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Uma Visita sem Aviso

last update Veröffentlichungsdatum: 11.09.2026 15:34:19

CAPÍTULO 8

Uma Visita sem Aviso

A chuva fina que começara a cair sobre a cidade há cerca de vinte minutos transformava os vidros da fachada do prédio em um painel distorcido de luzes. No quadragésimo andar, o silêncio permanecia denso. Jessy havia voltado à sua mesa de trabalho, segurando uma xícara de água morna com as duas mãos para tentar conter o leve tremor nos dedos, enquanto tentava focar nos documentos sobre a mesa.

De repente, o sinal sonoro do elevador privativo ressoou suavemente no corredor deserto, quebrando a quietude do ambiente.

Jessy franziu as sobrancelhas, surpresa. O acesso àquele andar após as vinte e uma horas era estritamente restrito e exigia credenciais de nível executivo. Ela colocou a xícara sobre a bancada e deu alguns passos em direção à entrada da diretoria.

A porta de vidro fosco deslizou, e Ethan Conor surgiu no corredor.

Ele não vestia mais o paletó azul-noite do início do dia. Estava com as mangas da camisa social branca dobradas até os antebraços e segurava uma pasta de couro rígida sob o armo. Ao ver Jessy de pé no meio do saguão, seus passos diminuíram o ritmo.

— Sra. Mason — disse Ethan, sua voz soando calma e grave na imensidão do andar silencioso. — Acreditei que encontraria apenas a equipe de plantão da segurança para entregar os anexos técnicos atualizados que seu irmão solicitou no final da tarde. Não esperava vê-la aqui a esta hora.

— Sr. Conor — respondeu Jessy, esforçando-se para projetar sua voz com a clareza e autoridade habituais, embora a fraqueza em suas pernas fizesse o gesto parecer custoso. — Eu costumo acompanhar pessoalmente o encerramento do expediente quando temos entregas prioritárias. O dever da agência é garantir que nada passe sem revisão.

Ethan caminhou devagar em sua direção, os olhos escuros analisando cada detalhe da postura da publicitária. Ele não deixou de notar a rigidez exagerada com que ela se mantinha em pé, o modo como seus lábios estavam desprovidos de cor e o tremor quase imperceptível em sua mão esquerda.

— O dever de uma diretora-executiva também envolve preservar a própria capacidade de liderar, Jessy — observou Ethan, parando a dois passos dela. — A senhora está com uma palidez preocupante desde a nossa reunião das dez da manhã.

— É apenas o cansaço do dia, Sr. Conor. Já estou me preparando para ir para casa — mentiu ela, tentando esboçar um sorriso cortês.

Ao dar o primeiro passo para retornar à sua mesa e recolher seus pertences, a visão de Jessy falhou novamente. A sala pareceu inclinar-se bruscamente para a esquerda, e seu joelho dobrou-se involuntariamente.

Antes que ela pudesse atingir o chão, Ethan moveu-se com agilidade impressionante. Ele largou a pasta sobre a mesa lateral e amparou Jessy firmemente pelos braços, sustentando o peso do corpo dela contra o seu antes que o impacto ocorresse.

O contato foi imediato e firme. O calor do corpo de Ethan e o aroma discreto de seu perfume amadeirado envolveram Jessy de imediato. Ela sentiu as mãos fortes dele segurando seus ombros com precisão, impedindo que ela caísse.

— Eu peguei você — disse Ethan suavemente, a voz baixa e muito próxima do ouvido dela. — Respire devagar.

Jessy fechou os olhos, incapaz de lutar contra a fragilidade do momento. Apoiou a testa contra o tórax de Ethan por alguns segundos, sentindo a firmeza do peito dele e o ritmo cadenciado de seus batimentos cardíacos. O mundo ao redor continuava girando, mas naquele abraço improvisado, havia um ponto de apoio inabalável.

— Desculpe... — murmurou Jessy, envergonhada, tentando se afastar. — Eu não... eu não sei o que aconteceu.

— Você não precisa pedir desculpas por ser humana — retrucou Ethan, sem soltá-la imediatamente. Ele esperou até ter certeza de que as pernas dela haviam recuperado o apoio mínimo antes de guiar seus passos com cuidado até o sofá de couro preto do saguão de recepção.

Ele a ajudou a se sentar devagar, ajoelhando-se em um dos joelhos no chão para ficar na mesma altura dos olhos dela.

— Quando foi a última vez que você comeu algo sólido hoje? — perguntou Ethan, com um tom de autoridade serena que não admitia evasivas.

Jessy hesitou, desviando o olhar para a janela sob a chuva.

— Eu tomei um café no início da tarde...

Ethan soltou um suspiro profundo, balançando a cabeça em uma mistura de desaprovação e genuína preocupação.

— Uma xícara de café e dezesseis horas de estresse contínuo — pontuou ele. — Isso não é dedicação ao trabalho, Jessy. É uma negligência perigosa com a sua própria vida.

Jessy encarou os olhos escuros de Ethan. Pela primeira vez desde que se conheceram, a barreira corporativa entre os dois caíra por completo. Diante dela não estava apenas o implacável CEO da Conor EcoStructures, mas um homem atento, protetor e profundamente humano, capaz de enxergar a dor que ela tentava esconder de todo o mercado.

— Eu preciso terminar os relatórios para amanhã... — tentou argumentar, a voz baixinha.

— Você não vai terminar relatório nenhum hoje — interrompeu Ethan com firmeza, ficando de pé e pegando a chave do carro do bolso. — Eu vou fechar este escritório para você, vou levá-la para jantar algo adequado e garanto que você chegará em casa em segurança.

— Sr. Conor, eu não posso aceitar...

— Meu nome é Ethan — disse ele, encarando-a com um olhar de irrecusável determinação. — E você vai aceitar, porque não estou fazendo uma proposta de negócios. Estou garantindo que a minha futura sócia de campanha sobreviva até a assinatura do contrato.

Jessy olhou para o executivo diante dela, sentindo uma onda estranha e acolhedora de alívio percorrer seu peito. Pela primeira vez em anos, alguém estava no comando, permitindo que ela, finalmente, pudesse soltar os ombros e apenas respirar.

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