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CAP. 4 - O Quarto Vermelho

Author: N. E. Autora
last update publish date: 2026-07-26 07:22:57

POV/ HELLEN

O caminho para a minha nova prisão foi um deserto de silêncio. O Damian Vance não olhou para mim uma única vez enquanto o carro blindado cortava as ruas escuras e geladas do centro de Chicago. Ele ficou no banco de trás, digitando no celular, com a expressão rígida como uma lápide. Me encolhi contra a porta, sentindo o efeito do champanhe aparecer numa tontura leve que só piorava o meu enjoo.

Quando o veículo finalmente parou, não estávamos numa mansão no subúrbio, mas diante de um dos arranha-céus mais imponentes do centro da cidade. Subimos pelo elevador privativo direto para a cobertura. No segundo em que as portas deslizaram, fui recebida por um império de luxo minimalista, vidro e mármore escuro. Funcionários uniformizados esperavam em fila, de cabeças baixas. Ninguém ousava encarar o Damian nos olhos.

— Esta é a sua nova casa — a voz grave dele cortou o silêncio, fria e sem qualquer calor. — Os meus funcionários vão entregar o que você pedir. Se precisar de algo, fale com eles. Nunca venha me incomodar.

Pisquei, pega de surpresa pelo distanciamento dele. Ele andou pelo corredor largo e abriu uma porta, revelando um quarto enorme, com uma cama king-size e janelas que iam do chão ao teto, mostrando as luzes brilhantes de Chicago.

— Este é o seu quarto. Onde você vai dormir e resolver as suas coisas. O seu pai me falou que você queria fazer faculdade — Damian continuou, me avaliando com aqueles olhos azuis afiados e cortantes. — Se quiser estudar pela internet, a estrutura está à sua disposição. Eu vou pagar. Eu sou seu marido e vou sustentar você. Só não sei se você realmente leu o contrato de casamento antes de assinar.

— Não — respondi, com a voz seca, engolindo em seco. — Eu nunca li o contrato.

Um sorriso sombrio e discreto apareceu nos lábios dele. Uma risadinha curta, sem humor.

— Uma pena.

— E você? — A pergunta escapou dos meus lábios antes que eu conseguisse controlar a minha língua rebelde. — Onde você vai dormir?

— Eu viajo com frequência e tenho insônia crônica. Passo a maior parte do tempo no meu escritório e nos meus aposentos privativos. — Ele deu um passo à frente, com a sua sombra enorme me cobrindo por inteiro. — Mas, de vez em quando, vou dormir aqui. Com você. Vem comigo.

Ele deu as costas, e eu o segui por puro instinto de sobrevivência. O Damian andou até o fim do corredor e empurrou uma porta de madeira maciça e pesada. No segundo em que dei o primeiro passo para dentro daquele cômodo, o ar sumiu completamente dos meus pulmões.

Era um quarto vermelho.

O espaço exalava opulência e dor. Não parecia um quarto normal, mas uma sala de tortura extremamente luxuosa. As paredes eram revestidas de couro escuro, correntes de aço polido pendiam do teto e chicotes, palmatórias de marca e algemas de alto padrão estavam expostos em suportes de veludo. Gavetas abertas mostravam acessórios e objetos que eu nem sabia para que serviam.

Dei um passo para trás na hora, com o pânico paralisando o meu peito. Pensei que ele ia arrancar os meus dentes, que ia me espancar até a morte. Eu ia morrer dentro daquele quarto.

Antes que eu pudesse correr, a mão enorme do Damian se cravou nas minhas costas, travando o meu recuo com a firmeza de uma parede de concreto.

— Não precisa ter medo. Não ainda — ele sussurrou contra a minha nuca, o calor da respiração dele me fazendo arrepender da proximidade. — Você sabe muito bem que não é a Genna. Mas existem três regras absolutas nesta casa, Helen.

— Quais são? — perguntei, com a voz quase sumindo num sussurro.

— Primeira: você me obedece. Segunda: você não faz absolutamente nada a menos que eu mande. E terceira... você é minha. Exclusivamente minha. Minha propriedade para usar e descarregar todo o meu estresse e frustração do dia a dia. Essa é a sua função principal a partir de hoje.

Os sussurros da amante ruiva no banheiro passaram pela minha cabeça, junto com os anos de treinamento e aulas de etiqueta e intimidade que a minha irmã tinha recebido a vida inteira.

— A Genna treinou para isso... — gaguejei, sentindo lágrimas de humilhação ameaçarem cair. — Eu não sei nada. Não sei o que fazer.

— Não importa. — Damian segurou o meu queixo, me forçando a olhar para o seu rosto esculpido e cruel. — Eu mesmo vou ensinar tudo a você. Vou moldar o seu corpo aos meus desejos. Mas, se você se comportar mal, vou te castigar. Para começar... tira o vestido.

Encarei o homem com os olhos arregalados. O vestido de noiva estava sufocante de tão apertado, esmagando as minhas curvas com dor.

— Não... por favor, agora não — implorei, dando um passo para trás.

Damian não hesitou. Ele avançou como um predador. As mãos dele se cravaram no decote do tecido caro e, num único movimento bruto e violento, ele rasgou o vestido de noiva de cima a baixo. O som do pano rasgando ecoou pelo quarto vermelho.

Soltei um grito de susto puro, tentando cobrir o meu corpo.

— Cala a boca! — ele rosnou, a voz como um trovão, enquanto prendia os meus dois pulsos numa só mão, prensando os meus braços acima da minha cabeça contra a estrutura de metal do quarto. — Eu não te dei permissão para gritar.

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