FAZER LOGINUm ano e meio se passou como um sopre doce e transformador. A vida, com suas curvas imprevisíveis, finalmente havia nos colocado exatamente onde devíamos estar. Hoje, eu e Oliver moramos juntos na imponente casa dele, que agora, com o meu toque, cheiro e presença espalhados por cada cômodo, finalmente parecia um lar de verdade. Zoe continuava firme e forte em sua jornada: estava cursando música na Juilliard, dividia um apartamento com uma colega e engatara um namoro sólido com o Sean. Além disso, ela havia se reconectado com uma tia distante por parte de mãe, passando algumas temporadas do ano com ela. Obviamente, a veia superprotetora de Oliver ainda coçava de vez em quando diante da ideia de ela morar sozinha, mas ele vinha fazendo um esforço para se controlar e respeitar o espaço dela. Gia e August, por sua vez, haviam dado o próximo passo havia alguns meses. Ela se mudara para o apartamento dele e, em uma cerimônia intimista, emocionante e rodeada por quem amávamos, eles se c
A subida até o meu apartamento foi pontuada por um silêncio carregado de expectativas, daqueles em que os passos no corredor parecem ecoar em câmera lenta. Quando destranquei a porta e acendi a luz suave da sala, virei-me para encará-lo. Antes que qualquer um de nós pudesse pronunciar mais alguma palavra ensaiada, a distância que nos separara por um ano inteiro evaporou. Não foi planejado, não foi calculado; foi puramente espontâneo, urgente e de tirar o fôlego. As mãos de Oliver seguraram meu rosto com uma intensidade desesperada antes de seus lábios encontrarem os meus num beijo profundo que parecia querer resgatar o tempo perdido. Naquela noite, no aconchego do meu pequeno apartamento, as coisas voltaram exatamente para onde deveriam estar. A nossa reconciliação aconteceu de forma visceral, colando os cacos que ainda restavam e restabelecendo o nosso lugar no mundo, juntos. Nos dias seguintes, contudo, a realidade logo tratou de nos lembrar dos cuidados que precisávamos ter.
Aquela armadilha orquestrada por August e, pelo visto, silenciosamente abençoada ou incentivada por Zoe, acabou se desfazendo no exato segundo em que decidimos aceitar o inevitável. Em vez de nos virarmos e irmos embora, Oliver e eu acabamos sentados juntos na mesma mesa reservada, enquanto o garçom prontamente substituía os talheres e trazia o cardápio. O jantar, que começara sob uma nuvem espessa de surpresa, logo se dissolveu em uma conversa surpreendentemente fluida. Entre um prato e outro, fôramos preenchendo o vazio daquele ano inteiro de silêncio. Conversamos sobre o progresso impressionante de Zoe, sobre os desafios malucos da maternidade compartilhada e sobre como era gratificante ver o pequeno Nicholas crescer saudável e rodeado de amor. — Eu rodei o mundo inteiro nos últimos doze meses — contou Oliver, apoiando os cotovelos na mesa enquanto me fitava com atenção. — Fomos a clínicas na Europa, no Reino Unido, consultamos desde psiquiatras tradicionais até especialistas
A semana seguiu em seu ritmo habitual, dividida milimetricamente entre o meu novo emprego na multinacional, os prazos da faculdade e a deliciosa rotina de ajudar Gia com o pequeno Nicholas. Naquela quarta-feira à noite, contudo, a casa estava estranhamente silenciosa. Gia decidira aproveitar a folga para levar o bebê até a praça e encontrar August para um jantar a três, dando-me algumas horas preciosas de total solidão. Aproveitei a calmaria para colocar a vida doméstica em ordem: joguei uma carga de roupas coloridas na máquina de lavar, dobrei o monte de blusas que estava acumulado no armário e abri a agenda de compromissos para planejar os prazos e provas da faculdade para o resto da semana. Estava com os braços enterrados nas gavetas quando o som agudo do meu celular quebrou o silêncio do quarto. Peguei o aparelho com pressa, imaginando que fosse Gia ligando para avisar algo sobre o bebê. Mas, ao olhar para a tela, vi o nome de Zoe piscando. Franzi a testa, sentindo uma pon
Nós passamos cerca de uma hora e meia conversando naquele café. Zoe me contou detalhes surpreendentes sobre o processo de reabilitação, sobre as terapias intensivas que frequentou no exterior e sobre os planos concretos que desenhara para o seu futuro na música. No entanto, quando ela me fez aquela pergunta direta sobre os meus sentimentos por Oliver, eu simplesmente travei. Não dei resposta nenhuma. Em vez disso, dei um jeito hábil de desviar o assunto, falando sobre o cardápio do café, sobre a vizinhança e sobre qualquer outra coisa fútil que me permitisse escapar. Por mais regenerada e lúcida que Zoe parecesse naquele momento, uma parte cautelosa dentro de mim ainda guardava um pé atrás. Eu tinha medo de que o passado batesse à porta, de que algum gatilho sutil pudesse reativar o antigo descontrole emocional dela. Afinal, eu ainda trazia na memória o pânico e o desespero do nosso último encontro, exatamente um ano atrás. Na hora da despedida, Zoe me deu um abraço apertado, su
Na sexta-feira à noite, o silêncio do meu apartamento foi quebrado pelo toque insistente do celular sobre a mesinha de centro. Olhei para o visor. Eram quase nove horas da noite, e o número na tela era completamente desconhecido. Por um segundo, pensei em ignorar. Meus pais mantinham o mesmo número de telefone fixo e celular há mais de dez anos, e eu os visitara no mês anterior, antes de embarcar em mais um de seus cruzeiros de férias. Mas a insistência daquela chamada me cutucou por dentro. Hesitante, deslizei o dedo para atender e levei o aparelho ao ouvido. — Alô? — disse, a voz saindo cautelosa. Do outro lado da linha, houve um breve segundo de silêncio antes que uma voz feminina se fizesse ouvir. Ela parecia tão hesitante, tão frágil quanto eu. — Olá, Sarah... É você? Meu coração deu um salto no peito. Reconheci o timbre no mesmo instante, embora ele estivesse diferente, mais maduro e firme do que nas lembranças dolorosas que eu guardava. — Sou eu... — respondi, sen







