MasukAo se lembrar do desprezo com que Rebeca o tratava, o olhar de Bruno se tornou gélido.Até a simpatia que vinha mostrando a Vinícius se apagou. Como o garoto não dava sinais de que fosse embora tão cedo, ele tornou a falar, dessa vez num tom gelado:— Mas me diz uma coisa... sua irmã sabe que você veio me procurar?— Ela...A hesitação de Vinícius já dizia tudo.Fazia tempo que ele queria encontrar uma oportunidade para agradecer Bruno de verdade. Chegou a comentar isso com Rebeca algumas vezes ao telefone.Mas, em todas, ela cortava o assunto antes que ele avançasse.Ela insistia que Bruno pertencia a um mundo completamente diferente do deles e dizia para Vinícius cuidar da própria vida, que não precisava ficar se preocupando com aqueles "pequenos favores".Só que Vinícius não via assim.Mesmo que, para Bruno, ajudá-los não tivesse passado de um gesto simples, isso não transformava o que ele fez em algo pequeno.A mãe sempre ensinou que bondade se retribui com o dobro.E, além de tudo
Enquanto a paisagem deslizava para trás do lado de fora da janela, Dante segurou a mão de Bianca num gesto silencioso de consolo.Os dedos dela estavam gelados, e o abatimento em seu rosto denunciava o tamanho da humilhação que acabara de suportar.— Agora acabou de vez?Bianca assentiu.E, dessa vez, as lágrimas já não puderam ser contidas.Gustavo a marcou fundo demais. Mesmo sabendo que não existia mais volta, mesmo entendendo que os dois jamais retomariam o que um dia tiveram, o coração dela ainda se recusava a aceitar.— Sofrer por um homem desses não vale a pena. Pelo menos agora você enxergou quem ele realmente é, e isso já é alguma coisa.Dante suspirou e, com cuidado, passou o lenço em seu rosto, enxugando-lhe as lágrimas.Bianca não respondeu. Apenas encostou a cabeça no ombro dele.Naquele momento, só Dante ainda conseguia lhe dar algum alívio.Só ele parecia capaz de ajudá-la a recomeçar.E Bianca sabia muito bem que não podia desperdiçar essa chance.Engoliu a dor à força.
— ...Gustavo, afinal, o que foi que eu fiz contra você?Bianca olhava para ele e sentia cada vez mais que estava diante de um estranho.Ou pior. De alguém assustador.Tudo o que os dois viveram, todos os momentos de intimidade, todas as promessas que um dia pareceram tão reais, de repente se tornaram uma piada cruel.— Você sabe muito bem. Não se faça de desentendida.Gustavo olhava para Bianca sem deixar um único vestígio de afeto aparecer.Se ainda estava ali, falando com ela, não era por apego. Era porque queria assistir de perto à dor estampada no rosto dela.Bianca destruiu a vida dele. Então, se ele descesse ao inferno, ela desceria junto.— Eu menti para você, sim. Mas o que eu sentia era real. Eu tive um filho seu. Fiz por você tudo o que estava ao meu alcance. Gustavo... depois de tudo isso, você ainda consegue me tratar assim? Você ainda tem coração?A voz de Bianca foi perdendo o desespero e ficando estranhamente calma.Enquanto esteve sendo vigiada, a única coisa em que con
— Sua vadia!As palavras de Bianca atingiram Manuel em cheio. Num impulso, ele ergueu a mão, pronto para acertar nela um tapa com toda a força.Só que o golpe não chegou a cair. Alguém segurou seu pulso por trás.Manuel tentou se soltar, sem conseguir. Quando virou o rosto, viu quem era.Gustavo.Ele vestia uma camiseta preta larga, que só deixava mais evidente o quanto tinha emagrecido em pouco tempo. O corpo parecia mais seco, mais ossudo. O cansaço no rosto também era visível, e havia algo diferente nele.O cabelo agora caía até a nuca.A expressão era opaca.Ele parecia cada vez mais isolado do mundo, tomado por uma sombra pesada.— Ah, não. Fala sério. A família Siqueira já foi arrastada para o fundo do poço por causa dessa peste, e você ainda vai bancar o cavalheiro?Manuel rangeu os dentes, tentando puxar o braço de volta à força.Gustavo apenas lançou um olhar frio na direção dele e, sem mudar a expressão, torceu-lhe o pulso com brutalidade.A dor explodiu no braço de Manuel co
— Bianca, não faz isso... levanta.Dante segurou o braço dela com força e tentou erguê-la. Só que, como os dois acabaram usando força ao mesmo tempo, o impulso os traiu, e Dante foi empurrado para trás, caindo no sofá com Bianca por cima.De repente, não havia mais espaço entre os dois.A distância se reduziu a quase nada.As respirações se misturaram. Os lábios de Bianca tremiam, e, no fundo dos seus olhos aflitos, refletia-se o mesmo espanto estampado no rosto de Dante.— Me desculpa...Bianca murmurou isso com o rosto em brasa e tentou se levantar na mesma hora.Mas a mão de Dante já tinha pousado em sua cintura.Antes que ela conseguisse escapar, ele a envolveu nos braços e, com a voz baixa, macia até os ossos, disse:— Se você quiser recomeçar, eu posso ficar ao seu lado.Aninhada contra o peito de Dante, Bianca percebeu o coração dele bater mais rápido sob seu rosto. E seu olhar foi escurecendo devagar.Dante era um bom homem.Muito melhor do que Gustavo.Se a vida pudesse voltar
Foi então que Dante se lembrou do que Alisa, a amiga de Bianca, disse outro dia.E, de repente, tudo fez sentido. Era por isso que Bianca sofria tanto por causa de um casamento fracassado.Era por isso que não conseguia soltar.Porque ela já tinha colocado tudo naquela aposta.— Me desculpe, Sr. Dante. Eu realmente menti para o senhor. Quis recomeçar em San Elívar... por causa do meu marido...Bianca cerrou os dentes e, dessa vez, não escondeu mais nada.— Eu sei que o que eu fiz é vergonhoso. Mas eu só queria ficar com a pessoa que amo. Queria dar ao nosso filho uma família inteira.A voz dela começou a falhar.— Eu entreguei tudo. E por isso eu... eu realmente não consigo aceitar.Os olhos de Bianca ficaram vermelhos.A humilhação, a dor, tudo se misturou de uma vez. Ela levou a mão ao rosto e finalmente desabou, chorando sem conseguir se conter.E Gustavo, o homem que praticamente arruinou sua vida inteira. No fim, ainda escolheu Ayla.— Esse seu "não consigo aceitar" é um buraco se