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Conquistador

last update Petsa ng paglalathala: 2026-01-21 22:37:16

MEL RODRIGUES

Ficar ali, aninhada sob o braço dele, era como brincar com eletricidade. Eu sentia o calor do seu corpo, a firmeza dos seus músculos e a proteção que ele emanava. Mas minha mente gritava: Ele não é para você. Ele não acredita em compromisso. Ele só está sendo legal porque é o que bombeiros fazem.

Eu me afastei delicadamente, limpando o rosto.

_ Você deve ter muitos encontros marcados, não? Desculpe ter estragado sua agenda.

Koen soltou uma risada rouca e bebeu um gole do vinho.

— Minha agenda está bem tranquila, Melissa. Acredite ou não, eu gosto da minha própria companhia.

— Aham. E das outras dez companhias que você troca toda semana.

Eu provoquei, tentando retomar meu escudo de sarcasmo.

Ele me olhou intensamente, o copo de vinho parado no ar.

— As pessoas mudam, Mel. Ou talvez elas só fiquem cansadas de procurar algo que parece não existir.

A tensão no quarto tornou-se palpável. O ar parecia ter acabado. Koen olhou para os meus lábios por um milésimo de segundo um tempo curto demais para ser um convite, mas longo o suficiente para me deixar sem fôlego.

— Melhor eu ir dormir.

Ele disse abruptamente, levantando-se.

— Tenho plantão de 24 horas amanhã. Você fica bem sozinha?

— Fico. Já sou bem grandinha, Koen.

— Eu percebi.

Ele murmurou, quase para si mesmo, antes de sair do quarto e fechar a porta.

Eu fiquei ali, segurando o copo de vinho com as duas mãos, o coração batendo como um tambor. Eu tinha cinco meses pela frente. Cinco meses dividindo a cozinha, o sofá e a tensão com o homem que era meu maior sonho e meu pior pesadelo.

Se o incêndio no meu apartamento tinha sido devastador, eu tinha a sensação de que o que estava prestes a acontecer entre aquelas paredes seria um fogo que nenhum bombeiro, nem mesmo Koen Fiore, seria capaz de apagar.

Amanhã eu teria que começar a comprar minhas próprias roupas. Teria que reconstruir minha identidade. Mas, enquanto olhava para a camiseta dele no meu corpo, eu sabia de uma coisa: eu não era mais a "irmãzinha do Cadu". E, pela forma como Koen me olhou, ele também tinha percebido isso.

O problema era que eu queria um "felizes para sempre", e Koen... Koen era o mestre do "apenas por agora". E em uma guerra entre o coração e a razão, geralmente é o fogo que vence.

Na manhã seguinte, o sol do Rio de Janeiro entrou pelas frestas da cortina, lembrando-me de que o mundo lá fora continuava girando, mesmo que o meu tivesse parado. Ouvi o som da porta da frente batendo Koen indo para o plantão.

Fui até a cozinha e encontrei um bilhete em cima da cafeteira, junto com um cartão de crédito.

"Compre o que precisar. Não discuta, é um empréstimo até o seguro pagar. Tem café fresco. Tente não colocar fogo na minha cozinha. K."

Eu ri, uma risada genuína que não dava há dias. Ele era irritante, convencido e perigosamente atraente. E pelos próximos 150 dias, ele seria o meu único lar.

No que será que isso vai dar? Eu não tinha a menor ideia, mas enquanto tomava aquele café, sentindo o aroma preencher o apartamento, eu soube que as cinzas do meu passado estavam finalmente esfriando, dando lugar a um tipo de calor muito mais perigoso.

KOEN FIORE

O fim de semana chegou como uma bênção para mim. Depois de mais um plantão exaustivo, a promessa de uma noite com os meus amigos era um alívio. Eu tinha ligado para Mel antes de sair do trabalho, avisando que estaria fora e que ela não se preocupasse. A conversa foi breve e profissional, como vinhamos tentando manter a relação nos últimos dias, mas a voz dela ainda me perturbava de um jeito estranho.

Eu encontrei meus amigos

Lucas, o brincalhão do grupo; Thiago, o mais quieto e observador; Bruno, o cobiçado por todas as moças da zona sul; e Rafa, o mais velho e sensato no bar/restaurante que nós frequentavamos há anos. O lugar estava lotado, a música tocava em um volume agradável e o cheiro de petiscos e cerveja gelada preenchia o ar.

— Finalmente, a lenda aparece! Achei que tinha virado padre depois dessa última missão.

Lucas brincou, dando um tapa nas minhas costas enquanto eu me sentava.

— Qual é, Lucas. Só estou cansado. E a missão foi um inferno

Pedi uma cerveja, os olhos ainda um pouco avermelhados da fumaça dos últimos dias.

— Falando em inferno…

Thiago, que estava do meu lado me cutucou.

— Fiquei sabendo que você salvou uma gata linda outro dia. No incêndio lá na Zona Oeste.

Dei de ombros, pegando minha cerveja.

— Faz parte do trabalho, né?

— Sim, mas me disseram que você parecia conhecer a moça. Tipo, conhecer mesmo.

Thiago insistiu, com um sorriso malicioso.

— Quem era a sortuda?

Bebi um longo gole. Eu sabia que essa pergunta viria.

— Era a Melissa. Mel. Irmã do Cadu.

Lucas e Bruno se entreolharam, surpresos.

— A Melissa? Caramba! A irmãzinha do Cadu? Aquela pirralha virou um mulherão!

Bruno exclamou, os olhos arregalados.

— Eu lembro dela correndo no quintal com a gente. Ela era uma pestinha, mas já dava para ver que ia ficar gostosa.

— Bruno!

Eu o repreendo, sentindo o meu rosto esquentar.

— Qual é, Koen. Ela é gata pra caramba!

Lucas concordou.

— Mas espera aí. Se ela é a irmã do Cadu, e você a salvou... ela tá onde? No hospital? Na casa dos pais?

Eu hesitou por um momento,mas sabia que meus amigos iriam descobrir cedo ou tarde.

— Ela está na minha casa. Temporariamente. O apartamento dela pegou fogo, e os pais estão viajando. O Cadu também está fora. Ela não tinha para onde ir.

Um silêncio momentâneo caiu sobre a mesa. Então, Lucas foi o primeiro a se recuperar.

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