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Capítulo 5

Penulis: Echo
Soltei uma risadinha, como se ele tivesse feito uma pergunta boba.

— Minha amiga Maria quer ir para a Europa, mas o passaporte dela venceu. Ela estava me perguntando sobre o processo de renovação. Você sabe como ela é com essas coisas.

Meu tom era leve e natural, sem qualquer vestígio de mentira.

A expressão de Dante relaxou imediatamente, e ele até pareceu um pouco sem graça.

— Desculpa, amor. Por um instante, pensei que você estivesse planejando me deixar.

As palavras dele fizeram as outras esposas nas mesas próximas me lançarem olhares de pura inveja.

— Veja como Dante é devotado a ela.

Escondi um sorriso frio atrás da taça de vinho.

Para o mundo exterior, ainda éramos o casal perfeito e invejável.

Às dez e meia, o jantar estava chegando ao fim.

Quando já éramos as únicas pessoas no restaurante, Dante se aproximou de mim, estendendo os braços para me abraçar.

— A noite foi perfeita.

Quando ele chegou mais perto, uma mistura de cheiros me atingiu. Fumaça de charuto, uísque caro e… aquele maldito perfume barato de jasmim.

O cheiro de Jenna.

A fragrância enjoativamente doce emanava da gola e dos punhos do meu marido. Ele nem sequer tentou esconder. Ou talvez simplesmente não percebesse que estava impregnado dela.

O embrulho no meu estômago voltou, mais forte desta vez.

Empurrei-o para longe, levei a mão à boca e corri para o banheiro.

— Alessia? Amor? — Dante veio atrás, a voz carregada de preocupação.

Ajoelhei-me diante do vaso, tendo ânsias violentas. Meu estômago estava vazio, mas o fluxo amargo e a raiva incontrolável continuavam vindo.

— O que houve? Você é alérgica a frutos do mar? — Dante se ajoelhou ao meu lado, tentando me ajudar a levantar.

— Ou bebeu vinho demais?

O cheiro dele, dela, me envolveu outra vez, e uma nova onda de náusea me atingiu.

— Não… não encosta em mim! — Afastei a mão dele, o corpo tremendo.

— É o cheiro de fumaça em mim? — Dante franziu a testa.

— Desculpa, fumei alguns charutos durante aquela reunião.

Ao ouvir aquela mentira, o fogo dentro de mim finalmente explodiu.

Levantei-me devagar, joguei água fria no rosto e encontrei o olhar dele no espelho. Ele estava ali, a imagem da preocupação inocente, como se realmente não tivesse ideia do que havia feito.

— Charutos? — Minha voz saiu baixa, em tom de rosnado.

— Você sabe muito bem do que isso se trata!

Dante congelou, atônito. Ele nunca tinha me visto perder o controle daquela forma.

— Alessia, do que você está falando?

Percebi que tinha ido longe demais e me forcei a me acalmar.

— Nada. Meu estômago só está doendo.

Na manhã seguinte, Dante insistiu em me levar ao hospital.

O médico me examinou.

— Pelos seus sintomas, parece ser gastrite induzida por estresse. Geralmente é causada por sofrimento emocional ou pressão. A senhora Moretti tem passado por algum estresse específico ultimamente?

Dante franziu a testa.

— Não. Tivemos um dia maravilhoso ontem mesmo.

— Bem, talvez seja algo sazonal. — Disse o médico, começando a escrever uma receita.

— Vou passar algo para acalmar o estômago dela.

Nesse momento, o celular de Dante tocou.

Ele olhou para a tela, a expressão se tensionando.

— Desculpa, é uma ligação importante.

— Pode atender. — Respondi, fria.

Dante saiu para o corredor para falar ao telefone, e pude ouvir a voz baixa dele.

— O quê? Agora? Não, eu estou com a minha esposa no médico… Tudo bem, eu entendo.

Ele voltou com um ar arrependido.

— Amor, me desculpa. Um dos meus homens precisa deixar uns documentos importantes. Tenho que descer para pegá-los. Volto em cinco minutos.

— Vá. — Disse, assentindo com compreensão falsa.

O doutor Ricci continuou com o diagnóstico, mas minha atenção estava em outro lugar. Caminhei até a janela, fingindo admirar a vista, mas meus olhos estavam fixos na rua abaixo.

Alguns minutos depois, vi Dante.

Mas ele não estava esperando na entrada por documento algum.

Em vez disso, atravessou a rua apressado e entrou diretamente no prédio em frente ao nosso, uma clínica particular de ginecologia e obstetrícia.

Enquanto eu o via desaparecer lá dentro, a raiva que senti foi substituída por uma sensação fria e entorpecida de libertação.

Nesse instante, meu celular vibrou.

Uma mensagem de um número desconhecido.

[Desculpa, senhora Moretti. Parece que ele não pode ficar com você hoje. Basta uma ligação minha, e ele vem correndo como um cachorro.]
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