FAZER LOGINHanna Ross
Saio de lá disparada, não consigo escutar mais nada, ando pelas ruas sem saber para onde vou, apenas ando sem rumo. No final da rua tinha um bar onde sem pensar duas vezes entro e peço uma dose de uísque, tomo o líquido âmbar de uma vez que desce rasgando minha garganta. Olho novamente para o barman e peço outra dose e assim seguiram mais umas três vezes até que alguém senta ao meu lado e diz: — Acho que você já bebeu demais. — Quem é você para falar o que acha sobre mim. — Talvez alguém que conhece sua dor. — Ninguém pode, você não sabe de nada… Ele não fala nada colando nossos lábios em um beijo suave. Olho para ele, pronta para retrucar, mas minha língua parece travar ao encarar seus olhos intensos. O homem tem um olhar escuro, misterioso, como se pudesse enxergar além da minha fúria e do álcool que queima meu sangue. — Você tem algum problema? — solto, ainda sentindo o gosto do uísque e da provocação na boca. — Quem te deu o direito de sair me beijando assim? Ele ergue uma sobrancelha, divertido. — Você não calava a boca. Achei que era a única solução. Abro a boca, indignada, mas fecho em seguida. O pior é que ele não está errado. Estou tão carregada de raiva e frustração que só consigo cuspir palavras afiadas sem qualquer rumo. E, por um segundo, quando seus lábios tocaram os meus, tudo parou. Ele se inclina um pouco mais para perto, e eu percebo detalhes que antes passaram despercebidos: a linha marcada do maxilar, a barba rala que desenha sua pele, o perfume amadeirado que me embriaga ainda mais. — Acho que você quer outra dose — ele murmura, arrastando o polegar pelo meu lábio inferior. Meu corpo responde antes da minha mente. Minhas mãos agarram sua nuca, puxando-o de volta para mim. Ele atende ao meu pedido mudo, capturando meus lábios com os dele, e dessa vez o beijo é mais profundo, mais quente, mais exigente. Minha pele arrepia. Meu coração martela contra as costelas. Não sei se é o álcool ou o desejo — talvez ambos — mas quando ele se afasta, um sorriso enviesado nos lábios, eu ainda o quero. — Vamos para outro lugar? — ele sussurra, os lábios ainda roçando os meus. Minha respiração está pesada, e minha cabeça gira. Uma parte de mim grita para sair correndo, para não me perder mais uma vez, mas a outra… a outra só quer apagar tudo com ele. E nesse momento, é essa parte que vence. — Vamos. Ainda desnorteada, não sei se pela frustração do meu noivado fracassado, ou inebriada por conta da bebida, ou pelo beijo desse perfeito desconhecido. Só me dei conta de onde estávamos quando ele me colocou no chão, nem sei em qual momento ele me pegou em seus braços. Seus lábios encontram os meus novamente, e eu me perco neles, no calor, no gosto, no desejo cru que me faz esquecer tudo o que aconteceu algumas horas atrás. Meu noivado? O casamento perfeito que desmoronou diante dos meus olhos? Nada disso importa agora. Seus braços me seguram firme, suas mãos grandes exploram minha cintura, como se quisesse me manter ali, junto a ele, como se eu fosse sua desde sempre. Meu corpo se aquece sob seu toque, e eu retribuo na mesma intensidade, deixando minhas unhas arranharem de leve a nuca dele. Um gemido rouco escapa da garganta do desconhecido, e isso me faz sorrir contra sua boca. Ele se afasta um pouco, o suficiente para me encarar nos olhos. Sua respiração está acelerada, assim como a minha. — Eu não sei nem seu nome — murmuro, minha voz saindo mais rouca do que eu esperava. Ele sorri de canto, os dedos traçando um caminho preguiçoso pelo meu braço nu. — E se a gente continuar assim? Como dois estranhos que só querem apagar o mundo por uma noite? Meu coração dá um salto. A ideia deveria me assustar, deveria me fazer sair correndo, mas, em vez disso, um arrepio percorre minha pele. — Como eu sei que você não é um psicopata? Ele solta uma risada baixa, divertida. — Psicopatas não beijam assim. — Como você sabe? — Porque se beijassem, ninguém fugiria. Mordo o lábio, tentando conter um sorriso. O álcool ainda faz minha cabeça girar, mas não o suficiente para me impedir de perceber o que estou prestes a fazer. Ou talvez faça, porque eu simplesmente não me importo. Ele me observa, esperando minha resposta. Minhas mãos deslizam por seu peito firme antes de agarrar sua camisa e puxá-lo de volta para mim. — Então me faz esquecer. E ele faz. Seus braços me envolvem com firmeza, e dessa vez não há hesitação. Eu me entrego. Ao calor. Às mãos dele. Aos beijos que queimam minha pele mais do que qualquer dose de uísque. Mal consigo lembrar como chegamos até aqui. Sei que as luzes do bar ficaram para trás, e em algum momento entramos num táxi. Não trocamos palavras, só olhares. Intensos, perigosos, como se estivéssemos prestes a atravessar uma linha sem volta. E eu estava. Agora estou aqui, dentro de um quarto que não reconheço, mas que cheira a ele. É um lugar escuro, de luz baixa, paredes em tom vinho e cortinas grossas que impedem o mundo de entrar. Um refúgio ou uma armadilha, ainda não sei. Ele me pressiona contra a porta assim que ela se fecha. Seus olhos encontram os meus, e dessa vez não há sorrisos. Só desejo. Puro. Cru. Quente. — Você ainda pode desistir se quiser… — ele murmura, a voz baixa, rouca, arranhando meu juízo. Eu rio. Um riso sem humor, carregado de tudo que me rasgou por dentro hoje. — Eu já desisti. De tudo. Só não de agora. Ele me beija como se precisasse disso para respirar. Como se quisesse me consumir inteira. E talvez eu queira ser consumida. Talvez, por uma noite, eu precise esquecer que tudo que planejei virou cinza. Nossos corpos se encontram como se sempre tivessem se conhecido. Meus dedos exploram sua pele como se procurassem respostas. Ou alívio. Ou só outra razão para continuar não sentindo nada que me machuca. A cada toque, cada suspiro, cada gemido abafado entre beijos, eu me deixo ir um pouco mais. Como se ele fosse a âncora que me impede de afundar ainda mais nesse mar revolto de mágoa. Em algum momento, perco as contas de quantas vezes ele sussurra algo que não entendo, pois ele fala em inglês. O calor dele me envolve por completo, e eu me deixo levar. Suas mãos deslizam pelo meu corpo, traçando um caminho que me faz arfar, me faz esquecer de tudo que um dia me prendeu. Meus dedos deslizam pela nuca dele, afundando-se em seus cabelos, puxando-o para mais perto, como se eu pudesse me perder nele e, ao mesmo tempo, me encontrar. Ele desfaz minhas roupas com uma lentidão torturante, como se quisesse decorar cada centímetro da minha pele, cada arrepio que causa. Seus lábios seguem o mesmo percurso, deixando rastros úmidos que queimam mais do que qualquer bebida forte que já tenha provado. Eu gemo quando ele chega ao meu pescoço, sentindo seus dentes roçarem levemente a pele sensível. Meu corpo arqueia sob o dele, respondendo de um jeito que nunca aconteceu antes. Nem em quatro anos ao lado de Matheus senti algo assim. Nunca houve esse fogo, esse desejo bruto que me consome inteira. — Você é linda — ele murmura contra minha pele, a voz rouca, carregada de luxúria, num sotaque britânico que me deixa ainda mais inebriada. Eu deveria me importar. Deveria lembrar que esse homem é um completo desconhecido. Mas agora, nada disso importa. Tudo o que quero é apagar as lembranças do que perdi, do que nunca tive de verdade. E, essa noite, ele é exatamente o que preciso. Ele me deita sobre a cama e vem se colocando sobre meu corpo, neste momento minha mente clareia como se lembrasse que sou virgem, que homem nenhum me tocou dessa forma, mas não quero que ele pare, hoje quero apenas me sentir desejada. Ele beija meu corpo novamente se retirando de cima de mim, sinto um vazio que logo ele volta a preencher, porém, agora ele voltou totalmente despido e seu membro totalmente ereto, ele rasga o preservativo e o coloca me dando o vislumbre das suas ações. Minha intimidade molha só em observar ele realizando cada movimento. — Logo te darei o que você quer… my dear. — Não aguento mais esperar. — sussurro já enlouquecida. Ele volta e se coloca entre minhas pernas e quando seus lábios tocam minha vagina, fico alucinada, nunca senti tanta vontade é como se meu corpo pertencesse a esse desconhecido, ele ainda entre minhas pernas me olha e vem subindo até se encaixar em meu corpo e quando seu membro adentra minha entrada ele percebe: — Garota, você é virgem? — Isso faz alguma diferença?Capítulo — Entre Olhares e PromessasNicolas LancasterA forma como Hanna me olhava depois de tudo dizia mais do que qualquer palavra.Não existia mais distância.Nem medo.Só nós dois.Depois de meses carregando culpa, luto e confusão dentro do peito, finalmente senti que podia respirar outra vez. E a razão estava ali, sentada no meu colo horas antes, me beijando como se também tivesse encontrado o caminho de volta para casa.Hanna.Meu Deus…Eu nunca deveria ter tentado fugir dela.Naquela tarde, tudo entre nós aconteceu de maneira intensa e inevitável. Cada beijo carregava saudade. Cada toque parecia apagar um pouco da dor que passamos separados.Não havia pressa.Mas também não existia mais espaço para negar o que sentíamos.A maneira como ela se entregava aos meus braços, como seus dedos percorriam meu rosto enquanto me olhava nos olhos… aquilo mexia comigo em um nível perigoso.Porque não era apenas desejo.Era amor.Um amor forte o suficiente para sobreviver aos meus erros.Qua
Hanna Ross As palavras do Nicolas foram, antes de tudo, sinceras, mas não podia me deixar levar novamente; preciso saber das reais intenções dele. Já sofri muito e não quero passar por isso novamente. No entanto, algo dentro de mim começou a mudar. A lembrança do sorriso dele, a forma como seus olhos brilhavam quando falava sobre seus sonhos, tudo isso me fazia questionar se realmente estava disposta a fechar a porta para ele. Certa tarde, enquanto caminhava pelo parque, vi Nicolas sentado em um banco, perdido em pensamentos. O coração acelerou. Eu sabia que precisava enfrentá-lo, mas o medo de me machucar novamente quase me paralisou. Respirei fundo e me aproximei. — Nicolas? — chamei, hesitante. Ele levantou a cabeça, e nossos olhares se cruzaram. Havia uma mistura de alívio e ansiedade em seu rosto. — Hanna... — ele disse, a voz trêmula. — Eu estava esperando por você. Sentei-me ao seu lado, o silêncio entre nós era pesado, mas, ao mesmo tempo, carregado de emoções não ditas. — Eu
Nicolas Lancaster Não estava preparado para ver o amor da minha vida sofrer, mas foi isso que vi quando a Sarah levou a Hanna embora, me deixando para trás com o intuito de que eu pudesse resolver a confusão que a Giovanna veio instalar aqui. — Amor, quem é essa Hanna? — Giovanna, não sou seu amor, e você sabe disso. O que aconteceu entre nós foi um erro que aconteceu em meio à minha dor por ter perdido sua irmã semanas antes do nosso casamento. Estava embriagado e confuso naquele dia. Aquilo jamais poderia ter acontecido. — Está insinuando que me aproveitei de você? Que usei a dor que você estava sentindo para te levar para a cama Nicolas, sempre te amei em silêncio, estava disposta a levar meus sentimentos sempre comigo, mas daí a Giulia morreu. O que posso fazer? Não vou fingir que nada aconteceu entre nós. Sei o quanto foi verdadeiro. — Giovanna, como pode ser verdadeiro se chamei pela Giulia enquanto estava com você na cama? Era na Giulia que eu pensava; estava muito recente
Hanna Ross O caminho até a casa dos tios do Nicolas era, antes de mais nada, tenso. Queria falar várias coisas, mas, em vez disso, preferi me calar. Minha mente era uma montanha-russa cheia de altos e baixos. Não sabia o que falar; gosto muito de estar com ele e não suportaria saber que realmente ele está namorando outra. Sim, ela deve ser mesmo sua namorada, mas por que todo esse romantismo da noite passada? Por que ele fez questão de que viesse com ele para essa conversa?Não consigo entender; quero confiar no Nicolas, mas, depois de tudo que passei com o Matheus, fico sempre com um pé atrás.O carro mal terminou de parar e meu coração já estava acelerado como se quisesse fugir de mim.Eu nem tive tempo de processar direito onde estávamos.A porta da casa se abriu com pressa.E então… ela apareceu.Giovanna, linda, impecável. Como alguém que sabia exatamente o lugar que ocupava.Antes que eu pudesse sequer respirar direito, ela correu na direção do carro. Meu corpo travou automa
Nicolas Lancaster O silêncio entre nós muda. Já não é leve. Já não é confortável. É pesado… carregado de tudo que ainda não foi dito. Eu passo a mão pelo cabelo, tentando organizar os pensamentos, mas a única coisa que consigo sentir é aquele aperto estranho no peito. Como se eu já soubesse. Como se, se eu sair por aquela porta agora… eu pudesse perder ela. Perder isso. Olho para a Hanna. De verdade. E encontro aquele olhar confuso, defensivo… mas também ferido. Isso é o suficiente. — Hanna… — chamo, dando um passo na direção dela. Ela ergue o olhar devagar. — O que foi? — pergunta, tentando manter o tom neutro… mas não consegue esconder completamente. Eu solto o ar devagar. — Vem comigo. Vamos para a casa dos meus tios e resolver de uma vez por todas esse mal-entendido. Ela franze levemente o cenho, surpresa. — O quê? Aproximo mais um pouco. — Vem comigo resolver isso. É isso que te peço; não quero esconder nada de você. Ela me encara por alguns segundos, como se
Hanna RossA primeira coisa que percebo ao acordar é o silêncio.Não aquele silêncio vazio… mas um silêncio tranquilo, quase acolhedor. Como se o mundo lá fora tivesse decidido nos dar algumas horas a mais antes de cobrar qualquer coisa.A segunda coisa… é ele.Nicolas ainda está ali, ao meu lado, respirando de forma lenta e profunda, completamente entregue ao sono. O rosto relaxado, distante daquela intensidade que ele carrega quando está acordado. Por um instante, fico apenas observando.E então… um sorriso bobo simplesmente nasce nos meus lábios.É inevitável.Porque dessa vez eu lembro.De tudo.Do jeito que ele me olhou, do cuidado em cada gesto, da forma como nada pareceu apressado ou errado. Não foi um erro, não foi uma fuga… foi escolha.Minha escolha.A nossa escolha.Deslizo um pouco mais perto, apoiando o peso no braço enquanto observo melhor os traços dele, como se ainda estivesse tentando memorizar. Como se existisse um medo pequeno, quase imperceptível, de que aquilo pud







