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####CAPITULO 5

last update Data de publicação: 2025-11-25 05:59:04

LÉLIA COLOCA LOUISE PARA DORMIR (VERSÃO APRIMORADA)

Acompanhei Louise até o quarto enquanto ela andava pulando de um tapete para o outro, como se cada passo precisasse transformar o chão em pequenas ilhas de fantasia. O quarto dela era iluminado por uma luz amarelada e suave, que deixava tudo com um ar acolhedor — como se aquele espaço tivesse sido construído para proteger a fragilidade daquela menina.

O cheiro leve de lavanda vinha do difusor ao lado da cama, misturado ao perfume infantil da espuma de banho que ela usara minutos antes. Era aconchegante… reconfortante.

Louise subiu na cama com o cuidado de quem já se acostumou a viver num mundo onde tudo pode quebrar facilmente — inclusive pessoas. Ela puxou o cobertor para perto do rosto e abraçou a bonequinha Bárbara com ternura.

— Tia… você vai contar a história? — ela perguntou, baixinho, como se o pedido pudesse ser negado a qualquer momento.

Sentei-me na beira da cama e abri o livro escolhido por ela. A capa mostrava uma princesa com vestido azul, mas, mesmo antes de começar, ela já encostava a cabeça no meu braço como se buscasse segurança.

A voz saiu de mim mais doce do que eu lembrava ser capaz:

— Era uma vez uma menina que achava que o mundo não tinha espaço para ela. Mas, um dia… ela descobriu que o seu coração brilhava mais do que todas as estrelas juntas…

Enquanto eu lia, ela suspirava devagar, os olhos piscando com aquela luta infantil entre o sono e a vontade de continuar ouvindo. Seus dedos pequenos acariciavam a borda do cobertor, e era quase possível sentir o medo que ela escondia — medo de perder, medo de ser deixada, medo de não ser amada.

E eu senti, no fundo da alma, que não queria que ela se sentisse sozinha nunca mais.

A porta se abriu com cuidado.

O pai dela apareceu, apoiado na lateral, com uma expressão cansada, mas iluminada por um carinho que ele tentava esconder.

— Tudo bem, meu anjo? — ele disse, aproximando-se devagar.

Louise sorriu, um sorriso tímido, mas genuíno.

— Boa noite, papai…

Ele tocou de leve a testa dela, num gesto que entregava mais amor do que qualquer palavra que já vi sair da boca de um adulto.

Quando ele se afastou um pouco, ela virou o rosto para mim:

— Até amanhã, tia… você pode me dar um beijo?

O pedido dela entrou em mim como uma flecha quente — direto no centro do peito. Eu me abaixei, toquei a bochechinha dela com um beijo leve e respondi:

— Até amanhã, meu amor, boa noite.

Saímos do quarto juntos e só fechamos a porta quando ouvimos o suspiro dela se misturando ao silêncio.

No corredor, ele respirou fundo antes de se virar totalmente para mim. O olhar dele estava mais sério, mais atento — e mais esperançoso também.

— Você poderia chegar amanhã… pelo menos antes das sete? — ele perguntou, ajustando a manga da camisa — Eu vou mandar o motorista te buscar. Ela tem que estar na creche às oito. E… ela vai querer você aqui quando acordar.

Assenti em silêncio, mas ele continuou:

— Eu nunca vi a minha filha se aproximar de alguém como ela se aproximou de você. — Ele passou a mão pelos cabelos, como quem tenta organizar pensamentos — Ela só deixa a Yuko chegar perto. E mesmo assim… não é muito. Louise só interage… com o chá. Ela só convida para o chá. E sempre só eu e a boneca. Hoje… ela convidou você.

A voz dele tremeu um pouco.

Aquilo me tocou profundamente.

— Nas terças e quintas — ele prosseguiu — ela tem psicóloga e fonoaudióloga. Você vai com o motorista buscá-la na creche, levar e depois voltar com ela para casa.

Ele respirou fundo antes de dizer o que veio em seguida:

— O seu salário será de seis mil dólares por mês.

Mas eu preciso de alguém que seja… a sombra da minha filha.

Ela precisa de constância. Ela precisa de vínculo.

Eu engoli seco. Era muito dinheiro. Mas o peso da responsabilidade era muito maior.

— A mãe dela… — ele continuou, com a mandíbula dura — me entregou a guarda total. Você não precisa se preocupar com litígio. Ela não vai aparecer. Ela mora na Inglaterra com o marido novo.

Eu apenas permaneci em silêncio. Porque não havia nada que eu pudesse dizer que coubesse naquele momento.

— Amanhã eu volto para a empresa — ele completou — mas qualquer coisa, fale com a Yuko. Ela me liga. Tenho certeza de que vai dar tudo certo.

Eu inspirei fundo, com o coração aquecido por uma decisão que ainda nem tinha tomado, mas que já pulsava em mim desde a primeira vez que Louise me abraçou.

— Vai dar sim, senhor — respondi, firme — Se depender de mim, eu vou tratar muito bem da sua filha.

O olhar dele suavizou.

E pela primeira vez… ele pareceu acreditar que talvez a vida dele pudesse melhorar um pouco.

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Último capítulo

  • BABÁ PARA MINHA FILHA    ####EPÍLOGO FIM

    O TEMPO E O AMOR.Com o passar do tempo, a vida encontrou seu lugar ideal, e os anos se desenrolaram silenciosamente, como um rio que flui tranquilamente, sem pressa de chegar ao seu destino. Louise, já com dezenove anos, continuava a ser uma presença marcante e vibrante, a energia dela no ambiente era como luz do sol atravessando a copa das árvores. — Estudante de Psicologia na universidade, ela se aprofundava nos mistérios da mente humana, fascinada pelas complexidades do comportamento e das emoções, sempre pronta para debater novas ideias com seus colegas ou oferecer conselhos a amigos e familiares. Enquanto isso, Harik, adentrando a adolescência, buscava entender sua verdadeira identidade em meio às inquietações dessa fase transformadora. — Ele frequentemente se via imerso em pensamentos sobre seus sonhos para o futuro, como um navegador em um vasto mar de possibilidades, considerando se tornar um músico que cativa corações com suas letras ou u

  • BABÁ PARA MINHA FILHA    ####CAPÍTULO 75

    A família que construímos ao longo de cinco anos foi moldada por momentos emocionais que ganharam um significado profundo, transformando-se em recordações que vão além da rotina diária.— Cada riso compartilhado, cada lágrima enxugada, e cada desafio superado contribuíram para o elo inquebrável que formamos. Naquele fim de tarde, Morgan entrou em casa com um sorriso sereno, uma expressão que se tornou familiar conforme encontramos nosso equilíbrio familiar—como um barco que finalmente navega suavemente após enfrentar uma tempestade. — O calor de seu sorriso irradiava uma sensação de paz, como se dissesse sem palavras que tudo ficaria bem. Hariki, agora com cinco anos, correu pelo corredor ao ouvir meu chamado, seus pequenos pés tocando o chão com a pressa de quem traz uma entrega especial, como um foguete de alegria decolando em meio à vastidão de nossas vidas cotidianas. — Havia uma energia contagiante em seu entusiasmo, um sentimento de que algo

  • BABÁ PARA MINHA FILHA    ####CAPÍTULO 74

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  • BABÁ PARA MINHA FILHA    ####CAPÍTULO 73

    Após anos de experiência como professor de Português, pude identificar erros na frase e corrigi-los para garantir que ela se tornasse clara e bem elaborada. — A reflexão sobre minha vida ao lado de Delila revelou o quão imprevisível é o destino. Jamais imaginei que estaria cuidando dela dessa maneira. —Se alguém me tivesse dito, meses atrás, que eu me encontraria ao lado de sua cama, ajeitando o travesseiro e observando sua respiração frágil enquanto Louise lia uma história para ela, eu teria colocado em dúvida a sanidade dessa pessoa. Por exemplo, as conversas que antes eramos capazes de ter sobre suas conquistas e planos para o futuro agora eram substituídas por silêncios cheios de dor. — Entre nós existia uma dor imensa, marcada por palavras não ditas e gestos que feriam mais do que qualquer agressão física. As lembranças de momentos felizes contrastavam com a realidade atual, intensificando ainda ma

  • BABÁ PARA MINHA FILHA    ####CAPÍTULO 72

    QUANDO O AMOR SE TORNA CURA ( Lélia) Meses se passaram, e a casa havia se transformado de maneira surpreendente. — O silêncio opressivo, que antes pairava como uma névoa densa sobre todos os cantos, e a tensão constante, que tornava cada interação tensa e repleta de desconfiança, começaram a dar lugar a uma convivência mais harmoniosa. Era como se, após uma longa e tumultuada tempestade interna, a vida daquela família tivesse encontrado um momento de serenidade, permitindo que cada membro descobrisse um novo lugar e um novo propósito dentro do lar, onde cada espaço agora carregava a energia renovadora das reconciliações.— As paredes passaram a abrigar não mais ecos de discussões, mas risos e conversas tranquilas, como se tivessem feito um pacto silencioso de acolhimento. A rotina se ajustou de forma quase natural, fluindo como um rio que se molda ao terreno que percorre. — Esse novo ritmo, mais humano e verdadeiro, incorporava

  • BABÁ PARA MINHA FILHA    ####CAPÍTULO 71

    QUANDO A DIGNIDADE ENTRA EM CASA LÉLIA Quando Delila chegou à nossa casa, ela não era mais a mulher que havia tentado nos destruir, nem a ex-esposa que havia ferido Morgan e abandonado Louise. — Havia algo frágil e abatido nela, quase uma sombra do que um dia fora. O peso da vida tornou-se insuportável, e a doença a privar até do brilho da sua personalidade carismática. — O silêncio que a envolvia falava mais do que qualquer pedido de desculpas poderia expressar, um testemunho sombrio de remorsos e arrependimentos. Observava-a com um olhar atento, decidido a não emitir julgamentos; mas mesmo assim, a compreensão vinha acompanhada de um turbilhão de emoções. — Naquele instante, percebi que cuidar é um gesto genuíno de coragem, que desafia a lógica e confronta os fantasmas do passado. Preparei o quarto com carinho, quase como se estivesse organizando um espaço sagrado, um santuário que oferecesse abr

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