MasukSandro hesitou por um segundo. Em seguida, pegou o celular e fez as duas ligações.Depois de passar os endereços, amarrou Yuri e os outros homens antes que algum deles recobrasse a consciência.— Você consegue aguentar?Bruno não respondeu. Afastou o corpo do muro e avançou alguns passos difíceis.— A Rebeca... não parece estar em estado grave, certo?Sandro assentiu. Assim que chegou, verificou a respiração e o pulso dela. Rebeca apenas perdeu a consciência, e todos os sinais permaneciam estáveis.— Vai com ela ao hospital. Eu vou na frente.Bruno mal conseguia manter o corpo ereto, mas já procurava no celular um carro que o levasse ao pronto-socorro mais próximo.Sandro se aproximou e sustentou parte de seu peso.— Não vamos todos juntos?— Estou morrendo de dor. Não tenho tempo para ficar esperando.A resposta saiu ríspida, como quase tudo o que vinha de Bruno. Sandro, porém, já percebeu que o coração dele era muito mais generoso do que sua boca permitia admitir.Na esquina, consegu
A força de Rebeca começou a desaparecer depressa demais.A rua se inclinou diante de seus olhos. As luzes se alongaram, os sons perderam nitidez, e seus dedos já não conseguiam obedecer. Quando os joelhos cederam, ela finalmente entendeu.Havia alguma droga naquela toalha.— Não adianta lutar. Seja uma boa menina e durma.Yuri soltou um riso de desprezo.Aproximou o rosto do dela e, com uma calma repulsiva, apagou o cigarro contra o muro. A brasa morreu a poucos centímetros de sua pele.Foi a última imagem que Rebeca conseguiu distinguir.Então um impacto surdo rompeu a escuridão.Yuri gritou e caiu no chão.Quando se virou, viu um homem atrás dele, ainda com um tijolo erguido na mão. Yuri tocou a cabeça e encontrou os próprios dedos cobertos de sangue.— Você... de novo!Reconheceu Bruno na mesma hora.Era o mesmo desgraçado que ajudou a mandá-lo para a cadeia.Nos últimos dias, Yuri pagou homens para vigiar a rotina da filha. Confirmou seus horários, o trajeto e, principalmente, que
— Pode deixar comigo. Eu levo.Rebeca estranhou.Bruno sempre encontrou algum pretexto para lhe dar ordens, e ela já se acostumou a ser convocada até para as menores coisas. Ainda assim, não questionou. Apenas entregou os documentos ao assistente.Pouco depois, as folhas voltaram à sua mesa.A assinatura de Bruno atravessava o papel num traço firme, rápido e sem hesitação. A caligrafia era bonita, para irritação de Rebeca. Até nisso o homem precisava se sair bem.— E o Sr. Bruno? Está se sentindo melhor? Não é nada sério, certo?O assistente balançou a cabeça.— Ele parece bem. Está em reunião desde cedo.Se Bruno mantinha aquele ritmo de trabalho, então não devia enfrentar nenhum problema grave.Rebeca relaxou e não tocou mais no assunto.À tarde, saiu de uma reunião de projeto e encontrou Bruno vindo na direção contrária.O terno escuro acompanhava seus passos sem uma dobra fora do lugar, e o nó da gravata permanecia impecável. O rosto, porém, traía todo aquele controle. A pele estav
Daniel, recém-saído do banho, era uma paisagem que merecia toda a atenção de Ayla. Pena que, naquele momento, ela ainda precisava falar com Rebeca sobre outra coisa.Ayla também precisava conversar com Rebeca sobre outra coisa.Bruno entrou em contato no dia anterior.Naquele momento, porém, ela acompanhava Daniel ao hospital. Além disso, o assunto que Bruno trouxe ainda podia não dar em nada. Ayla preferiu esperar a entregar a Rebeca uma esperança que talvez se desfizesse logo depois.Agora, quando se lembrou e se preparava para tocar no assunto, Daniel a interrompeu.— Com quem você está falando?— Com a Rebeca. Ela disse que você fotografa muito bem.Um sorriso discreto apareceu nos lábios dele.Daniel se aproximou por trás, envolveu a cintura de Ayla e deixou um beijo em sua face. A pele dele ainda guardava o calor do banho.Ela se recostou naquele corpo úmido e deixou o celular sobre a mesa de centro.— A Rebeca também contou outra coisa. Uma médica chamada Lívia, que fez parte da
— O Sr. Bruno pediu o dia de folga? Está passando mal?A pergunta escapou antes que Rebeca decidisse se devia fazê-la.O assistente, porém, apenas balançou a cabeça. Também não sabia de nada.Sem Bruno para autorizar as etapas seguintes, alguns processos precisaram ficar suspensos.De volta à sua mesa, Rebeca abriu a conversa com ele. Escreveu uma mensagem perguntando se estava bem, releu duas vezes e apagou tudo antes de enviar.Por mais que começassem a se tratar como amigos, entre os dois ainda existia uma hierarquia. Bruno era seu superior. Ela trabalhava para ele.Além disso, Rebeca já traçou um limite claro, mas a noite anterior mostrou que os sentimentos dele não desapareceram.Naquela situação, o silêncio era a única delicadeza possível. Quem não pretendia corresponder não tinha o direito de alimentar esperança apenas para aliviar a própria consciência.Ao sair do trabalho, Rebeca passou em uma loja de conveniência e comprou alguns espetinhos, além de cerveja.Em noites ruins,
Rebeca atravessou a noite em intervalos curtos de sono. Quando a claridade da manhã alcançou o quarto, desistiu de tentar descansar e se levantou.Ao abrir a porta, não encontrou nenhuma surpresa.Sandro já foi embora.A manta estava dobrada sobre o sofá, as almofadas alinhadas. Nem a caixa do bolo continuava ali. Ele recolheu tudo e levou o lixo consigo.Sandro era como o vento. Chegava sem ruído, mudava todo o ar ao redor e, quando partia, não deixava nada que as mãos de Rebeca pudessem reter.Rebeca se sentou onde ele dormiu poucas horas antes. O estofado já não guardava qualquer vestígio de sua presença.Afinal, o que o sentimento queria das pessoas?Por que, mesmo quando parecia recíproco, era tão difícil chegar ao mesmo lugar?E por que justamente o homem que ela queria por perto era aquele que melhor sabia ir embora?O cansaço pesou durante toda a manhã. Pela primeira vez em muito tempo, Rebeca chegou ao Grupo Fonseca com uma hora de atraso.Mal passou pela recepção, ouviu uma v







