LOGIN— A pessoa que contratei para investigar você me disse que vocês passaram todo esse tempo juntos. Comeram juntos, foram ao cinema juntos. Você tem coragem de dizer que não houve absolutamente nada entre vocês? Carolina, se você aceitar voltar para mim, eu não vou levar nada disso em conta, está bem?Soltei uma risada de raiva."Thiago mandou mesmo alguém me investigar?"— Thiago, você está doente? Nós já terminamos. Com quem eu fico ou deixo de ficar não tem nada a ver com você! Durante todos esses anos, você se recusou a me tocar. Eu passava os dias tentando agradar você como uma cadela submissa, me humilhando diante da sua frieza. Isso ainda não foi suficiente? Eu finalmente encontrei uma vida nova, e você ainda atravessa toda essa distância para vir até aqui me difamar? Você e Manuela passam tanto tempo fazendo aquelas coisas imundas na montanha todos os meses, e, durante todos esses anos, vocês me fizeram de idiota. Thiago, se você não gostava de mim, poderia ter dito diretamente.
O sol estava perfeito naquele dia. Vinícius me acompanhava em um passeio pelas lojas quando, de repente, uma voz masculina familiar soou atrás de mim:— Carolina!Sua voz carregava um tom urgente.Me virei e encontrei seus olhos. Pensei que sentiria dor, pânico ou qualquer outra emoção capaz de me destruir por dentro.Mas, ao encarar aqueles olhos que eu havia amado por tantos anos, não senti absolutamente nada. Eu finalmente havia seguido em frente.Thiago estava com os cabelos desalinhados e o rosto marcado pelo cansaço. Ele, que sempre se vestia de maneira impecável, exibia a barba por fazer no queixo.Eu não o via daquele jeito havia anos.Seus olhos estavam cheios da alegria de quem reencontra algo que julgava perdido, e sua voz saiu um pouco embargada:— Carolina, finalmente encontrei você. Tenho tanta coisa para te dizer. Na verdade, a pessoa de quem eu sempre gostei foi você...Ele estendeu a mão para me segurar, mas Vinícius entrou em seu campo de visão e o impediu.Vinícius e
Àquela altura, eu já havia desembarcado em Belávia. Ali, o clima era ameno durante o ano inteiro, e a paisagem parecia uma pintura. Era um lugar que eu desejava conhecer havia muito tempo.Antes, por causa de Thiago, eu nunca sequer havia encontrado tempo para viajar para lá.Foi só com essa nova sensação de liberdade que percebi o quanto tinha deixado de viver.No meu primeiro dia na nova empresa, meus colegas organizaram uma confraternização regada a bebidas. Depois de comer e beber até não aguentar mais, liguei para uma amiga que morava ali e pedi que fosse me buscar.O vento da noite estava gelado. Sentada nos degraus, me encolhi dentro do casaco. De repente, senti um calor sobre os ombros: alguém colocava um cachecol em mim.Levantei a cabeça e dei de cara com um par de olhos gentis. A pessoa diante de mim me observava em silêncio, com uma suavidade serena.O homem vestia um sobretudo. Era muito alto, tinha sobrancelhas marcadas, nariz reto, lábios finos e carregava no corpo intei
Ao ouvir aquelas palavras, Thiago sentiu uma chama de raiva arder dentro do peito.Ele não conseguia entender. As duas eram filhas biológicas deles e, até mesmo fisicamente, eram parecidas, cada uma com sua própria beleza. Então, por que eles precisavam demonstrar tanto favoritismo? Para eles, Manuela era alguém intocável, enquanto Carolina não passava de uma pessoa sem importância.Será que Carolina tinha vivido assim durante todos aqueles anos? Será que era por isso que ela havia se acostumado a agradá-lo, a tentar conquistar sua aprovação?Thiago girava o rosário entre os dedos e disse, com certa irritação:— Carolina também não é filha de vocês? Como vocês podem menosprezar ela dessa forma? Além disso, estou ao lado dela há tantos anos. Eu a conheço muito bem. Ela não é nem de longe tão desprezível quanto vocês dizem. Ela é claramente...Ela era gentil e bondosa, radiante e generosa. Amava-o de todo o coração e ficava tão feliz por qualquer pequeno gesto de carinho que chegava a pe
Thiago mal havia acendido um cigarro quando sua mão tremeu. A ponta em brasa caiu sobre sua perna e abriu um buraco na calça de seu terno caro.Ele ampliou o acordo de divórcio na tela do celular várias vezes.Quando aquilo tinha sido assinado? Como ele não sabia?Impossível. Carolina devia ter forjado aquilo em um acesso de raiva. Ele jamais havia assinado nada.Ele estava prestes a ligar para ela quando o assistente abriu a porta do escritório.— Presidente Thiago, temos um problema. Isto foi entregue a mando da senhora. Disseram que é... Que é um acordo de divórcio.Thiago encarou o documento, incrédulo, e a lembrança de quando, no hospital, ela o fez assinar aquele contrato surgiu de repente em sua mente.— Então aquilo que Carolina me pediu para assinar naquela hora não era um contrato de compra de imóvel, mas um acordo de divórcio?Um profundo sentimento de amargura tomou conta dele. Thiago pegou o celular, querendo se explicar para Carolina.Mas Carolina já havia o bloqueado.Ca
Do outro lado da linha, houve uma hesitação.— Carolina, deixe o assunto da empresa no exterior de lado por enquanto. É melhor você resolver primeiro os seus problemas pessoais. — Meu chefe desligou e, logo em seguida, me encaminhou uma publicação.O título dizia: [Devassa da alta sociedade: filha da família Ribeiro tem vida íntima desregrada e fotos sensuais vazadas.]Mais de uma dezena das minhas fotos íntimas havia sido publicada ali. O único rosto borrado era o do homem que aparecia comigo.Senti como se minha cabeça fosse explodir.Com as mãos trêmulas, abri os comentários, e uma onda avassaladora de maldade veio em minha direção:[Pois é, gente rica sabe mesmo variar. Até brincadeira de vendar os olhos... Que nojo.][Isso é nojento demais. Qual é a diferença entre ela e um banheiro público? Qualquer um pode usar.][Quem tiver o contato dela, me manda no privado. Esse é exatamente o meu tipo!]Lágrimas enormes começaram a cair. Soltei um grito e atirei o celular no chão. Depois, a







