Home / Romance / Amores Amoretti - "O Perfume da Tempestade" (vol- ll) / Capítulo 1 - O Perfume da Contradição

Share

Amores Amoretti - "O Perfume da Tempestade" (vol- ll)
Amores Amoretti - "O Perfume da Tempestade" (vol- ll)
Author: San Lake

Capítulo 1 - O Perfume da Contradição

Author: San Lake
last update publish date: 2025-12-02 06:15:39

Luna Dal

 

O cheiro dele era uma invasão. Não era o perfume que eu havia criado para ele, mas a essência pura de Rashid Al-Jamil: oud, especiarias raras e o calor seco do deserto. Uma combinação que me lembrava o beijo roubado na fazenda e a promessa perigosa que ele representava.

Eu estava no meu laboratório em Paris, e a presença dele era um erro de cálculo que eu não podia me permitir.

— Sheik Rashid Al-Jamil — cumprimentei, mantendo a voz polida e profissional. — Pensei que tivéssemos acordado que qualquer comunicação seria feita através dos nossos assistentes.

Ele estava parado na porta de vidro, imponente em um terno cinza-chumbo que gritava poder. Ele não sorriu, mas seus olhos cor de avelã brilhavam com uma intensidade que me desarmava.

— E eu pensei que tivéssemos acordado que a atração entre nós não seria ignorada, Luna. Mas vejo que você prefere a negação.

— Eu prefiro o profissionalismo, Sheik. Eu sou uma perfumista, não uma aventura. Eu vim para Paris para trabalhar, e o único motivo pelo qual eu consideraria ir a Dubai é para desenvolver a fragrância exclusiva para o seu novo hotel.

Ele deu um passo para dentro, e o ar do laboratório, saturado com a leveza do meu último experimento floral, pareceu se tornar denso.

— A proposta que tenho para você não pode ser discutida por intermediários. Eu quero a sua arte, Luna. A sua essência.

— E eu quero o contrato. Um contrato que garanta minha total independência criativa e que deixe claro que não haverá nenhum tipo de envolvimento, nem físico, nem emocional. Apenas negócios.

Ele se aproximou da minha bancada, pegando um frasco de vidro com um líquido âmbar.

— O que é isso?

— É a essência da minha próxima coleção. A essência da contradição.

— E o que ela cheira?

— A medo e desejo. A poder e vulnerabilidade. A tudo o que você me faz sentir.

Ele colocou o frasco de volta, e seus olhos encontraram os meus.

— Eu estou construindo o hotel mais luxuoso de Dubai. Quero que você crie a fragrância exclusiva, a assinatura olfativa que definirá o meu império. E quero que você venha para Dubai para fazê-lo.

A proposta era irrecusável. Era o ápice da minha carreira. Mas era também uma armadilha.

— E o que você ganha com isso, Sheik?

— Eu ganho a melhor perfumista do mundo. E a oportunidade de provar que você está errada sobre a sua regra de apenas negócios.

— Eu não estou errada. Eu sou a única que impõe as regras aqui. Eu vou para Dubai. Mas o contrato será claro: total independência criativa, e o que acontecer entre nós será apenas profissional.

Ele estendeu a mão, e eu a apertei. O toque dele era eletricidade pura, e eu soube que havia acabado de assinar um pacto com o diabo.

— Aceito seus termos, Luna. Mas saiba que eu sou um homem que gosta de quebrar regras. Especialmente as que você impõe.

Ele me puxou para si, e o beijo que se seguiu foi uma explosão. Não era um beijo de carinho, mas de posse, de domínio. A boca dele era quente e exigente, e eu me perdi na força de seus braços. Ele me beijava com a fúria de um homem que esperou tempo demais, e eu respondi com a mesma intensidade.

Ele me soltou, e eu cambaleei, ofegante. Ele me olhou com um sorriso predador.

— Eu vou esperar por você em Dubai. E quando você chegar, a tempestade vai começar.

Ele se virou e saiu, deixando para trás apenas o rastro do seu perfume perigoso e a certeza de que eu estava prestes a cometer o maior erro da minha vida. Mas, pela primeira vez em anos, o medo não era a única coisa que eu sentia. Havia também uma faísca de desejo, uma promessa de que a dor poderia ser substituída por algo extremamente hot e avassalador.

Eu olhei para o frasco de vidro. A essência da contradição. Era o meu perfume. E o dele.

— Que comece a tempestade — sussurrei, sentindo o calor subir pelo meu corpo. O Sheik não sabia, mas eu era a única que podia domar a tempestade. E eu faria isso no meu tempo.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Amores Amoretti - "O Perfume da Tempestade" (vol- ll)   Capítulo 14 - O Gelo e o Fogo

    Luna Dal I. A Amostra 02: O Desejo Reprimido O laboratório era o meu único santuário, o único lugar onde eu podia ser honesta comigo mesma. A Amostra 001 havia sido um desafio, uma provocação. A Amostra 002 era uma confissão. Eu a chamei, em minha mente, de Confusão. Eu estava ali, debruçada sobre a bancada de mármore, misturando as últimas gotas. Esta fragrância não era para o resort; era para mim. Era a representação líquida do meu estado de espírito após o confronto com Rashid no dia anterior. Eu havia começado com notas de topo de menta e aldeídos, frias, quase metálicas, que remetiam à distância que eu tentava manter e ao luto que me congelava. Era o cheiro da neve caindo sobre um túmulo, a pureza fria da minha lealdade a Lucca. O coração era de tuberosa e jasmim, flores brancas, clássicas, que simbolizavam a inocência e a feminilidade que eu havia trancado. Mas eu as havia saturado com uma sensualidade subjacente, um cheiro de pele quente que era impossível de ignorar. E o

  • Amores Amoretti - "O Perfume da Tempestade" (vol- ll)   Capítulo 13 - O Fogo no Laboratório

    I. A Missão Matinal de Omar e Chloé Omar O sol da manhã em Dubai era um luxo, mas eu me sentia deslocado. Sentado em uma cafeteria de design minimalista, a poucos quilômetros do palácio, eu observava Chloé. Ela era um furacão de cores e risadas, vestida em um macacão amarelo vibrante que parecia desafiar a sobriedade do meu dishdasha cinza. — Você é muito sério, Omar — ela disse, dando um gole em seu café au lait. — É como se você tivesse engolido um manual de etiqueta real. — É meu trabalho, Srta. Chloé. A seriedade é um requisito para a função — respondi, mantendo minha voz em um tom neutro, embora o calor de seu olhar estivesse me desestabilizando. — Pff. Trabalho. Eu trabalho, mas eu vivo. Você vive, Omar? Ou você apenas existe na sombra do Sheik? — A pergunta era direta, quase rude, mas dita com um sorriso tão franco que era impossível se ofender. Eu hesitei. Ninguém jamais havia me perguntado isso. Minha vida era Rashid. Minha lealdade era absoluta. — Eu sou o guardiã

  • Amores Amoretti - "O Perfume da Tempestade" (vol- ll)   Capítulo 12 - O Laboratório e a Saudade

    Luna Dal O laboratório improvisado que Rashid havia montado para mim no palácio era um paradoxo. Era pequeno, mas luxuoso, com bancadas de mármore branco e equipamentos de última geração importados da França. Era um espaço de trabalho, mas estava inserido em um mundo de opulência que me parecia irreal. Eu me sentia uma intrusa, uma peça de xadrez em um jogo que eu mal compreendia. O cheiro de Dubai, uma mistura de especiarias, incenso e areia quente, era um desafio para a minha arte. Eu precisava capturar a essência do novo resort de Rashid, um lugar que prometia ser um oásis de luxo e mistério. Eu precisava de uma fragrância que fosse ao mesmo tempo exótica e familiar, que evocasse a riqueza do Oriente Médio sem ser clichê. Eu estava ali, no meu refúgio de aromas, tentando me concentrar nas notas de topo, coração e fundo, mas minha mente insistia em me trair. A imagem de Rashid, o beijo roubado, a assinatura do contrato que selava meu destino em Dubai por tempo indeterminado. Eu

  • Amores Amoretti - "O Perfume da Tempestade" (vol- ll)   Capítulo 11 - O Beijo e o Contrato

    Luna Amoretti DalO ar ainda crepitava com a eletricidade do beijo. Meus lábios ardiam, e o gosto de hortelã e poder do Sheik Rashid Al-Jamil ainda estava em minha boca. Ele havia me beijado com a ferocidade de um predador, e eu, a presa, havia cambaleado, mas não caído. Eu o empurrei, a força da minha repulsa superando a atração magnética. — Isso não está no contrato, Sheik — minha voz saiu mais firme do que eu esperava, apesar do tremor em minhas mãos. Ele sorriu, um sorriso lento e perigoso que prometia quebrar todas as minhas regras. — O contrato é um pedaço de papel, Luna. A atração entre nós é uma força da natureza. — A força da natureza não paga minhas contas. E eu não sou um brinquedo para o seu tédio. Eu me recompus, ajeitei meu vestido verde esmeralda e voltei para a mesa, abrindo minha pasta com as mãos firmes. Eu precisava de controle. — Vamos voltar aos negócios, Sheik. Eu tenho uma agenda apertada. Ele me observou, os olhos escuros fixos em mim, e eu senti

  • Amores Amoretti - "O Perfume da Tempestade" (vol- ll)   Capítulo 10 - O Cerco se Fecha

    Sheik Rashid Al-JamilO bilhete de Luna era uma afronta. Curto, direto, profissional. Nenhuma menção à noite anterior, nenhuma desculpa pela bebedeira, nenhuma palavra sobre Lucca. Apenas a confirmação de que ela estaria pronta para a reunião de negócios às dez.Eu estava no meu *hammam* privado, a água quente e o vapor tentando acalmar a febre que ela havia acendido em mim. Não funcionava. A imagem dela, vulnerável em meus braços, chamando por outro homem, me consumia.Eu a queria. Não apenas o corpo, mas a alma indomável que ela escondia sob a armadura de perfumista. Eu a queria rendida, implorando por mim.Eu saí do *hammam*, o corpo nu e forte, e me dirigi ao meu *closet*. Eu precisava de algo que a lembrasse de quem eu era. Eu escolhi um *dishdasha* branco, impecável, e um *ghutra* vermelho e branco. O uniforme do poder.O *tablet* vibrou. Era minha mãe. Meu estômago se revirou.— Mãe — eu disse, a voz seca, sem a formalidade que ela exigia.— Rashid. Você está me ignorando. O co

  • Amores Amoretti - "O Perfume da Tempestade" (vol- ll)   Capítulo 9 - O Gosto Amargo da Memória

    Luna Amoretti Dal A dor latejava em minha cabeça, um martelo implacável que ecoava a loucura da noite anterior. Abri os olhos, e a primeira coisa que vi foi o teto abobadado e dourado da suíte presidencial. Não o meu quarto no hotel, mas a gaiola de ouro onde o Sheik Rashid Al-Jamil havia me aprisionado. Sentei-me na cama, o lençol de seda escorregando do meu corpo. Eu estava vestida com uma camisa de seda masculina, macia e cheirando a sândalo e poder. O cheiro dele. A ressaca era brutal, mas a confusão era pior. As lembranças da noite anterior vieram em flashes: o jantar tenso, o vinho, a sensação de descontrole, e o nome. Lucca. Eu havia chamado o Sheik de Lucca. A vergonha me atingiu como uma onda. Eu havia exposto minha ferida mais profunda, meu trauma mais íntimo, para o homem que eu mais precisava manter à distância. E o pior: eu havia chorado em seus braços, implorando para que ele não me deixasse. Levantei-me, cambaleando em direção ao banheiro. A visão no espelho

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status