Se connecterRudá de Andrade
Helena estava diferente, mas eu não saberia dizer exatamente o que havia mudado, mas o clima entre nós tinha sofrido alguma alteração desde o momento em que ela tocou meu braço naquela manhã. Havia tensão na maneira como seus dedos se fecharam contra minha pele, uma força que chegou a apertar um pouco mais do que o habitual. Meu coração respondeu
Rudá de AndradeQuando Helena estava pronta, decidimos ir até o restaurante da pousada. Eu já tinha tomado banho e passado alguns minutos tentando convencer a mim mesmo de que jantar com ela era apenas isso: um jantar, nada além. O problema era que, desde que tínhamos descoberto que havia apenas um quarto e uma cama naquele chalé, meu cérebro parecia ter decidido trabalhar contra mim, transformando qualquer situação banal em algo que poderia ter um contexto diferente.Quando saímos, consegui me concentrar naquilo que importava. Helena caminhava ao meu lado com uma das mãos apoiada no braço que eu lhe oferecia apenas quando necessário, e eu tive aquela sensação estranha de que estávamos vivendo alguma coisa que não deveria estar acontecendo. Talvez fosse simplesmente
Helena CavalcantiEntrei no banheiro, fechei a porta atrás de mim e, assim que percebi o calor agradável da água envolvendo meu corpo, senti todos os músculos relaxarem de uma vez. Rudá havia preparado a banheira com água morna, espuma e sais de banho, e aquela pequena gentileza me arrancou um suspiro satisfeito. Apoiei a cabeça na borda e deixei que o silêncio me envolvesse por alguns instantes.Que delícia de banho.Era exatamente o que eu precisava depois de um dia inteiro dentro de um carro, horas esperando por uma audiência que não aconteceu e uma tarde percorrendo hotéis atrás de uma vaga.Normalmente eu detestava imprevistos. Gostava de planejar meus dias, saber onde estaria, o que precisaria fazer e quanto tempo cada compromisso levaria. Mas aquele contratempo, pela primeira vez em muito tempo, não parecia tão ruim. Eu estava em uma cidade agradável, em um chalé aconchegante, com uma lareira, uma banheira e, para completar, uma companhia que eu vinha des
Rudá de AndradeSuspirei e continuei olhando ao redor, ainda encantado com aquele lugar. O chalé era simples, mas muito bonito. A madeira, os móveis, os tecidos claros, os pequenos objetos espalhados pela decoração e, principalmente, a vista que se abria para as montanhas davam ao lugar uma atmosfera cinematográfica.Eu queria que Helena pudesse experimentar aquilo o mais próximo possível da maneira como eu estava experimentando, então comecei a guiá-la pelo chalé, segurando sua mão e descrevendo cada detalhe. Fiz com que tocasse alguns objetos, expliquei as cores, os formatos e os materiais e, quando chegamos à pequena janela de madeira ao lado da lareira, coloquei seus dedos sobre a cortina delicada.— Aqui tem uma cortina bem leve, quase transparente — expliquei. — É clara, com uns detalhes pequenos que parecem desenhados no tecido. A madeira da janela é mais escura e combina com a lareira. Tem alguma coisa muito aconchegante aqui.Helena passou os dedos pelo
Helena CavalcantiSeguimos pela estrada principal, deixando para trás o movimento mais intenso de Campos do Jordão. Cerca de quinze minutos depois, ele avisou que havíamos chegado ao nosso destino. Pela mudança no som ao redor, percebi imediatamente que estávamos entrando em um lugar muito mais tranquilo. O movimento dos carros diminuiu, as vozes das pessoas ficaram mais distantes e havia uma sensação de calmaria que eu não encontrava em Campos do Jordão.Rudá me explicou que a cidade era pequena, com pousadas menores e bastante aconchegantes. Seguimos as instruções que havíamos recebido e, alguns minutos depois, entramos em uma estrada de terra que começava a subir pela montanha. O carro avançava devagar pelas curvas, e eu sentia a mudança da inclinação, o b
Rudá de AndradeNa manhã seguinte, fui buscar Helena bem cedo. Tínhamos cerca de cento e oitenta quilômetros pela frente até Campos do Jordão, onde aconteceria a audiência, e eu preferia sair com bastante antecedência. Era um processo importante para o escritório e, caso conseguíssemos um resultado favorável, representaria um retorno financeiro considerável.Helena, inclusive, havia me contado alguns dias antes que eu começaria a receber comissões sobre as causas ganhas nas quais tivesse participação efetiva. Aquilo tinha me deixado empolgado. Não apenas pelo dinheiro, embora fosse uma perspectiva excelente para alguém no começo da carreira, mas principalmente pelo significado daquilo.Helena estava reconhecen
Rudá de AndradeHelena estava diferente, mas eu não saberia dizer exatamente o que havia mudado, mas o clima entre nós tinha sofrido alguma alteração desde o momento em que ela tocou meu braço naquela manhã. Havia tensão na maneira como seus dedos se fecharam contra minha pele, uma força que chegou a apertar um pouco mais do que o habitual. Meu coração respondeu na mesma hora, acelerando daquele jeito que eu já não conseguia mais evitar.Eu conhecia aquela sensação, era a mesma que aparecia sempre que eu me permitia imaginar possibilidades que não deveria imaginar. Talvez por isso, quando a ajudei a se acomodar no banco do passageiro, não consegui simplesmente fechar a porta e ir para o lado do motorista. Helena segurou meu braço antes que eu me afastasse.







