mas vai mesmo acertar as contas com o Nuno?— Claro. Negócios são negócios, até entre irmãos.Daniel não demonstrou o menor constrangimento.Ayla soltou uma risada e tentou apertar as bochechas dele. O rosto emagrecido, porém, não lhe deixou quase nada entre os dedos.— Daniel, faz quanto tempo que a gente se casou? E a sua máscara já caiu?Ele permitiu que ela continuasse brincando com seu rosto, sem perder o sorriso carinhoso.— Minha máscara?— Você valoriza mais o lucro do que os sentimentos. Já está fazendo conta até com a minha família. Daqui a pouco, vai querer acertar as contas comigo também.Ayla fez um muxoxo e virou levemente o rosto, fingindo contrariedade.— Com você? Nunca.Daniel se deixou cair sobre a cama e a puxou j
Ayla conhecia Mafalda bem demais. Sabia que, depois de se emocionar, ela acabaria transformando gratidão em culpa.— Quando você recuperar a herança da sua mãe, as patentes dos medicamentos deverão ficar vinculadas ao Grupo Fonseca. Além disso, agora que passou pela avaliação, quero ainda mais empenho no trabalho. Espero que você e sua equipe desenvolvam medicamentos melhores, reduzam os custos de produção e aumentem a eficiência. Preciso que me ajudem a alcançar a próxima meta do Grupo Fonseca o quanto antes.Ao terminar, Ayla ergueu a mão e acariciou os cabelos de Mafalda. O carinho em seus olhos era o de uma irmã mais velha que cuidava da caçula sem jamais cobrar reconhecimento.Mafalda permaneceu em silêncio por um instante. Então assentiu com firmeza.— Se a Srta. Ayla decidiu apostar em mim, vou fazer esse investimento render.Depois de agradecerem a Ayla, os dois não viam a hora de voltar para casa.Felipe já mandou limpar e redecorar o lar do casal. Nuno não sabia de nada e, as
Ao ver a bengala atingir Nuno, Mafalda se apressou em erguer as mãos. Temia que pai e filho começassem outra discussão por causa dela.— Não precisa, de verdade. Eu não quero presente nenhum. Para mim, basta que o senhor aceite... pai.A última palavra saiu mais baixa.Constrangida, Mafalda abaixou o rosto.Felipe não suportava ver o filho perder toda a compostura por amor. Mas agora que aceitou Mafalda como nora, até a voz dela lhe pareceu mais agradável.Ele limpou discretamente a garganta e lançou um olhar para Ayla.Ela entendeu de imediato. Assumiu o papel de assistente particular do tio, abriu uma das gavetas e retirou o cartão black que Felipe deixou reservado ali. Em seguida, o colocou nas mãos de Mafalda.Mafalda se assustou.— Isto...— É o presente do tio para lhe dar as boas-vindas à família. — Ayla sorriu com doçura e desviou os olhos de Mafalda para Nuno. — E também o presente por esse “pai” que você acabou de dizer.Nuno não escondeu a surpresa. Aquele acerto ficou apena
Quando o fim da vida pareceu bater à sua porta, Felipe começou a se perguntar se não exigiu demais de Nuno. Até os argumentos de Ayla, antes rejeitados sem hesitação, ganharam outro peso.Ainda assim, ceder não era simples.Felipe pronunciou palavras duras demais e tomou decisões que já não podiam ser desfeitas. Depois de levar o conflito tão longe, qualquer tentativa de reconciliação lhe custaria mais do que estava disposto a admitir.Ayla sabia disso. Por essa razão, guardou sua cartada mais decisiva para o momento certo.O negócio de comércio exterior, maior orgulho de Felipe, enfrentava um impasse. Apesar da tradição do nome, a empresa se limitava a cobrir os próprios custos ano após ano. O prestígio construído ao longo de décadas continuava de pé, mas o esplendor de outros tempos já não existia.O Grupo Cardoso entrou nesse mercado muito depois, porém avançava com rapidez. Uma das novas áreas do conglomerado atuava justamente no mesmo setor. A isso se somava a rede de contatos que







