LOGINPOV/ Hellen
Quando ele se afastou, a mão dele desceu rápido para a minha cintura, apertando o corselete com força suficiente para colar o meu corpo cheio de curvas contra o corpo rígido dele. Ele se inclinou, colando a boca bem perto do meu ouvido. A voz dele veio num sussurro baixo, rouco e cruel, audível só para mim:
— É bom você relaxar esse corpo, Helen. Porque hoje à noite eu vou te usar de todas as formas possíveis. Você é minha.
As palavras dele bateram em mim como um choque elétrico. Paralisei completamente, o ar sumindo dos meus pulmões enquanto ele se afastava com a mesma expressão fria de antes, pronto para me arrastar para fora daquela igreja como a sua mais nova propriedade.
***
O resto daquela festa de casamentos da alta sociedade pareceu um borrão confuso de luzes e vozes falsas. O Damian Vance me arrastou pelo salão luxuoso como um troféu de caça recente, me exibindo para investidores e empresários cujos nomes eu nem conseguia guardar. Nós não trocamos uma única palavra. Ele simplesmente manteve a mão firme e possessiva presa na minha cintura, me lembrando a cada segundo da promessa brutal que tinha sussurrado no meu ouvido diante do altar.
Um nó doloroso crescia na minha garganta, e as lágrimas ameaçavam cair. Eu precisava respirar. Pedi licença com a voz trêmula e escapei na direção do banheiro feminino, desesperada para fugir dos flashes e do perfume sufocante daquela farsa.
Me tranquei no banheiro de mármore e fui direto para a pia. Liguei a torneira e joguei água gelada no rosto, tentando conter o pânico que fazia o meu peito subir e descer rápido. Olhei no espelho, encarando meus próprios olhos verdes. Eu tinha que fugir. A minha cabeça pensava de forma desesperada na minha conta secreta no banco — mas como eu conseguiria sair de uma mansão vigiada? Como escapar de um homem que mandava em metade desta cidade? Eu me sentia num beco sem saída.
O estalo seco do salto alto no chão me fez travar. Uma mulher saiu de um dos reservados. Ela era deslumbrante, com cabelos longos e vermelhos como fogo, um vestido justo que marcava o corpo magro e uma maquiagem impecável. Ela parou ao meu lado para retocar o batom, olhando para o meu reflexo com um sorriso cínico.
— Então você é a noivinha substituta — ela disse, com a voz cheia de veneno.
— Eu te conheço? — perguntei, tentando manter a postura firme — do mesmo jeito que eu sempre fiz a minha vida inteira na escola para nunca demonstrar fraqueza.
— Não me conhece e nem precisa. Mas decidi te dar um conselho, de mulher para mulher. — Ela se virou, cruzando os braços e me avaliando dos pés à cabeça com desprezo. — O Damian é um homem brutal. Ele não tem limites entre quatro paredes. Ele usa as mulheres na cama como se fossem cadelas, vira do avesso e machuca por puro prazer. Uma menininha inocente e cheinha como você não tem a menor chance. Você vai ser destruída na sua primeira noite.
O meu sangue gelou. O terror me paralisou, mas a minha língua rebelde agiu por puro instinto de defesa.
— Você está mentindo — rebati, franzindo os olhos verdes. — Você não sabe do que está falando.
A ruiva soltou uma risada alta e cruel.
— Eu sei exatamente do que estou falando, querida. Eu sou a amante favorita dele. Conheço o grande leão na cama. Sei exatamente como atiçar a vontade dele e o que fazer para satisfazer os desejos mais sombrios dele. Você não sabe da missa a metade. Boa sorte tentando sobreviver à sua noite de núpcias.
Ela deu as costas e saiu do banheiro, me deixando completamente destruída. As minhas mãos tremiam tanto que eu mal conseguia secar o rosto. Se o que ela disse fosse verdade, o meu destino estava selado. O Damian Vance ia me destruir.
Saí do banheiro com as pernas bambas. O meu desespero era tão sufocante que fui direto para o bar. Peguei a primeira taça cheia de champanhe que vi e virei de uma vez só. O líquido borbulhante queimou ao descer. Tinha um gosto horrível, um amargor ruim que lembrava água parada e podre, mas eu não me importava. Eu nunca tinha tocado em álcool na minha vida, mas precisava de algo para adormecer a minha cabeça. Peguei uma segunda taça e virei. Depois uma terceira. A minha cabeça começou a rodar levemente.
— Para de beber agora mesmo, Helen.
A voz dura do meu pai apareceu bem atrás de mim. Me virei para encontrar o Vittorio Rossi me encarando com os olhos apertados e uma expressão rígida.
— Eu quero você completamente sóbria para esta noite. Não ouse decepcionar o herdeiro dos Vance — ele sussurrou com pura crueldade, apertando o meu pulso com força.
— Quando é que eu vou ver a Sienna e a Bianca de novo? — perguntei, ignorando a ordem dele e sentindo o nó na garganta voltar. — Você prometeu que eu poderia visitar as duas se eu andasse até aquele altar!
O meu pai se inclinou para a frente, com o rosto a centímetros do meu, a voz baixa e ameaçadora:
— Isso depende inteiramente do seu comportamento. Se você não me irritar e cumprir a sua obrigação, eu posso pensar no assunto. A Genna foi criada para ser submissa, presa e uma esposa bem-comportada para ele, e aquela desgraçada fugiu. Você não tem o treino da sua irmã, mas é bom aprender a abrir as pernas e ser obediente bem rápido. Se você falhar na cama daquele homem e ele cancelar o contrato, juro por Deus que entrego a Sienna ou a Bianca para o próximo bilionário cruel que aparecer para salvar a minha empresa. Você me entendeu?
Encaruei o meu pai, sentindo um enjoo profundo tomar conta de mim. Ele estava usando o destino das minhas irmãs mais novas como uma corda no meu pescoço. Se eu me rebelasse, a Sienna e a Bianca pagariam o preço pela minha falta de submissão.
O champanhe misturado com o medo fez o meu estômago dar voltas. Eu estava cercada de monstros. O meu pai tinha acabado de me ameaçar usando a vida das minhas irmãs, e o Damian Vance estava a poucos metros dali, esperando a noite cair para cobrar o seu direito de posse sobre o meu corpo. Eu estava completamente sozinha no inferno.
POV / DAMIANO silêncio dentro da cobertura em Chicago era absoluto. Olhei para o relógio de ouro no meu pulso: passava da uma da manhã. A farsa do casamento com a linhagem Rossi tinha sido finalmente selada no altar, e a noiva substituta estava exatamente onde deveria estar — confinada sob o meu teto. Helen era nova, intocada e dona de uma insolência que me irritava na mesma proporção em que instigava. Mas eu já tinha estabelecido as regras. Uma trégua de três dias seria tempo mais do que suficiente para aquele corpo cheio de curvas absorver o peso do meu sobrenome e entender as obrigações que vinham
POV / HELENO bipar ritmado e constante do monitor cardíaco foi o primeiro som que me puxou de volta. Abri os olhos devagar, mas a luz branca e forte do teto fez minha cabeça pulsar com uma dor violenta. Soltando um gemido baixo, levei a mão à testa, sentindo uma camada grossa de gaze envolvida ali. Tentei me sentar na cama articulada do hospital, mas uma mão enorme e pesada pressionou meu ombro, me forçando de volta contra o lençol.— Fique deitada — a voz fria e funda de Damian ecoou ao meu lado.Virei a cabeça e o encontrei sentado em uma poltro
POV/ HELENDisparei a correr pela viela de asfalto molhado. Meus pés voavam sobre o chão, e o moletom balançava com o vento enquanto eu saía do beco e me misturava imediatamente à multidão densa de pedestres que caminhava pela avenida principal. O barulho de buzinas, conversas e passos me envolveu, me dando a cobertura de que eu precisava sob a luz do sol.Meu coração batia com tanta violência contra as minhas costelas que parecia prestes a rasgar minha pele. Corri pela calçada em disparada, desviando de pessoas, cortando esquinas e atravessando ruas sem olhar para trás. Eu precisava de distância. Precisava colocar o máximo de quarteirões entre mim e aqueles dois homens antes que eles percebessem que eu tinha sumido.Corri por três, quatro, cinco quarteirões, até minhas pernas começarem a fraquejar e meus pulmões queimar
POV/ HELENGirei sobre os calcanhares sem esperar uma resposta dele e subi as escadas correndo. Entrei no meu antigo quarto, que parecia ainda mais frio e abandonado. Fui direto para o fundo do closet, me ajoelhando no chão e puxando a tábua de madeira solta no canto.Escondido ali no escuro estava meu pequeno saquinho de pano. Puxei a peça, sentindo o peso das economias de uma vida inteira que juntei trabalhando escondida, além dos meus documentos verdadeiros. Com as mãos trêmulas pela pressa, abri o moletom largo e enfiei o saquinho de dinheiro fundo entre meus seios, ajustando a estrutura do sutiã esportivo firme. O volume ficou perfeitamente disfarçado sob o tecido grosso do moletom.Peguei uma mochila pequena de lona no alto do armário, joguei três livros grossos de literatura dentro só para fazer peso e volume, e fechei o zíper com um estalo seco.Ajustei as alças nas costas e desci. Passei pelo meu pai sem olhar na cara dele. Sienna e Bianca estavam paradas perto da porta, me e
POV / HELENO trajeto de carro de volta ao bairro da minha família levou pouco mais de uma hora. Meus pensamentos eram um turbilhão. Aquela casa era apenas um aluguel temporário para o casamento; assim que a transição estivesse concluída, meu pai pretendia mudar minhas irmãs para bem longe de Chicago, até o Texas. Eu tinha que agir hoje, ou nunca mais veria minhas meninas.Eu vestia roupas simples do closet da cobertura: uma calça legging preta justa e um moletom largo por cima.Quando o carro blindado parou em frente à casa, os dois seguranças do Damian saíram primeiro. Eles olharam ao redor com desconfiança antes de abrir a porta para mim.— Vamos ficar esperando bem aqui fora, Sra. Vance. Não demore — um deles avisou, cruzando os braços pesados sobre o peito.— Só vou pegar meus livros e me despedir das minhas irmãs — respondi, mantendo a voz firme e a postura ereta enquanto caminhava para dentro. A regra era clara: na frente dos homens dele, eu precisava transparecer controle e ob
POV/HELENEu estava esticada e amarrada numa estrutura gigante de madeira em forma de cruz. A minha boca estava selada, me impedindo de gritar. Na minha frente, uma silhueta enorme e intimidadora segurava um chicote que cortava o ar com um estalo ensurdecedor. Eu não conseguia ver o rosto do homem, mas a força física dele esmagava o meu peito. O aço e o couro vinham voando na direção da minha pele nua...Acordei num pulo violento, com o coração quase saindo pela boca e o corpo coberto de suor frio.Levei alguns segundos desesperadores para entender que não estava presa na cruz, mas deitada na cama king-size do meu próprio quarto. Eu mal tinha conseguido fechar os olhos a noite inteira. O pavor da promessa do Damian Vance e a lembrança daquele quarto de tortura no fim do corredor me mantiveram num estado de alerta constante e exaustivo. Eu nunca tinha visto coisas daquelas antes. O medo de ser destruída, de ter a minha dignidade arrancada por aquele homem, era um peso sufocante.O sol