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CAPÍTULO 4

last update Data de publicação: 2025-12-01 00:38:33

PRIMEIRO DIA DE BABÁ

Eu aceitei o contrato, concordei em morar na casa e trabalhar de segunda a sábado.

—Mas, ao olhar para os três — três crianças lindas, inteligentes, sapecas, traumatizadas e cobertas de tinta até nas orelhas — uma pergunta ecoou dentro de mim: — Como eu, Brenda Lemos Maia, vou conseguir ser babá de três anjinhos que… não são exatamente anjinhos?

— Respirei fundo e disse a mim mesma: — Vai, Brenda, você consegue, se Deus te trouxe até aqui, é porque você é capaz.

— Bati palmas suavemente: — Certo, crianças… vamos conversar. — Eles pararam imediatamente, os três virando para mim ao mesmo tempo, como um trio sincronizado, igual a passarinhos que escutam um barulho novo.

— Vocês pegaram a tinta de vocês e deram um banho na babá, não foi? — Siiim! — eles responderam, muito felizes para quem acabava de cometer uma tentativa de homicídio por pintura.

— Ok… — respirei fundo. — Vocês gostam de tinta, não é?

E gostam de pintura, vou contar um segredo: a arte não precisa ser usada para atacar pessoas, certo?

— Meredith levantou a sobrancelha como se discordasse, mas permaneceu em silêncio.

— Então vamos fazer assim: pegamos os kits de pintura de vocês, e lá no jardim eu quero ver a obra-prima que vocês conseguem criar inspirados na natureza.

Pode ser? Eles se olharam, e Mark sorriu primeiro, Michael assentiu, empolgado e a Meredith colocou a mãozinha na cintura, pensou e decretou: — Pode, vamos buscar nossos estojos pronto.

Eu tinha o “sim” do general, Meredith e o resto seguiria meu instinto.

E assim fomos, como pequenos exploradores em uma jornada artística.

— No jardim, o sol beijava as flores e fazia os cabelos dos trigêmeos brilharem, quase como se o próprio céu estivesse torcendo por nós.

— O ar estava impregnado com o aroma fresco da grama e o canto distante dos pássaros, criando a trilha sonora perfeita para a nossa aventura.

Eles se acomodaram nos banquinhos, sacudiram os pincéis, escolheram as cores e começaram a pintar com fervor, cada um mergulhando na sua visão peculiar do mundo.

Meredith pintou uma flor azul — e ficou claro que azul era sua cor favorita, talvez uma metáfora para seu próprio desejo de serenidade.

Mark, com sua abordagem livre e despretensiosa, pintou uma flor amarela… torta, toda esquisita, mas era a coisa mais fofa do mundo, representando a beleza da imperfeição.

Michael, por sua vez, pintou… bom… dizia que era um carro. — Parecia mais um alienígena atropelado por uma betoneira, mas era o carro dele, e sua convicção transparecia em cada pincelada.

Eles discutiam entre si, ensaiando o primeiro ato de uma peça de teatro caótica que só eles poderiam compreender: — É uma flor!

— É o papai!

— É um carro!

— Não é!

— É SIM! Eu ali, tentando não rir, observando aquele caos criativo e a energia pura que emanava deles, como faíscas elétricas de alegria inocente.

Quando terminaram, vieram correndo me mostrar os papéis, como se tivessem descoberto tesouros inestimáveis.

—E foi então que eu percebi, no meio das pinturas tortas, coloridas e confusas, havia um desenho que os três tinham feito juntos.

— Eram cinco figuras: — um homem bem alto, uma mulher sorrindo, três crianças de mãos dadas — e uma figura separada, de pé, à distância.

Eu me agachei, sentindo um frio na barriga ao me aproximar daquele universo que eles haviam criado.

— Quem é esse homem alto? — Papai! — Michael respondeu, orgulhoso, como se estivesse revelando a mais grandiosa das verdades. — E essa mulher aqui? — Mamãe — Meredith respondeu baixinho, mas com um sorriso triste, como se as cores vibrantes de sua palete não fossem suficientes para cobrir um vazio, uma saudade que ainda machucava.

— Meu coração apertou ao perceber a complexidade de seus pequenos corações.

Apontei para os três pequenos de mãos dadas: — E esses são vocês… certo? Eles concordaram com a cabeça, felizes, imersos na inocência de sua criação.

— Então, toquei a quarta pessoa, a que estava longe, a que não estava de mãos dadas com ninguém.

— E essa… quem é? Eles se olharam, Mark empurrou Michael com o ombro, como se fosse hora de resolver um mistério.

— Michael olhou para Meredith, que, mesmo pequena, parecia carregar o peso de uma sabedoria incomum.

Meredith respirou fundo, ergueu o rosto e respondeu como se estivesse revelando uma verdade óbvia: — Você. Eu fiquei paralisada, absorvendo aquele momento.

— Eu? — É — Meredith repetiu, sua voz firme e clara, como se estivesse desenhando mais uma camada da verdade.

— Você está aqui, mas ainda está longe. Mas você vai chegar perto, porque a gente quer você aqui.

Michael segurou minha mão, seu gesto inocente e cheio de esperança, e Mark encostou a cabeça na minha perna, como um pequeno escudo emocional.

— E naquele momento, no jardim dos Callahan, rodeada de flores, pincéis e desenhos tortos…

Eu senti meu coração se mover de uma forma que eu não esperava, como se as barreiras que eu tinha colocado ao meu redor fossem dissolvidas pela pureza do desejo deles por conexão.

— Eu estava entrando na vida deles, e eles… já tinham me incluído no desenho da família, me permitindo ser mais do que apenas uma babá, mas uma parte de suas vidas, um novo capítulo na história que ainda estava por ser escrita.

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Último capítulo

  • BABÁ POR ACIDENTE    ####EPÍLOGO

    O tempo não pede permissão; ele simplesmente avança. — Quando me dou conta, já não há mais crianças correndo descalças pela casa como antes. A casa ainda pulsa com vida, mas agora carrega uma nova seriedade — aquela que surge quando o amor se ajusta ao crescimento, como um sapato que, ao ser usado, requer ajustes para se adaptar aos pés que se tornam maiores. — As vozes se tornaram mais profundas, os passos mais decididos, e as portas agora se fecham com ponderação, não com birras de criança. É um lembrete sutil de que cada risada que ecoava pelos corredores agora se transforma em discussões sobre responsabilidades e expectativas, como se a leveza da infância fosse substituída por um pesado manto de deveres.— Então, temos Meredith, que aos quinze anos entra em casa com uma expressão preocupada. Ela joga a mochila no sofá, um gesto que ecoa a frustração de quem começa a perceber que crescer pode ser doloroso, como tentar usar um traje de g

  • BABÁ POR ACIDENTE    ####CAPÍTULO 77

    Naquela manhã, a casa estava mergulhada em um silêncio peculiar. — Curiosamente, esse silêncio não evocava medo, ausência ou cansaço; ao contrário, refletia um momento em que a vida pulsava em seu próprio ritmo sereno, semelhante às ondas suaves de um lago tranquilo. — Nos quartos, Bettina e Briana dormiam tranquilas, tão pequenas que ainda não compreendiam a grande transformação que trouxeram para nossas vidas — uma mudança que encapsula a alegria e as responsabilidades da maternidade. Sentado na poltrona, com Brandon ao meu lado, eu desfrutava do doce gosto de um adeus que, na realidade, prenunciava um novo começo. — Eu nunca imaginei isto — comentou Brandon, envolvendo-me com o braço enquanto seus olhos se fixam no corredor que levava aos quartos das crianças. Era um espaço que agora se enchia de risos e sonhos infantis, pulsando como um coração que batia com esperança. — Nunca imaginei voltar a ter uma casa assim. Respondi com um sorriso tranquilo, ciente de que, entre

  • BABÁ POR ACIDENTE    ####CAPITULO 76

    Quando finalmente chegamos à mansão, o sol se punha no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e rosa, como um artista que encerra sua apresentação com um espetáculo de luzes. — A casa, antes envolta em um silêncio opressivo, agora pulsava com uma nova energia, como se o próprio ar estivesse animado pela expectativa de um reencontro. Assim que o carro estacionou no pátio, os trigêmeos surgiram como pequenos foguetes, suas risadas ecoando pela vasta propriedade enquanto corriam em nossa direção, com os cabelos ao vento e olhinhos brilhantes. — Papai! — Mamãe! — gritaram, irradiando a agilidade e energia contagiante de crianças que acabaram de devorar uma caixa inteira de guloseimas, cada um deles trazendo um sorriso travesso que iluminava a cena e criava uma atmosfera vibrante ao nosso redor. — Na sala, os pais de Brenda nos aguardavam, na esperança de compartilhar aquela alegria coletiva que só as reuniões familiares podem proporcionar. Seu i

  • BABÁ POR ACIDENTE    ####CAPÍTULO 75

    Quando meu nome foi chamado, Brandon se levantou ao meu lado, seu olhar cheio de preocupação, e juntos nos dirigimos ao consultório, um espaço acolhedor, mas que exalava a formalidade de um ambiente médico. Um médico infectologista nos recebeu com uma fala calma e serena, sua postura tranquila contrastava com a tempestade de incertezas que se formava em minha mente. — Por favor, sente-se — pediu, enquanto seus olhos percorriam rapidamente as anotações da triagem, como se cada palavra escrita ali tivesse um peso significativo.Respirei fundo, tentando acalmar o tumulto em meu interior, antes de responder à pergunta que ele me fez: — Voltei recentemente da lua de mel nas Ilhas Caiamãs e, desde então, tenho sentido náuseas, tontura e um cansaço inexplicável, como se a energia que um dia me animava tivesse desaparecido. — A princípio, pensei que fosse uma virose tropical, algo que poderia ser facilmente contornado, uma leve indisposição que às vezes vem com

  • BABÁ POR ACIDENTE    ####CAPÍTULO 74

    O MAL TEM NOME Enquanto eu estava sentada ao lado de Brandon, a porta da sala de interrogatório se abriu. — O olhar de Brandon falava mais que qualquer palavra; era como se suas pupilas fossem janelas para uma verdade sombria. —Marjorie entrou algemada, seu cabelo bagunçado e olhos traiçoeiros refletindo uma inquietude que contrastava fortemente com a fachada de controle que tentava manter. Ela não era mais a mulher orgulhosa que governava a mansão como se fosse sua; agora, parecia uma jogadora que havia apostado tudo em uma única jogada e perdia cada vez mais espaço ao seu redor. — Isso é um erro — afirmou, com a voz trêmula, enquanto tentava encontrar equilíbrio. — Eu não fiz nada. Não podem provar. O policial diante dela colocou a pasta na mesa com um movimento calmo e quase gélido, como um predador que observa pacientemente, pronto para desferir o golpe que mudaria o curso da vida de sua presa. — Conseguimos identificar os seques

  • BABÁ POR ACIDENTE    CAPÍTULO 73

    A viagem de volta foi marcada por um contraste impressionante em relação à aventura de vida.— No trajeto inicial, o carro cortava a estrada com a velocidade e adrenalina de uma corrida de Fórmula 1, envolto em sirenes ao longe e uma atmosfera carregada de tensão, quase palpável, contudo, ao retornarem, a atmosfera era drasticamente diferente. —Os trigêmeos estavam exaustos no banco de trás, mas, teimosamente acordados—como pequenos soldados que se recusam a desistir da batalha do sono—todos resistiam, como se a emoção da jornada ainda pulsasse em suas veias.Meredith, com um olhar determinado, segurava a mão dos irmãos, liderando uma missão secreta que incluía um sorvete de chocolate ao final da jornada—uma recompensa que representava todo o esforço e a adrenalina vividos. Virando-se para o pai, ela questionou: — Papai… a gente fez certo, né? — Brandon, olhando pelo retrovisor, respondeu com um tom de aprovação: — Vocês foram muito inteligentes. Por

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