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10 - O jantar

Author: Anuka
last update publish date: 2026-10-15 17:44:48

ARTUR

Estou dentro da universidade à espera que a Rayane chegue; ela teve a última aula e, pelo que me disse, adaptou-se bem à cadeira. Entretanto, já dei uma palavrinha com a pró-reitora, que por acaso era minha conhecida, e ela assegurou-me que a Rayane iria ter toda a assistência necessária nestas próximas semanas.

Quando ela chega, eu abro a porta lateral e ela sobe com a cadeira. Realmente dá muito jeito toda esta tecnologia, tem sido mais fácil ajustar os meu horários de trabalho com as aulas de Rayane.

Quando chegámos a casa, e Rayane pediu-me ajuda para ir à casa de banho; realmente deve ser complicado orientar-se sem um braço e uma perna.

Pediu película aderente para tapar o gesso, pois queria tomar banho.

Quando fui à cozinha, reparei que o Guilherme já estava a preparar o nosso jantar.

— Vou só ajudar a Rayane a enfaixar a perna para tomar banho e já venho ajudar.

— Não precisas, eu tenho tudo controlado. É melhor aproveitares e tomares um banho também, porque estás a cheirar mal.

— A sério? Não tinha percebido — digo, cheirando o meu sovaco.

— Pois é, já estás habituado - ele pisca-me o olho com olhar provocatório e eu sigo o meu caminho.

Ajudo a Rayane com a película e deixo-a na casa de banho com tudo o que ela precisa. Depois é a minha vez de correr para o banho. Aproveito para relaxar um pouco em baixo de água quente e perco a noção do tempo, quando finalmente saio ouço o telemóvel, é Rayane a ligar. Ponho a toalha à cintura e corro para o quarto dela.

RAYANE

Já chamei esse cara no celular 5 vezes e ele não vem, onde será que ele esta?

Entra de rompante no meu quarto, de toalha, todo molhado e descalço. Nossa mas até o pé desse cara é lindo, delicado mas ao mesmo tempo másculo. O cabelo pingando colado no rosto, as gotas escorrendo pelo seu peito sarado e um tanquinho que dava pra eu lavar a cueca nele. Nossa esse homem existe para me tentar. Oh Senhor por favor me protege desses desejos impuros.

Ele se aproximou e me pegou no colo, mais uma vez tentando manter a distância, me colocou na cadeira e depois foi embora. Daí uns 5 minutos voltou já vestido e cheiroso, com uma roupa de rico andar por casa. Ou seja, estava pronto para qualquer programa de pobre.

ARTUR

Acompanhei Rayane até à cozinha onde estava Guilherme com a mesa posta e a distribuir travessas, quando o seu telefone toca.

- O quê? A sério, não digas mais, da-me 15 minutos.

Desligou e olhou para mim com cara de pena.

- Parece que afinal vou-vos deixar mais cedo. Os meus amigos combinaram de ir comer Sushi, sabes bem que não se diz não a Sushi.

- Mas estiveste a fazer o jantar?

- De nada, desfrutem. Sabes que sou um chef magnífico.

- Sim, eu sei. Aparece outro dia.

- Claro que sim.

E o furacão tal como chegou, abalou.

- Bem, temos o dever de aproveitar esta refeição.

- Sim, pena que ele teve que sair tão rápido.

É, às vezes acontece; marcam coisas de última hora.

É de última hora, sei, tanto que ele só botou dois pratos na mesa.

Rayane coloca-se na mesa onde não tem cadeira, já propositadamente para que ela possa encostar a sua, e eu reparo nas suas palavras e em como elas são certeiras. Depois comecei a reparar na mesa, velas, tábua de queijos e paté, depois para jantar uma posta de salmão com batatas e brócolos. E para finalizar um fondue de chocolate com morangos. Um jantar bem romântico e só para nós os dois.

Iniciámos o jantar com uma oração, como temos feito em todas as refeições, desde que Rayane chegou a esta casa. Confesso que nunca fui muito religioso, mas segurar as suas mãos enquanto ela pede bênçãos para esta casa e até para mim, tem sido os pontos altos dos meus dias.

O jantar até correu muito bem, conseguimos ter uma boa conversa sobre os nossos interesses, os estudos dela e a criação do meu hotel, conseguimos nos abstrair do facto de estarmos zangados. No fim da refeição Rayane levanta-se da cadeira tentando ajudar a arrumar a loiça e eu rapidamente a impeço de o fazer.

- Não, não, a menina fique sossegadinha que eu arrumo tudo - digo tirando-lhe os pratos das mãos.

- Mas não é justo, eu quero poder ajudar.

- Ajudas estando quietinha. - digo limpando um pouco de chocolate do canto da sua boca.

Ela olha para mim com uns olhos, que a meu ver parece, olhos de desejo, entreabre a boca e começa a ofegar um pouco. É o meu convite, não consigo mais segurar esta vontade, esta força dentro de mim. Jogo os pratos para cima da mesa sem me preocupar se os parti ou não, sem nunca desviar o contato visual com ela. Com a minha mão direita agarro-a pela cintura e com a esquerda seguro a sua nuca e beijo-a, primeiro um beijo casto, apalpando terreno, demorado, estou a dar-lhe tempo de me empurrar, de me afastar e esbofetear. Mas isso não acontece, e para minha surpresa ela corresponde e beija-me de volta. É a minha deixa para aprofundar o beijo, mais urgente mais desesperado, ela coloca o seu bracinho bom à volta do meu pescoço e é aí que me perco nos seus braços e nestas emoções que nunca tinha sentido. É o meu primeiro beijo, mesmo que ela não saiba mesmo que não pareça, estou pela primeira vez a testar emoções tão intimas. Tanto que preciso de uma pausa, paro o beijo e encosto a minha testa à dela. Ofegante digo:

- Nem sabes há quanto tempo queria fazer isto.

Ela não respondeu e eu voltei a capturar os seus lábios doces e carnudos, puxei-a mais para mim e foi aí que o meu amigo bem animado estragou tudo, ela sentiu o volume nas minhas calças e assustou-se. Afastou-me e disse as piores palavras que alguém pode ouvir nesta situação.

- Desculpa, isto foi um erro.

Anuka

As coisas estão a aquecer, espero que estejam a gostar :)

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