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Apaixonada pelo irmão do noivo
Apaixonada pelo irmão do noivo
Author: Ro Pinheiro

Capítulo I

Author: Ro Pinheiro
last update publish date: 2025-09-10 05:45:13

Mais uma noite em casa sem saber o que fazer.

Melissa estava inquieta, quase elétrica. Era um daqueles sábados em que nada de interessante surgia e, por falta de opção, ela acabara ficando em casa. Não que fosse do tipo baladeira, mas também não achava atraente a ideia de passar a noite sozinha entre quatro paredes.

Sentou-se diante da TV e trocou de canal incontáveis vezes. Ligou o computador, checou os e-mails, trocou algumas palavras com os poucos amigos online e, no fim, decidiu que mergulharia na leitura. Puxou um livro da estante, acomodou-se no sofá e abriu-o na página que aguardava sua atenção havia meses. Precisou voltar algumas páginas para se situar na história, mas logo algo prendeu seu interesse. De repente, aquele sábado tedioso parecia menos pesado, quase agradável.

A campainha tocou.

Melissa suspirou, contrariada. Justo agora que havia se resignado a uma noite tranquila, alguém aparecia sem avisar. Caminhou até a porta e espiou pelo olho mágico.

— Daniel... — murmurou, abrindo.

— Oi. Desculpe aparecer a esta hora, mas trabalhei até tarde e não consegui desligar. Então pensei: por que não ver você, já que nem me liga mais?

Ela riu.

— Meu Deus, Daniel, você não precisa se justificar. Sabe que pode aparecer a qualquer hora. Entre.

Daniel entrou, lançando um olhar rápido ao redor da sala organizada.

— Você já estava indo dormir? — perguntou, reparando no short doll de malha que Melissa usava.

Ela se deu conta, corando levemente, e percebeu o olhar dele demorando-se em sua pele exposta.

Daniel sempre fora indiscreto. Desde que se conheceram, vivia comentando sobre sua sensualidade, mas sempre com aquele jeito leve, meio brincalhão. Nunca o levara a sério. Naquela noite, no entanto, havia algo diferente: o olhar dele estava mais intenso, inquieto.

— Espere só um minuto. — Melissa foi ao quarto, vestiu um robe e voltou.

— Estava tão melhor antes... — disse ele, sorrindo com o ar moleque de sempre.

Ela balançou a cabeça, ignorando a provocação, e desviou o assunto:

— Quer beber alguma coisa?

— Não, agora não. Pensei em outra coisa. — O olhar dele percorreu-a de novo.

— Daniel, por favor... já vai começar.

— Aham, e sou eu o de mente poluída. — Ele sorriu, mostrando os dentes perfeitos. — Eu só estava pensando que podíamos sair. Nem que fosse para tomar algo num barzinho. Preciso relaxar.

Melissa o encarou.

— Não está muito tarde?

Ele não respondeu, apenas sustentou o olhar, quase suplicante.

— Certo. Espere um minuto para eu me trocar.

— Não quer ajuda?

— Não. — Ela respondeu no mesmo tom de brincadeira, fingindo estar zangada.

Conhecera Daniel seis meses antes, na construtora onde trabalhava como gerente administrativa. Ele fora discutir um orçamento, e, a princípio, Melissa não lhe deu muita importância. Logo, porém, descobriu que ele era um administrador influente, dono de uma posição respeitada em uma grande empresa de publicidade.

Desde o primeiro encontro, notara seu interesse. Mas deixara claro que não buscava envolvimento com ninguém, muito menos com um homem que, ao que parecia, só queria diversão. Daniel, então, mudara de estratégia: insistiu na amizade. E, de repente, estava sempre por perto, iluminando seus dias.

Eles saíam com frequência, riam de tudo, divertiam-se juntos. Entre uma conversa e outra, Daniel sempre a pedia em casamento em tom de brincadeira, e Melissa nunca levava a sério.

Naquela noite, decidiram conhecer um bar recém-inaugurado, aconchegante, com música ao vivo e uma atmosfera acolhedora.

— Você parece cansado. Como foi o dia? — perguntou Melissa, quando já estavam acomodados em um canto reservado.

— Exaustivo. Daqueles em que nada parece andar para frente e, no fim, você sente que não fez nada.

— Sei bem como é.

— Mas vamos falar de coisa boa. Estou pensando em tirar alguns dias de descanso e... pensei em ter uma companhia agradável. Imagino natureza, silêncio, um tempo a dois. O que você acha?

— Você não muda, Daniel.

— Estou falando sério. Quem não precisa de férias?

— Leve sua namorada, então.

— Não tenho namorada. Você sabe. Ainda estou esperando que a mulher perfeita finalmente me aceite.

Melissa riu. Sempre a mesma resposta.

— Sinto pena de você. Essa mulher não existe. Vamos falar de coisas reais.

— Tá bom. Quer casar comigo? — disse ele, com o meio sorriso de sempre.

— Vamos falar sério, só por uma vez. — Melissa balançou a cabeça, descrente.

— Eu estou falando sério.

— Então eu aceito.

— Ótimo. Amanhã levo você para conhecer minha família.

— Ah, eu adoraria. — Ela encenou um gesto teatral, como se interpretasse uma personagem.

— Que horas eu passo aqui?

Melissa apenas sorriu, negando com a cabeça.

— É sério — disse ele, agora sem traço de brincadeira.

Ela o fitou, buscando no olhar dele o tom zombeteiro de sempre, mas não encontrou.

— Família... não sei se é uma boa ideia.

— Tudo bem. Podemos passar o dia em algum lugar paradisíaco. Prefiro isso.

— Entre as opções, prefiro conhecer sua família.

— Hum... você acabou de ferir meu ego profundamente.

A noite correu leve, com conversas amenas. Já passava da uma da manhã quando Daniel a deixou em casa.

Melissa não sabia se fazia a coisa certa. Mas sentia que precisava de alguém com quem compartilhar algo mais sério. E não conseguia imaginar outra pessoa além de seu melhor amigo.

Daniel era um homem bonito. Muito bonito. Alto, mais de um metro e oitenta. Corpo definido, sem exageros. Cabelos louro-escuros, sempre bem aparados. Olhos cinzentos, enigmáticos. Bem-sucedido, financeiramente confortável — como ela deduzia pelas poucas pistas que deixava escapar. Um homem completo, talvez até perfeito... e estava ali, diante dela.

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