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Capítulo 4

Autor: Echo
— Quero sentar no banco de trás.

No caminho para o hotel, Dante me olhou se sentindo confuso.

— Por quê? Você sempre senta na frente.

Porque eu não suportava me sentar no banco do passageiro que a putinha dele havia ocupado incontáveis vezes. Pensar em Jenna sentada ali, falando manhoso com ele, implorando para que ele encostasse o carro para que pudessem transar, me dava vontade de vomitar.

Mas eu apenas disse:

— Estou com vontade de ter mais espaço.

Dante não estranhou.

Enquanto Dante me conduzia para dentro do hotel, o braço dele em volta da minha cintura, outros convidados nos encaravam com uma mistura de inveja e admiração. No nosso mundo, ser a senhora Moretti era o sonho de inúmeras mulheres.

Se ao menos soubessem o preço disso...

Vários Capos da família se aproximaram para nos cumprimentar.

Dante manteve a mão na parte baixa das minhas costas, serviu-me vinho e sussurrou em meu ouvido:

— Esta garrafa vale vinte mil dólares, mas nem ela se compara à sua beleza.

Antes, palavras assim teriam me feito corar.

Agora, só me davam vontade de rir. Na mente dele, meu valor claramente era menor do que o de uma garçonete de bar de vinte e dois anos.

Tudo ocorreu bem durante o jantar, ao menos era o que aparentava.

Dante falou sobre negócios da família, ocasionalmente se voltando para mim em busca da minha opinião. Eu desempenhei o papel da esposa perfeita: elegante, inteligente, envolvida na medida certa, sem jamais ultrapassar limites.

Às 8h20, Dante olhou para o relógio.

— Querida, preciso descer e encontrar um associado de negócios. Não devo demorar mais do que meia hora.

— Claro. — Respondi com um sorriso.

— Leve o tempo que precisar.

Alguns minutos depois, pedi licença, alegando não estar me sentindo bem. Assim que saí do salão, liguei para Dante.

Ele atendeu no terceiro toque.

— Oi, amor. O que foi? — A voz de Dante soava um pouco apressada.

— Estou me sentindo um pouco tonta. — Disse, fingindo fraqueza. — Quando você volta?

— Já já. Só me dá… mais quinze minutos. — A voz dele ficou abafada de repente, como se estivesse lutando para controlar alguma coisa.

E então eu ouvi.

A risadinha baixa de uma mulher, suave e sedutora. E o tilintar metálico inconfundível de pequenos sinos em algum tipo de brinquedo. Tinlim, tinlim.

— Dante? Onde você está? — Mantive o tom preocupado.

— No… no escritório. — Ele respondeu, ofegante.

— O associado acabou de chegar.

— Mmm… Dante… — Uma mulher gemeu ao fundo.

Minha mão se fechou em torno do telefone, os nós dos dedos ficando brancos. A voz era inconfundivelmente a de Jenna.

— Amor, você parece estranho. — Disse, prolongando a ligação de propósito.

— Tem certeza de que está tudo bem?

— Claro… ah… — Dante lutava para manter a voz firme, mas eu sabia exatamente o que ele estava fazendo.

— Esse associado é só… difícil de lidar.

— Oh, sim, Dante… aí mesmo… — A voz de Jenna soou abafada. Ela claramente não fazia ideia de que ele estava ao telefone.

— Vamos, gatinha. — A voz de Dante se transformou em um rosnado.

— Eu te quero agora…

Tinlim, tinlim. Os malditos sinos estavam ficando mais rápidos.

Apertei discretamente o botão de gravação, registrando tudo com calma.

— Dante? Dante? — Chamei, fingindo ansiedade.

— O quê? Ah, desculpa, amor. — Disse ele, ofegante, de volta à linha.

— O sinal está ruim. Já estou indo.

— Está bem. Eu te amo. — Falei com a voz mais doce que consegui.

— Eu também te amo.

A mentira saiu da boca dele com tanta facilidade, tão ensaiada.

Depois de desligar, salvei a gravação e voltei para a nossa mesa como se nada tivesse acontecido.

Quarenta minutos depois, Dante retornou ao restaurante. O cabelo estava um pouco bagunçado e a gravata torta, mas havia um sorriso satisfeito em seu rosto.

— Desculpa a demora, amor. — Disse ele, sentando-se ao meu lado.

— Esse associado foi difícil de convencer.

Virei-me para ele e ofereci um sorriso perfeito.

— Tudo bem. Negócios são importantes.

Ele estendeu a mão e segurou a minha.

— Você é a melhor esposa do mundo.

Nesse momento, meu celular vibrou.

Passaporte e passagem confirmados. Ativação em cinco dias. Tudo pronto.

Bloqueei a tela rapidamente, mas Dante conseguiu ver um fragmento das palavras.

— Passaporte? — Ele me olhou, um lampejo de confusão nos olhos.

— Alessia, você vai viajar para algum lugar?

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