LOGINSiena Dal
As horas seguintes foram um borrão de pânico e café. Cada porta que eu batia se fechava na minha cara com uma finalidade brutal. Agências de modelos, antes ansiosas para trabalhar comigo, de repente não tinham 'ninguém disponível'. Fotógrafos de renome estavam com as 'agendas lotadas'. Era como se uma praga invisível tivesse varrido Milão, e o nome dela era Li Lin. Eu estava tentando nadar em areia movediça, e a cada esforço desesperado, eu apenas afundava mais.
Eu estava sentada nos bastidores do espaço do desfile – um armazém industrial chique que agora parecia uma tumba para a minha carreira – com a cabeça entre as mãos. O cheiro de poeira e metal frio parecia o cheiro do fracasso.
Sofia tentava ajudar, seus olhos cheios de uma culpa que me rasgava por dentro. – Isso é tudo culpa minha, Siena...
– Não é sua culpa,– rosnei, a voz mais áspera do que eu pretendia. – É culpa dele. E daquela... víbora.
Foi quando meu celular tocou, o nome 'Lorenzo' brilhando na tela. Atendi, esperando por mais más notícias.
– Boas e más notícias, cugina,– ele disse, sem preâmbulos. – A má notícia é que a sua modelo principal, Gigi, não vai voltar. O contrato com a Lusso é real. Li Lin a comprou.
Meu estômago despencou. Era o prego final no caixão. – Então é isso. Acabou.
– Ah, non dire sciocchezze! (Ah, não diga bobagens!)– A voz de Lorenzo era uma lufada de ar fresco em meio à fumaça. – Eu não disse que era o fim. A boa notícia é que eu conversei com a nossa 'amiga' em comum.
– Você falou com Li Lin?
– Tivemos uma troca de gentilezas,– ele disse, e eu podia ouvir o sorriso arrogante em sua voz. – Acho que chegamos a um... entendimento. Ela vai chamar os cachorros de volta. A sabotagem vai parar.
– E como isso me ajuda? Ainda estou sem uma modelo principal!– A histeria borbulhava sob a minha voz.
– É aí que entra a segunda boa notícia,– ele continuou, saboreando o momento. – Lembra da Varya? A modelo russa que foi o rosto da campanha da Bulgari? A que supostamente estava presa em Dubai?
– Sim...
– Curiosamente, a tempestade passou. O voo dela acabou de pousar em Milão. E, por uma estranha coincidência, a agente dela é uma velha amiga minha. Varya adoraria fechar a Semana de Moda com um desfile de uma marca independente e ousada. Ela está a caminho.
Fiquei muda. Varya não era uma substituta. Era um upgrade sísmico. Ter Varya no meu desfile era uma declaração de poder.
– Enzo... como?
– Digamos que eu lembrei a algumas pessoas que a família Amoretti tem uma memória longa e que nossos cafés são servidos em todos os lugares importantes desta cidade,– ele disse com simplicidade. – Agora, pare de se lamentar e vá trabalhar. Você tem uma nova modelo para ajustar e um desfile para salvar. Faça-os se arrependerem de ter te subestimado.
Desliguei, e algo dentro de mim mudou. Aquele sentimento de vítima, de estar sendo esmagada, evaporou, substituído por uma onda de pura adrenalina. Lorenzo não tinha me jogado uma boia; ele tinha me entregado um maldito iate de guerra.
As horas seguintes foram de um caos que eu amava, um caos com propósito. Varya chegou, uma deusa de quase um metro e oitenta, com um profissionalismo que silenciou qualquer dúvida remanescente. Seus olhos se iluminaram quando viram as joias. Ela entendeu. Ela entendeu a fusão da flora brasileira com a arquitetura de Ouro Preto, a paixão e a precisão em cada peça.
Enquanto eu ajustava o colar principal em seu pescoço – uma peça audaciosa de ouro, turmalinas paraíba e diamantes brutos –, senti minhas mãos firmes novamente. Senti o poder da minha própria arte. Minha vingança não seria travada com gritos e t***s. Seria forjada em ouro e pedras preciosas, exibida sob as luzes mais brilhantes de Milão. Meu sucesso seria minha arma.
Prendi meu cabelo em um coque solto, retoquei a maquiagem e coloquei meus próprios brincos, peças longas que roçavam meus ombros a cada movimento, um lembrete do meu poder. O ódio ainda estava lá, uma brasa quente no fundo do meu peito, mas agora ele não era mais veneno.
Era combustível.
O show iria continuar. E seria espetacular.
Epílogo Siena Dal Seis meses depois da nossa viagem à fazenda, a vida em Xangai havia se estabelecido em um ritmo de amor e caos. Kai e Mei eram a nossa alegria, dois pequenos tiranos que governavam a casa com sorrisos banguelas e choros exigentes. Eu estava no meu ateliê, desenhando. A maternidade havia me dado uma nova perspectiva, uma nova fonte de inspiração. Minha nova coleção, "Promessa", era inspirada nos gêmeos e na força do amor familiar. Li Wei entrou, me abraçando por trás. — O que a minha rainha está criando hoje? — ele perguntou, beijando meu pescoço. — A nossa próxima coleção, meu amor. A Promessa. É sobre a nossa família. — É linda. Assim como você. Nós havíamos encontrado o nosso equilíbrio. Li Wei estava trabalhando em projetos selecionados, priorizando a família. A Li Entertainment estava prosperando sob a liderança de Li Lin, que estava cada vez mais ocupada com "reuniões de negócios" com Lorenzo. — O Lorenzo está vindo para o batizado dos gêmeos — e
Li WeiO retorno à rotina em Xangai foi um alívio bem-vindo. A fazenda era mágica, mas a nossa casa era o nosso porto seguro. Os gêmeos estavam crescendo, e Siena estava radiante.— Eu sinto falta da minha família, meu amor — ela disse, uma manhã.— Eles estão a uma chamada de vídeo de distância — eu respondi.— Mas o Lorenzo está vindo. Ele quer conhecer os afilhados.A visita de Lorenzo Amoretti foi um evento. Ele chegou com malas cheias de presentes e um entusiasmo italiano contagiante. Ele era o oposto de mim: extrovertido, dramático e com um charme que desarmava.— Meus afilhados! — ele gritou, ao ver Kai e Mei. — Eles são a perfeição!Lorenzo se instalou em nosso quarto de hóspedes e, em pouco tempo, a casa estava cheia de risadas e do cheiro de café italiano.O que eu não esperava era a química explosiva entre Lorenzo e Li Lin. Minha irmã, a CEO fria e calculista, parecia se derreter na presença do primo de Siena.Os encontros começaram a ser frequentes. Li Lin vinha à casa par
Siena DalOs dias na fazenda eram um bálsamo para a alma. O cheiro de café fresco, a brisa suave e o som das risadas da minha família eram a trilha sonora perfeita para a nossa nova vida. Meus avós, nonna Isabela e o Vovô, estavam encantados com Li Wei. Eles o tratavam como um filho, e a forma como ele cuidava dos gêmeos só aumentava a admiração deles.— Ele é um bom homem, Siena — Nonna Isabela me disse, enquanto tomávamos café na varanda. — Ele te ama. E isso é tudo que importa.Apesar da alegria dos gêmeos, a tensão pairava no ar. A traição de Bia, a atração explosiva de Luna pelo Sheik e a convicção de Laura e Clara em não se envolverem eram os temas que precisavam ser discutidos.Uma noite, depois que os homens se recolheram, nós, as irmãs, nos reunimos na varanda, sob a luz suave da lua. O "Conselho de Guerra" estava em sessão.— Eu não sei o que é pior — Bia começou, com a voz embargada, os olhos vermelhos. — A traição dele ou o fato de ter sido com a minha melhor amiga. Eu me
O Terremoto do AnúncioA foto foi postada no Weibo exatamente às 10h00 da manhã em Xangai. Era uma imagem cuidadosamente orquestrada: Li Wei e Siena, ambos de perfil, olhando para os berços dos gêmeos. A luz suave do quarto infantil banhava a cena em um calor dourado. A legenda era simples, mas poderosa: "Nossa família. Kai Rafael Li e Mei Isabela Li. O amor sempre vence."O efeito foi imediato e estrondoso. O Weibo, a maior rede social da China, parou. O anúncio do casamento já havia sido um choque, mas a revelação de que Li Wei era pai de gêmeos, e que a esposa era a mulher misteriosa do casamento, foi um terremoto.Em minutos, a notícia estava em todos os sites de notícias da China. Os trending topics foram dominados por #LiWeiPaiDeGêmeos e #FamíliaLi.Li Lin, em seu escritório, monitorava a situação com um sorriso de satisfação. A estratégia havia funcionado. A foto de perfil protegia a identidade completa dos bebês e de Siena, mas a ternura da cena era inegável.— A reação é esma
Li WeiA alta dos gêmeos foi o segundo dia mais feliz da minha vida, perdendo apenas para o dia em que Siena disse "sim". Deixar o hospital, com Kai Rafael e Mei Isabela seguros em seus berços portáteis, foi como sair de uma prisão de ansiedade.Nossa casa de luxo em Xangai nunca pareceu tão acolhedora. Os pais de Siena, a Dra. Amoretti e o Dr. Dal, se despediram com a promessa de retornar em breve. Meus pais e avós voltaram para sua própria residência, deixando-nos, finalmente, a sós.— Nós conseguimos, meu amor — eu disse a Siena, enquanto a ajudava a se deitar.— Nós conseguimos, Wei — ela respondeu, com um sorriso exausto.A rotina dos primeiros dias foi um turbilhão de mamadas, trocas de fraldas e cochilos curtos. Eu estava maravilhado com a minha esposa. A cesariana a havia enfraquecido, mas a maternidade a havia transformado em uma força da natureza. Eu a amava mais a cada dia.---Um mês se passou. A rotina se estabeleceu. Os gêmeos estavam ganhando peso e dormindo por períodos
Siena DalA dor da cesariana era um incômodo distante, ofuscada pela maravilha que me cercava. Eu estava no meu quarto VIP, mas minha mente e meu coração estavam na UTI Neonatal, onde meus dois pequenos milagres lutavam para ganhar peso.O Dr. Chen e o Dr. Dal haviam liberado a amamentação, um passo crucial para o desenvolvimento dos gêmeos. Era um ritual que me dava força. A cada três horas, eu era levada à UTI, e o mundo se resumia àquele pequeno espaço, ao som dos monitores e ao calor dos meus filhos.— Você está pronta, meu amor? — Li Wei perguntou, me ajudando a sentar na poltrona ao lado da incubadora de Mei.— Pronta — eu respondi.Com a ajuda da enfermeira, peguei Mei Isabela no colo. Ela era tão pequena, tão frágil, mas quando seus lábios encontraram o meu seio, um instinto primordial me invadiu. Era o primeiro abraço de verdade, o primeiro laço inquebrável.Li Wei estava ao meu lado, os olhos marejados. Ele era o ídolo de milhões, o ator de sucesso, mas naquele momento, era







