LOGINRudá de AndradeNa manhã de segunda-feira, acordei com uma disposição que não sentia havia dias. Finalmente poderia rever Helena, descobrir como ela estava e entender qual seria minha posição dali em diante no escritório. A possibilidade de deixar de ser seu assistente e passar a trabalhar com os outros sócios me entristecia. Não era apenas uma questão profissional; eu gostava de trabalhar ao lado dela, acompanhar seu raciocínio e participar de suas decisões. Mesmo que precisasse esconder meus sentimentos e manter uma postura profissional, continuar perto dela ainda seria melhor do que perder completamente aquele espaço na sua vida.Resolvi não ligar para Helena. Como costumávamos sair praticamente no mesmo horário pela manhã, achei mais sensato ir direto par
Rudá de AndradeEu não fazia ideia de quanto tempo estava parado diante do rio. O vento tocava meu rosto, mas não era suficiente para esfriar a inquietação que me consumia desde que saíra da casa de Helena. Eu continuava sem entender por que ela havia reagido daquela maneira às minhas palavras. Tudo o que fiz foi antecipar os argumentos que imaginei que ela própria usaria para explicar por que não poderíamos ficar juntos.O que se passa na cabeça dessa mulher? Eu a amava, mas, porra, não podia decidir por ela nem exigir que abandonasse tudo de uma hora para outra. Ainda assim, pelas coisas que disse, parecia que esperava justamente que eu lutasse contra todos aqueles obstáculos sem considerar o preço que ela teria de pagar.Passei a mã
Rudá de AndradeEu estava inconformado. Helena havia interpretado minhas palavras da pior maneira possível, como se eu estivesse procurando uma desculpa para desistir dela, quando tudo o que tentei fazer foi mostrar que compreendia o tamanho do sacrifício que aquela escolha poderia representar. Agora, ela queria me afastar, e só de imaginar meus dias sem sua presença, sentia o peito apertar. Ainda assim, saber que não me mandaria embora do escritório era um pequeno consolo. Mesmo que deixasse de ser seu assistente, eu continuaria trabalhando ali e poderia vê-la todos os dias.Talvez ainda houvesse tempo para recuperar a confiança dela e mostrar que eu não estava desistindo de nós. Mas, para isso, precisaria parar de tentar resolver tudo de uma vez, controlar meus impulsos e respeitar o espaço que Hele
Helena CavalcantiCada palavra de Rudá continuava ecoando dentro de mim, e o que mais doía era perceber que ele próprio estava enumerando todos os motivos pelos quais talvez não devêssemos ficar juntos. Eu esperava que me desse razões para lutar, que dissesse que poderíamos enfrentar os obstáculos de mãos dadas, que me convencesse de que nosso amor era forte o suficiente para merecer uma chance. Em vez disso, os papéis haviam se invertido, e era ele quem me apresentava a realidade com uma clareza cruel, enquanto eu tentava desesperadamente encontrar uma brecha por onde pudesse escapar daquele futuro.— Acho que você pensou em todos os obstáculos que enfrentaríamos caso decidíssemos viver essa insanidade. Não me deixou praticamente nada para dizer, não é mesmo? V
Helena CavalcantiA audiência começou e, desde os primeiros minutos, percebi que não estava no meu melhor dia. Perdi o fio de alguns raciocínios, demorei mais do que o habitual para formular determinadas respostas e tive dificuldade para rebater argumentos que, em outras circunstâncias, teria desmontado com muito mais agilidade.O advogado da parte contrária aproveitou as brechas, conduzindo a discussão para um acordo que, embora evitasse um resultado ainda pior para meu cliente, estava longe de ser satisfatório. Quando tudo terminou, saí daquela sala com a sensação amarga de ter deixado escapar oportunidades que não costumava desperdiçar.Meu cliente não escondeu a insatisfação, e eu não tinha como culpá-lo. O acor
Rudá de AndradeAproximei-me de Helena e me posicionei diante dela, oferecendo meus ombros para que pudesse se apoiar enquanto a ajudava a sair da cadeira de rodas e se acomodar no banco do passageiro. Tomei cuidado para não pressionar seu tornozelo imobilizado, conduzindo seus movimentos com firmeza e delicadeza até ter certeza de que estava confortável.Quando me inclinei para ajustar o cinto de segurança, o perfume dela chegou até mim, familiar e irresistível, trazendo de volta lembranças que eu vinha tentando manter sob controle. Por um instante, tive vontade de tocar seu rosto e beijá-la ali mesmo, sem me importar com a presença de Yuri ou com o fato de estarmos na garagem de sua casa. Mas o momento passou, e precisei me lembrar de que havíamos prometido encarar a realidade com honestidade, sem transfo







