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O Espelho e as Marcas da Exaustão

Penulis: Lyaah
last update Tanggal publikasi: 2026-09-11 15:33:34

CAPÍTULO 7

O Espelho e as Marcas da Exaustão

As luzes do quadragésimo andar já haviam mudado para a iluminação noturna reduzida há mais de duas horas. Passava das vinte e uma horas de uma quinta-feira exaustiva, e a imensa sede da Mason & Partners estava completamente silenciosa. Apenas o zumbido contínuo do sistema de filtragem de ar e o suave clique das teclas sob os dedos de Jessy quebravam o vazio do espaço.

Jessy continuava em sua mesa. Havia dispensado Maya e o restante da equipe às dezoito horas, insistindo que finalizaria pessoalmente as diretrizes de mídia para a equipe de Ethan Conor. No entanto, o arquivo no computador permanecia estático na mesma página há quase quarenta minutos.

A dor na região occipital da cabeça deixara de ser uma pulsação distante para se transformar em um peso contínuo, espalhando-se pelos ombros e pescoço. Sua visão, após mais de doze horas fixada em telas de alta definição, começara a apresentar pequenos pontos luminosos que embaçavam as linhas das planilhas.

Jessy suspirou profundamente e apoiou os cotovelos na madeira maciça da mesa. Fechou os olhos por um instante, pressionando a base das palmas das mãos contra as órbitas. Sentia um frio repentino nas extremidades dos dedos, acompanhado por um tremor sutil que tentou ignorar.

— É apenas cansaço — murmurou para a sala vazia, com a voz rouca. — Amanhã o cronograma volta ao normal.

Decidida a encerrar o expediente, ela colocou o notebook em modo de espera e ficou de pé. No entanto, no exato segundo em que o peso do corpo se transferiu para os pés, o chão pareceu perder a firmeza. Uma onda avassaladora de vertigem fez o teto da sala girar em um ângulo vertiginoso.

Jessy cambaleou para o lado, esbarrando na quina da mesa. Sua mão buscou cegamente o apoio de couro da cadeira executiva, mas os dedos sem força deslizaram pela superfície. Seu corpo cedeu, e ela caiu ajoelhada sobre o piso macio do tapete persa que decorava a sala da diretoria.

A respiração de Jessy tornou-se curta e acelerada. O peito subia e descia em um ritmo desordenado, e uma camada fina de suor frio brotou em sua testa. A queda brusca de pressão fazia seus ouvidos zunirem, abafando qualquer som externo.

Ficou imóvel por alguns minutos, de olhos fechados, a testa apoiada na borda estofada da poltrona, esperando desesperadamente que a tontura passasse. Ninguém estava no prédio além da equipe de segurança no subsolo. A ideia de acionar o alarme do celular ou pedir ajuda pelo interfone parecia, para sua mente moldada na autossuficiência, um ato de rendição inaceitável. A imagem de uma executiva da família Mason vulnerável e incapacitada era algo que ela não podia se permitir projetar.

Lentamente, reunindo até a última gota de força de vontade, Jessy abriu os olhos e apoiou os braços no assento da poltrona, empurrando o corpo para cima. Ficou de pé com dificuldade, segurando-se no encosto até garantir que o chão permanecesse firme sob seus sapatos de salto.

Caminhou a passos lentos e calculados até o banheiro privativo anexo à sua sala. A iluminação de LED automática acendeu-se, revelando sua imagem no espelho de corpo inteiro.

O contraste entre a roupa impecável e seu estado físico era estarrecedor. O blazer pérola sob medida e os brincos dourados adornavam uma mulher cuja pele negra perdera o viço natural, exibindo uma palidez acinzentada. As olheiras escuras sob os olhos desenhavam uma feição de profundo esgotamento. Seus lábios estavam secos, e o olhar, habitualmente magnético e altivo, parecia opaco e assustado.

Jessy abriu a torneira de monocomando, deixando a água corrente gelada acumular-se em suas mãos antes de jogá-la contra o rosto. A sensação fria fez seu corpo estremecer, cortando temporariamente o torpor da tontura.

Ela pegou uma toalha de algodão egípcio, enxugou o rosto com cuidado para não borratar o que restava da maquiagem e encarou a própria imagem fixa no espelho.

Pela primeira vez em anos, Jessy Mason sentiu medo. Não medo de perder um contrato bilionário ou de decepcionar as exigências implacáveis do pai e do irmão. Era o medo genuíno e primitivo de perceber que sua estrutura física e mental estava no limite absoluto da exaustão. A rotina de privação de sono, refeições puladas, doses diárias de café e estresse corporativo constante cobrava uma conta cujo valor ela já não conseguia quitar apenas com força de vontade.

Com as mãos trêmulas apoiadas nas bordas da bancada de mármore, ela lembrou-se das palavras de Ethan pronunciadas horas antes na recepção: "Não tenho interesse em ver a mente por trás da nossa melhor campanha ruir antes mesmo da assinatura final."

Ele enxergara a verdade através da armadura que ela passara uma década construindo.

Jessy respirou fundo, ergueu o queixo e ajustou a gola do blazer diante do espelho. Ela recompos a postura com a firmeza de uma guerreira que recusa a entrega, embora soubesse, no fundo da alma, que a próxima queda seria inevitável se nada mudasse.

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