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## Capítulo 20: Sob a Sombra de Dom Matteo

last update publish date: 2026-07-31 10:19:19

Perspectiva do Médico

As portas duplas de acesso restrito se fecharam atrás de mim com um baque abafado, mas a sensação do tecido do meu jaleco sendo violentamente puxado e a Frieza absoluta no olhar de Dom Matteo Giordano continuavam impregnadas em cada centímetro do meu corpo. Meus dedos ainda tremiam discretamente enquanto eu corria em direção à sala de ressuscitação. O suor frio escorria da minha fonte, descendo pela linha da máscara cirúrgica que eu tentava ajustar a todo custo.

Eu não er
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    A estrada para Como era uma serpente de asfalto molhado cortando a vegetação densa das colinas. A névoa da manhã pendia baixa sobre o vale, escondendo o contorno das montanhas e envolvendo o comboio de SUVs pretos em uma atmosfera cinzenta e soturna. Dentro do banco traseiro do veículo da frente, mantive meu olhar fixo no vazio do caminho, sentindo o peso do compromisso assumido ao lado do leito de Aurora.A imagem dos dedos dela cravados na minha mão e o som daquela voz rouca implorando pela vida do pai e pelo poupar da vida do irmão ainda ressoavam na minha mente. A misericórdia não era um conceito que eu costumava cultivar. Na nossa organização, a fraqueza diante de uma traição daquela magnitude costumava ser o primeiro passo para a ruína. Porém, a promessa feita a Aurora era inviolável. Paolo não morreria, mas aprenderia que viver sob a minha sentença podia ser infinitamente mais doloroso do que o disparo de uma pistola.— Dom Matteo — a voz de Marco soou do banco do passageiro da

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    A notícia dita pelo médico ressoou pelo corredor silencioso como a única sentença aceitável naquela madrugada. Olhei nos olhos do homem por alguns segundos, observando a palidez estampada em sua pele e o suor que ainda brilhava em sua testa. A rigidez extrema que travava os músculos dos meus ombros cedeu ligeiramente, substituída por um controle frio e absoluto.— Ela está consciente? — perguntei, a voz grave e pausada cortando o ar estéril do hospital.— Não, Dom Matteo — respondeu o doutor Aris, ajeitando a postura e tentando manter a firmeza na voz. — Ela passou por um evento de anoxia severa e edema glótico. Precisamos realizar um procedimento cirúrgico de emergência no pescoço para garantir a entrada de ar. Ela está sob sedação leve para que as vias aéreas se recuperem sem o estresse da dor. Vamos transferi-la para a Unidade de Terapia Intensiva nas próximas horas.— Não — decretei sem hesitar, dando um passo à frente. — Ela não vai para a ala geral da UTI. Quero o andar superior

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    Perspectiva do Médico As portas duplas de acesso restrito se fecharam atrás de mim com um baque abafado, mas a sensação do tecido do meu jaleco sendo violentamente puxado e a Frieza absoluta no olhar de Dom Matteo Giordano continuavam impregnadas em cada centímetro do meu corpo. Meus dedos ainda tremiam discretamente enquanto eu corria em direção à sala de ressuscitação. O suor frio escorria da minha fonte, descendo pela linha da máscara cirúrgica que eu tentava ajustar a todo custo.Eu não era um recém-formado. Exercia a medicina de emergência no Hospital San Raffaele há mais de vinte anos e já havia atendido vítimas de acidentes brutais, ferimentos de arma de fogo e grandes traumas. No entanto, a ameaça murmurada por aquele homem no corredor não parecia uma força de expressão. Era uma promessa direta, cirúrgica e letal. Se aquela garota morresse naquela mesa, nenhum de nós saindo daquela sala veria a luz do dia seguinte.— Doutor Aris! A saturação caiu para 82%! — gritou a enfermei

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    A porta de ferro cedeu sob o impacto do chute, colidindo contra a parede de alvenaria com um estrondo que ecoou pelas vigas de aço do galpão. Avancei para o interior do antigo escritório com a pistola em rasteira, os olhos varrendo cada canto da sala iluminada apenas por uma lâmpada fraca pendurada por um fio descascado no teto.Não havia mais atiradores. O espaço cheirava a mofo, umidade e poeira acumulada de décadas.E então eu a vi.Aurora estava jogada no chão de concreto frio, no canto mais distante da sala. O vestido leve que usava estava completamente coberto por uma camada espessa de poeira cinzenta e detritos da fábrica abandonada. Seu corpo pequeno parecia ainda mais vulnerável sob a luz amarelada e vacilante da lâmpada. As mãos estavam soltas ao lado do tronco, mas a posição em que caíra indicava que desabara sem qualquer defesa.Abaixei a arma imediatamente, guardando-a no coldre enquanto cruzava o cômodo em três passadas largas. Ajoelhei-me ao seu lado no concreto úmido,

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