Compartilhar

CAPÍTULO 3

last update Data de publicação: 2025-12-01 00:06:04

A BOMBA DA DONA LAURA

Eu ainda estava tentando entender como, em questão de minutos, eu tinha sido contratada como babá de três anjinhos loiros de olhos verdes, quando percebi que havia um porém.

Tinha alguma coisa errada, só podia ser

pegadinha.

E quando eu, finalmente, consegui me livrar do abraço dos trigêmeos, virei para a governanta:

— Dona Laura… por que a senhora me contratou desse jeito? — perguntei, ainda atônita. — A senhora parece desesperada, esses três anjinhos não fazem mal a ninguém! Olha essa carinha, eles são uns amores!

A governanta respirou fundo.

Bem fundo.

E me lançou um olhar que fez minha espinha gelar.

— É aí que você se engana, querida.

Eu pisquei.

— Como assim…?

— Ela apontou discretamente para os três, que agora brincavam entre si, rindo como se fossem a representação viva da inocência.

— Essa é a Meredith, — ela começou. — A que está rindo mais alto, a que fala primeiro, olha com essa cara de anjo com segundas intenções.

Meredith deu uma gargalhada tão gostosa que meu coração derreteu.

A governanta continuou:

— Mas não se engane pela fofura, ela é a que nasceu por último, mas é ela quem comanda o trio. — Quem nasceu primeiro foi o Michael. Depois, o Mark, a Meredith veio por último…

Ela inclinou a cabeça. — Mas quem manda aqui… é a Meredith.

Eu arregalei os olhos.

— Manda…?

— Ela tem as ideias mirabolantes. — Laura explicou. — E os meninos só seguem, tudo que ela fala, eles fazem, o Sr. Callahan está para enlouquecer, desde que a esposa dele partiu…

Ela falou “partiu” como quem pisava em ovos.

E eu entendi.

A mãe deles não tinha ido embora, tinha morrido.

— Há um ano, — Laura completou. — Desde então, as crianças… se recusam a aceitar qualquer babá. E se tornaram… bem… — Ela fez um gesto com as mãos, como quem descreve um desastre natural.

— Katrina, Tsunami e a Kilawara.

Eu franzi a testa.

— Qual deles é o Kilawara?

— A Meredith, — ela respondeu sem hesitar.

Eu virei lentamente para a menina.

Meredith encarou de volta com seus olhinhos verdes brilhando… e me deu um sorriso que parecia puro algodão doce.

Mas agora… eu sabia.

Não era.

Laura continuou:

— Se alguém fala alguma coisa da mãe deles… ou tenta impor disciplina que não seja do jeito que a mãe fazia… Ela suspirou. — As babás não duram um mês.

Meu estômago afundou.

Laura apontou o corredor onde a babá anterior tinha fugido:

— Essa que acabou de sair era uma Nanny. Formada, e experiente, contratada com um salário altíssimo para educá-los.

— E durou apenas duas semanas.

Antes que eu pudesse reagir, Meredith apareceu ao meu lado, segurando minha mão com força.

— Ela não educava a gente, — Meredith disse com a boca emburrada. — Ela só botava a gente de castiguinho, e ficava falando mal da mamãe.

Mark confirmou com um aceno sério,

Michael cruzou os bracinhos, indignado.

— A mamãe não castigava a gente. — Meredith explicou, olhando para mim como se eu fosse alguém importante. — A mamãe conversava, dizia o que era errado… o que não era, a gente entendia, ela explicava tudo.

— A tia Bia só gritava, e falava que a mamãe foi embora porque não gostava da gente.

Meu coração apertou tanto que doeu.

Laura completou:

— Entendeu agora por que eu estava desesperada?

— Eles estão sendo doces com você agora…

Ela suspirou, cansada.

— Mas se prepare, você vai enfrentar uma batalha.

Eu engoli seco.

— Dona Laura… eu não moro aqui, tenho que voltar para casa, minha mãe precisa de ajuda…

— Você vai ter que morar aqui,— ela disse sem rodeios. — De segunda a sábado, suas folgas serão aos domingos, quando o Sr. Callahan está em casa e pode assumir as crianças.

Eu senti outro impacto no estômago.

— Eu… não sei, tenho que falar com a minha mãe…

— Fale,— Laura respondeu firme o dia inteiro e no final do dia, você me diz se aceita definitivamente. Mas lembre-se: — com o salário que eu te ofereci… a Maria não vai precisar trabalhar mais.

Ela sorriu com carinho.

— Ela vai poder cuidar dela mesma, e cuidar dos seus irmãos e você sabe o quanto isso seria bom para ela.

E eu sabia.

Laura colocou a mão no quadril:

— Agora eu preciso trabalhar, como você viu, essa casa não é pequena, é enorme. E quando o Sr. Callahan chegar… ele quer tudo em ordem,

ela me olhou sério.

— E ele não quer desculpas, muito menos ouvir sobre travessuras. — As crianças, para ele, continuam sendo anjinhos, assim como você achou.

E antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela saiu apressada, deixando-me ali…

No meio da sala imensa…

Com três crianças me olhando como se eu fosse a nova peça favorita do brinquedo delas.

E eu pensei:

“Eu estou metida até o pescoço.” Mas esse dinheiro vai salvar minha família.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • BABÁ POR ACIDENTE    ####EPÍLOGO

    O tempo não pede permissão; ele simplesmente avança. — Quando me dou conta, já não há mais crianças correndo descalças pela casa como antes. A casa ainda pulsa com vida, mas agora carrega uma nova seriedade — aquela que surge quando o amor se ajusta ao crescimento, como um sapato que, ao ser usado, requer ajustes para se adaptar aos pés que se tornam maiores. — As vozes se tornaram mais profundas, os passos mais decididos, e as portas agora se fecham com ponderação, não com birras de criança. É um lembrete sutil de que cada risada que ecoava pelos corredores agora se transforma em discussões sobre responsabilidades e expectativas, como se a leveza da infância fosse substituída por um pesado manto de deveres.— Então, temos Meredith, que aos quinze anos entra em casa com uma expressão preocupada. Ela joga a mochila no sofá, um gesto que ecoa a frustração de quem começa a perceber que crescer pode ser doloroso, como tentar usar um traje de g

  • BABÁ POR ACIDENTE    ####CAPÍTULO 77

    Naquela manhã, a casa estava mergulhada em um silêncio peculiar. — Curiosamente, esse silêncio não evocava medo, ausência ou cansaço; ao contrário, refletia um momento em que a vida pulsava em seu próprio ritmo sereno, semelhante às ondas suaves de um lago tranquilo. — Nos quartos, Bettina e Briana dormiam tranquilas, tão pequenas que ainda não compreendiam a grande transformação que trouxeram para nossas vidas — uma mudança que encapsula a alegria e as responsabilidades da maternidade. Sentado na poltrona, com Brandon ao meu lado, eu desfrutava do doce gosto de um adeus que, na realidade, prenunciava um novo começo. — Eu nunca imaginei isto — comentou Brandon, envolvendo-me com o braço enquanto seus olhos se fixam no corredor que levava aos quartos das crianças. Era um espaço que agora se enchia de risos e sonhos infantis, pulsando como um coração que batia com esperança. — Nunca imaginei voltar a ter uma casa assim. Respondi com um sorriso tranquilo, ciente de que, entre

  • BABÁ POR ACIDENTE    ####CAPITULO 76

    Quando finalmente chegamos à mansão, o sol se punha no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e rosa, como um artista que encerra sua apresentação com um espetáculo de luzes. — A casa, antes envolta em um silêncio opressivo, agora pulsava com uma nova energia, como se o próprio ar estivesse animado pela expectativa de um reencontro. Assim que o carro estacionou no pátio, os trigêmeos surgiram como pequenos foguetes, suas risadas ecoando pela vasta propriedade enquanto corriam em nossa direção, com os cabelos ao vento e olhinhos brilhantes. — Papai! — Mamãe! — gritaram, irradiando a agilidade e energia contagiante de crianças que acabaram de devorar uma caixa inteira de guloseimas, cada um deles trazendo um sorriso travesso que iluminava a cena e criava uma atmosfera vibrante ao nosso redor. — Na sala, os pais de Brenda nos aguardavam, na esperança de compartilhar aquela alegria coletiva que só as reuniões familiares podem proporcionar. Seu i

  • BABÁ POR ACIDENTE    ####CAPÍTULO 75

    Quando meu nome foi chamado, Brandon se levantou ao meu lado, seu olhar cheio de preocupação, e juntos nos dirigimos ao consultório, um espaço acolhedor, mas que exalava a formalidade de um ambiente médico. Um médico infectologista nos recebeu com uma fala calma e serena, sua postura tranquila contrastava com a tempestade de incertezas que se formava em minha mente. — Por favor, sente-se — pediu, enquanto seus olhos percorriam rapidamente as anotações da triagem, como se cada palavra escrita ali tivesse um peso significativo.Respirei fundo, tentando acalmar o tumulto em meu interior, antes de responder à pergunta que ele me fez: — Voltei recentemente da lua de mel nas Ilhas Caiamãs e, desde então, tenho sentido náuseas, tontura e um cansaço inexplicável, como se a energia que um dia me animava tivesse desaparecido. — A princípio, pensei que fosse uma virose tropical, algo que poderia ser facilmente contornado, uma leve indisposição que às vezes vem com

  • BABÁ POR ACIDENTE    ####CAPÍTULO 74

    O MAL TEM NOME Enquanto eu estava sentada ao lado de Brandon, a porta da sala de interrogatório se abriu. — O olhar de Brandon falava mais que qualquer palavra; era como se suas pupilas fossem janelas para uma verdade sombria. —Marjorie entrou algemada, seu cabelo bagunçado e olhos traiçoeiros refletindo uma inquietude que contrastava fortemente com a fachada de controle que tentava manter. Ela não era mais a mulher orgulhosa que governava a mansão como se fosse sua; agora, parecia uma jogadora que havia apostado tudo em uma única jogada e perdia cada vez mais espaço ao seu redor. — Isso é um erro — afirmou, com a voz trêmula, enquanto tentava encontrar equilíbrio. — Eu não fiz nada. Não podem provar. O policial diante dela colocou a pasta na mesa com um movimento calmo e quase gélido, como um predador que observa pacientemente, pronto para desferir o golpe que mudaria o curso da vida de sua presa. — Conseguimos identificar os seques

  • BABÁ POR ACIDENTE    CAPÍTULO 73

    A viagem de volta foi marcada por um contraste impressionante em relação à aventura de vida.— No trajeto inicial, o carro cortava a estrada com a velocidade e adrenalina de uma corrida de Fórmula 1, envolto em sirenes ao longe e uma atmosfera carregada de tensão, quase palpável, contudo, ao retornarem, a atmosfera era drasticamente diferente. —Os trigêmeos estavam exaustos no banco de trás, mas, teimosamente acordados—como pequenos soldados que se recusam a desistir da batalha do sono—todos resistiam, como se a emoção da jornada ainda pulsasse em suas veias.Meredith, com um olhar determinado, segurava a mão dos irmãos, liderando uma missão secreta que incluía um sorvete de chocolate ao final da jornada—uma recompensa que representava todo o esforço e a adrenalina vividos. Virando-se para o pai, ela questionou: — Papai… a gente fez certo, né? — Brandon, olhando pelo retrovisor, respondeu com um tom de aprovação: — Vocês foram muito inteligentes. Por

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status