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Mulher cruel

Author: luproencio
last update publish date: 2026-09-29 10:30:13

Na hora da despedida, Emir se aproximou novamente de Ada e Samir.

— Que Alá abençoe vocês e essas duas crianças — disse, pousando a mão no ombro do filho antes de olhar para Ada. — E que venham com muita saúde.

— Amém — Ada respondeu, sorrindo.

Samir abraçou o pai.

— Obrigado, pai.

Mais adiante, Amine abraçava Maya pela terceira vez.

— Nós já nos despedimos — Maya lembrou, rindo.

— Eu sei.

— Três vezes.

— Não vejo problema algum nisso.

Maya riu e tornou a abraçá-la.

Youssef, por outro lado, não
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    Latifa olhou uma última vez para os travesseiros. O celular estava completamente escondido.Ainda assim, ao caminhar em direção à porta, teve a absurda sensação de que Emir entraria no quarto e saberia exatamente onde ele estava.Sua mão pousou sobre a maçaneta.Por um instante, não conseguiu girá-la.As fotografias que queimara passaram por sua mente. Depois, as novas cópias. A voz do homem ao telefone. A ameaça de exposição.E agora Emir estava do outro lado da porta.Latifa engoliu em seco e abriu.Emir estava parado diante dela, sério.— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Latifa.— Podemos conversar?— Claro.Ela se afastou para que ele entrasse.Emir passou por ela e caminhou alguns passos pelo quarto. Latifa fechou a porta, mas permaneceu próxima a ela.Ele se virou.— Você se lembra da sua viagem a Omã no verão passado?Por um instante, Latifa não conseguiu responder.Seu coração bateu com tanta força que ela teve a impressão de que Emir poderia ouvi-lo.Omã.Verão passado.El

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    Emir permaneceu sentado diante da mesa, com o bilhete entre os dedos.Você sabe o que sua mulher fez no verão passado?Leu novamente, como se as palavras pudessem adquirir outro sentido.O verão passado.Recostou-se na cadeira e tentou reconstruir aquele período. Pensou nas viagens que fizera, nos compromissos oficiais, nos encontros que haviam ocupado seus dias. Naquela época, sua rotina era ainda mais tomada pelo governo, e ele pouco se preocupava com o que acontecia dentro do palácio quando estava ausente.Soraya viajara para visitar a família, mas Emir logo descartou a lembrança. Não fora no verão.Franziu a testa.Girou lentamente o papel entre os dedos e olhou para a janela. Foi nesse momento que outra lembrança surgiu.Latifa.Ela viajara com a família para Omã.Emir ficou imóvel por alguns segundos, tentando localizar aquela viagem com maior precisão em sua memória. Sim. Fora no verão. Latifa havia deixado o país acompanhada de alguns familiares e permanecera fora por mais de

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    Na hora da despedida, Emir se aproximou novamente de Ada e Samir.— Que Alá abençoe vocês e essas duas crianças — disse, pousando a mão no ombro do filho antes de olhar para Ada. — E que venham com muita saúde.— Amém — Ada respondeu, sorrindo.Samir abraçou o pai.— Obrigado, pai.Mais adiante, Amine abraçava Maya pela terceira vez.— Nós já nos despedimos — Maya lembrou, rindo.— Eu sei.— Três vezes.— Não vejo problema algum nisso.Maya riu e tornou a abraçá-la.Youssef, por outro lado, não arredava o pé da sala. Já havia se despedido, mas permanecia ali enquanto Emir reunia sua pequena tropa, chamando os filhos e conferindo se todos estavam prontos para partir.Amine olhou para o marido e balançou a cabeça.— Youssef.— O quê?— Nada.Ele ajeitou os óculos e continuou exatamente onde estava.Ali se aproximou de Maya.— Obrigado pelo jantar. Estava tudo excelente.— Fico feliz que tenha gostado.Hana também se despediu, e Maya a recebeu em um abraço carinhoso.— Você é bem-vinda à

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    No quarto, Latifa continuava olhando para a mensagem.Peça o divórcio ou as fotos irão parar na mídia.Seu coração batia acelerado. Passou novamente pelas fotografias, uma a uma, sentindo a raiva crescer junto com o medo.Então olhou para o número.Por alguns segundos, hesitou.Depois apertou para ligar.Chamou uma vez.Duas.Na terceira, alguém atendeu.— Alô?Latifa ficou surpresa ao ouvir uma voz masculina.— Quem é você?O homem riu baixo.— Isso realmente importa?— Quem é você? — repetiu, mais alto.— Alguém que tem em mãos fotografias que a senhora certamente não gostaria de ver circulando por aí.Latifa apertou o telefone com força.— Foi você quem mandou aquilo?— E se foi?— Quem está por trás disso? Soraya?O homem ignorou a pergunta.— Já imaginou como seria?— Como seria o quê?— Receber chibatadas em público.Latifa perdeu a cor.— O quê?— Pense um pouco. Você diante de todos... Como acha que ficaria Emir? E seus filhos? Imagine o que seria para eles assistir à própria

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    Ada arregalou ligeiramente os olhos.— Para mim?— Eu o escolhi especialmente. Estava esperando o momento certo para lhe dar.Ela olhou para Samir antes de receber a caixa preta de veludo.Abriu.E ficou em silêncio.Ada não fazia ideia do valor daquelas pedras. Nem saberia dizer quanto poderia custar uma joia como aquela.Mas os diamantes azuis eram tão claros e delicados que, por alguns segundos, ela simplesmente os contemplou.Pareciam pequenos pedaços de gelo sob a luz.Lembravam suas montanhas.— Por Alá... — murmurou.Depois de Samir, Ada teve certeza de que era a coisa mais bonita que já vira.Samir, ao seu lado, reconheceu o conjunto imediatamente.E começou a sorrir.Ele próprio tentara comprá-lo algum tempo antes, justamente porque, ao vê-lo, pensara em Ada. Quando soubera que já havia sido adquirido, ficara contrariado.Agora sabia quem chegara antes dele.Seu pai.Samir levantou os olhos para Emir.Aquilo significava muito mais do que o valor das pedras.Era o primeiro pre

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