INICIAR SESIÓNPassei quase a noite inteira me revirando na cama, encarando o teto do quarto de hóspedes enquanto as horas se arrastavam. O som do violino havia cessado no exato instante em que fechei a porta após o jantar e aquela conversa carregada de tensão com Oliver na sala de estar. Depois de infinitas tentativas frustradas de pegar no sono, tomei uma decisão firme: nada poderia acontecer entre nós dois. Não com essa tal de Zoe pairando entre a gente como um fantasma. Além disso, havia o trabalho, a ética profissional e a nossa dinâmica no escritório. Tudo parecia conspirar contra as tais "possibilidades" que ele tanto mencionara. Quais seriam essas possibilidades diante de tantas dificuldades? No fundo, eu entendia que Oliver também enxergava todos os obstáculos, mas talvez ele só quisesse tentar encontrar o possível dentro daquele absurdo impossível. Na manhã seguinte, desci para o café da manhã com a mente exausta. Encontrei Oliver já acomodado à mesa, novamente sozinho. Sem sinal de
Ajeitei minhas roupas diante do espelho antes de criar coragem para abrir a porta do quarto. A curiosidade e o medo duelavam dentro do meu peito a cada passo que eu dava pelo corredor luxuoso da casa. Desci as escadas devagar, indo em direção à sala de jantar, completamente apreensiva com o que — ou quem — eu poderia encontrar. Ao chegar à entrada do cômodo, vi Oliver em pé, de costas para mim, observando a noite através da enorme janela de vidro. A postura dele era pensativa, como se estivesse esperando por mim, ou por outra pessoa. O som do meu salto dos meus passos fez com que ele se virasse. Assim que notou minha presença, seu rosto tenso relaxou e ele abriu um sorriso genuíno. — Conseguiu descansar, Sarah? — perguntou, a voz grave preenchendo o espaço aconchegante da sala. — Sim, descansei um pouco — respondi, segurando a alça da minha blusa, tentando demonstrar uma calma que eu estava longe de sentir. — O jantar já vai ser servido. Devo confessar que estou faminto —
Sem me dar espaço para grandes protestos, Oliver assumiu o controle da situação. Minutos depois, minha mala — que eu nem chegara a desfazer da viagem de Praga — já estava no porta-malas do carro dele. O trajeto foi silencioso até que o veículo atravessou um imponente portão de ferro e avançou por uma alameda cercada por árvores altas. O carro parou diante de uma propriedade espetacular. Era uma casa imensa, com arquitetura moderna e imponentes painéis de vidro, perfeitamente integrada à paisagem. Encarei a fachada em transe; sem dúvidas, era a casa mais bonita que eu já vira na vida — rivalizando apenas com a mansão dos pais de Gia. Eu adorava a Gia. Desde que nos conhecemos, tornamo-nos grandes amigas e não demorou muito para morarmos juntas pela primeira vez. Aquela rotina só fora interrompida quando Max surgiu na minha vida e eu me mudei para o apartamento dele. Agora, estando de volta com Gia por um breve momento, via-me novamente precisando de um novo rumo. Eu poderia te
A declaração de Oliver pairou no ar como um eco ensurdecedor. Depois daquilo, o restante das horas de voo transcorreu sob um silêncio denso, até quase insuportável. A confusão e a tensão entre nós atingiram um nível tão alto que parecia difícil até mesmo respirar o mesmo ar. Eu queria dizer mais coisas, queria expor todo o meu medo, mas julguei ser melhor me calar antes que tudo ficasse ainda mais estranho do que já estava. Pelo canto do olho, percebi que Oliver me observava várias vezes, o maxilar contraído, como se estivesse travando uma batalha interna e prestes a dizer algo, mas ele também não disse. Assim que desembarcamos no aeroporto e pegamos nossas bagagens, o barulho do saguão de desembarque nos trouxe de volta à realidade. — Vou pegar um táxi — declarei, ajustando a alça da minha bolsa no ombro sem encará-lo diretamente. — Eu posso te levar para casa, Sarah — Oliver disse imediatamente, a voz firme, porém carregada de uma expectativa contida. — Não, Oliver... — ne
As horas de voo avançavam em um ritmo tranquilo. Para amenizar o clima denso e dar a mim algum espaço para respirar, Oliver abriu a pasta de couro e passou a analisar uma pilha de documentos, concentrado. Aproveitei a pausa para pegar o livro que trazia na bolsa, tentando me perder nas páginas. Ficamos assim por algum tempo, cada um imerso em seu próprio mundo, até que o cansaço da viagem falou mais alto e meus olhos pesaram. Quando despertei, a luz da cabine estava ainda mais suave. Ajustei a postura na poltrona e percebi que uma manta macia cobria meus ombros. Ao meu lado, Oliver dormia serenamente, com a cabeça levemente inclinada e a expressão relaxada, sem aquela aura impecável e inalcançável do trabalho. Fiquei observando seus traços por alguns instantes. Meu peito apertou em um misto de sentimentos conflituosos. Será que tudo o que parecia estar acontecendo entre nós era real ou apenas uma ilusão criada pela minha própria cabeça? Ele havia deixado claro que também se sent
O carro nos deixou a pouca distância da Ponte Carlos. À noite, com a neve fina caindo sobre as estátuas centenárias e as luzes amareladas se refletindo nas águas escuras do Rio Vltava, o lugar parecia saído direto de um conto de fadas. O vento soprava frio, mas o casaco creme que Oliver me dera me mantinha aquecida, assim como a presença dele ao meu lado. Caminhamos em silêncio pela ponte quase deserta. A atmosfera era inegavelmente romântica, carregada de uma beleza antiga e intimista. Paramos junto à murada de pedra para admirar o Castelo de Praga iluminado no topo da colina. — É tão lindo... — murmurei, olhando para a paisagem. — É — Oliver concordou, mas quando olhei para ele, percebi que seus olhos cinza-azulados não estavam na paisagem. Ele estava me olhando. O ar entre nós congelou, mais denso do que a própria noite tcheca. Oliver deu meio passo na minha direção, o perfume amadeirado dele se misturando à brisa gelada. Ele ergueu a mão devagar, o olhar descendo para os







