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Capítulo 2

Author: Maluquinha
Como se fosse de propósito, embora eu tivesse colocado tampões nos ouvidos, as risadas incessantes vindas do quarto ao lado continuavam dilacerando meus nervos.

Sem querer continuar ali me torturando, me vesti e saí. Assim que cheguei à escada, alguém segurou meu braço.

— Carolina, aonde você pensa que vai?

Me virei e me deparei com o olhar provocador de Manuela. Meu olhar se fixou no rosário pendurado em seu pescoço.

Ao perceber meu olhar, Manuela soltou uma risada baixa.

— Thiago acabou de usar este rosário para medir minhas curvas. Eu estava me divertindo tanto que acabei esquecendo de tirar.

Uma dor profunda apertou meu peito. Me lembrei de que, certa vez, apenas por ter tocado naquele rosário sem querer, Thiago havia me castigado, me trancando no porão por sete dias.

Manuela, porém, podia brincar com ele à vontade. Então era essa a diferença entre ser amada e não ser.

— Já que estamos falando do rosário, você sabe por que Thiago gosta justamente deste? Porque fui eu quem pediu isso na igreja para ele. Além disso, todos os meses, ele arranja tempo para passar uma semana comigo no mosteiro. Ah, é verdade, você nunca viu Thiago tomado pela paixão, não é? Quando estamos na montanha, ele parece querer morrer dentro de mim. Ele diz que, quando volta para casa e vê você, sente nojo. Que gostaria de sair de casa naquele mesmo instante.

Apertei as mãos com tanta força que minhas unhas cravaram minha pele, mas eu sequer senti dor.

Era verdade. Todos os meses, Thiago inventava uma desculpa para ir ao mosteiro em retiro. Ele dizia que só voltaria quando eu me ajoelhasse com devoção e copiasse a Bíblia cem vezes.

Para vê-lo voltar mais cedo, eu permanecia ajoelhada até meus joelhos ficarem roxos, copiava até minhas mãos perderem as forças e, mesmo assim, não parava.

Então, ele estava o tempo todo com Manuela. Longe dos meus olhos, os dois trocavam confidências e se abraçavam intimamente.

Ao perceber que não conseguiria provocar a cena de ciúmes descontrolados que imaginou, Manuela simplesmente parou de fingir.

Com as unhas recém-feitas e afiadas, ela cravou os dedos na minha carne e rosnou entre os dentes:

— Carolina, sua vadia imunda, o que você está fingindo? Acha que, bancando a indiferente, Thiago vai gostar de você? Eu odeio essa sua expressão de coitada. Eu quero disputar tudo com você, disputar o amor dos nossos pais, disputar o amor de Thiago... Você deveria ter morrido no instante em que nasceu. Quem lhe deu o direito de continuar viva e tomar as coisas que são minhas? — Ao terminar de falar, ela me empurrou com força.

Soltei um grito e derrubei o vaso que estava na escada. No instante em que ele se despedaçou, meu braço também foi cortado, causando um longo ferimento. O sangue jorrou, encharcando e tingindo de vermelho grande parte da minha roupa.

Ouvi passos apressados atrás de mim.

Manuela caiu sentada para trás imediatamente, com os olhos cheios de lágrimas, e me acusou:

— Carolina, se você não queria me ver, era só pedir para eu ir embora. Mas você sabe muito bem que minha saúde é delicada. Por que, mesmo assim, me empurrou? Depois de tantos anos, você ainda quer usar esse truque de se machucar para me incriminar? Eu sou sua irmã biológica. Por que você me odeia tanto? — Só quando Thiago a levantou nos braços, com o rosto tomado pela aflição, ela escondeu a mão atrás das costas e, com os olhos vermelhos e inchados, se afastou do abraço dele. — Thiago, a culpa é toda minha. Eu que empurrei a Carolina. Tudo isso é culpa minha. Não culpe a Carolina...

Thiago puxou a mão dela de trás das costas. Ao ver as marcas vermelhas, seus olhos ficaram imediatamente vermelhos.

— Manu, está doendo? Vou levar você ao hospital agora mesmo.

— Ai... Não se preocupe comigo. É melhor você ir ver Carolina. Caso contrário, ela vai ficar chateada de novo.

Cobrindo o ferimento que não parava de sangrar, a encarei com ódio:

— Foi você quem me empurrou. Desde pequena...

— Chega! — Thiago me interrompeu. — Carolina, você continua sendo tão desprezível! Desde criança, vive armando situações para incriminar a Manu. Se ela não fosse bondosa, você já teria sido expulsa da família Ribeiro há muito tempo! Além disso, a Manu é frágil demais, uma pessoa que cai até com um simples espirro. Como ela poderia empurrar você?! Já você, armou toda essa cena sozinha e agora está colhendo o que plantou. Você realmente não presta. Hoje à noite, vá para o porão. Só saia de lá depois de copiar a Bíblia cem vezes!

Sem sequer ouvir minha explicação, ele levantou Manuela nos braços e passou por cima de mim.

O peso dos dois juntos, mais de cem quilos, pressionou inteiro sobre meu braço ferido.

A dor quase me fez perder a consciência. Fiquei deitada no chão por mais de dez minutos até conseguir me recuperar e, então, fui sozinha ao hospital.

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