MasukCharles fez uma pausa, e com olhar de deboche, disse.— E fiquei sabendo, que essa mulher era a ex do amante de Sandra. Isso é patético.Dom Camilo, que observava o espetáculo em silêncio absoluto, inclinou-se levemente para a frente. Suas rugas profundas pareciam ainda mais marcadas sob a iluminação do lustre de cristal.— Isso é verdade, Victor? Interveio o patriarca, com a voz pausada e imponente. — Você se casou com essa mulher? Ela é realmente sua esposa?Victor sustentou o olhar do avô sem hesitar por um segundo sequer.— Sim, vovô. É a mais pura verdade. Isabel e eu já estamos casados.Respondeu Victor. Com um movimento calmo e calculado, ele colocou a mão no bolso interno do paletó e retirou um documento dobrado. — Se vocês precisam de provas para acreditar, aqui está a nossa certidão de casamento.Victor estendeu o documento. Dom Camilo o pegou e, com mãos firmes, desdobrou o papel, analisando meticulosamente o selo e o timbrado oficial do cartório.— A Isabel já está mora
O eco dos brindes e das felicitações a Charles e Gabriela finalmente começou a dissipar no ar carregado da sala principal. A atmosfera, embora aparentemente festiva, escondia a rigidez típica dos encontros da família Gouveia, onde cada sorriso era medido e cada olhar, calculado.Acomodado na cabeceira do enorme sofá, o pai de Victor quebrou o silêncio momentâneo. Ele ajeitou o terno com gestos lentos e direcionou o olhar ao filho, num tom que alternava curiosidade e cobrança:— Victor, qual é a sua novidade, meu filho? Estamos todos ansiosos para ouvi-la.Antes que Victor pudesse dar qualquer resposta, um riso soprado e ácido cortou o ambiente. Sophie, prima de Victor, ajeitou a postura e olhou para mim de cima a baixo, deixando transparecer todo o seu desprezo em um sorriso de canto de boca.— Ah, tio... Talvez a grande novidade que o Victor guardou para a família seja novamente sobre a Isabel. Debochou ela, marcando meu nome com desdém. — Mas convenhamos, todos nós já sabemos a hi
O jantar transcorreu em um silêncio quase asfixiante. Os talheres batendo contra a porcelana fina pareciam estalos de tensão prestes a explodir, mas, contra todas as expectativas, nenhum confronto estourou à mesa. Era apenas a calmaria calculada que precede a tempestade.Quando retornamos à sala de estar, a atmosfera pesada nos acompanhou. O ambiente amplo, ornamentado com luxo sob a luz amarelada dos lustres de cristal, parecia pequeno demais para o tamanho dos segredos que flutuavam ali. Dom Carmilo, a verdadeira autoridade da casa, acomodou-se em sua poltrona de couro e pigarreou, quebrando o suspense.— Charles, Victor... Agora que terminamos de jantar e estamos todos devidamente reunidos, creio que seja a hora. Queremos saber qual é a grande novidade que vocês têm para nós.Antes mesmo que Victor pudesse sequer se mover, Charles se levantou com uma pressa quase infantil. Aquele cinismo oportunista estampado no rosto não enganava ninguém. Ele queria a palavra primeiro, queria roub
Ele puxou a jovem ao seu lado pela cintura, expondo-a como um troféu.— ...é Gabriela. Minha namorada.O insulto estalou no ar como um tapa. Meu sangue subiu à cabeça, e os meus lábios se abriram para responder, mas Victor foi mais rápido. Ele se levantou a metade do caminho, a mandíbula tão trincada que os músculos do seu rosto saltaram.— Charles... A voz de Victor baixou uma oitava, tornando-se perigosamente calma. — Creio que a única "qualquer" nesta sala é a mulher ao seu lado. Então meça muito bem as suas palavras antes de voltar a pronunciar o nome de Isabel.Um suspiro coletivo ecoou pelo salão. O ar ficou tão denso que parecia impossível respirar. O confronto físico parecia a um milímetro de acontecer. Antes que Charles desse o troco e o caos se instalasse de vez, a bengala de Dom Camilo bateu com força contra o piso.TOC!— Chega! Vociferou o velho, o olhar faiscando. — Não tolerarei baixarias na minha casa! Eu exigi um jantar de família em harmonia. Guardem a imbecilida
O eco dos nossos passos no mármore polido parecia anunciar algo inevitável. Quando finalmente alcançamos o imenso arco de entrada do salão principal, o mordomo Luiz deteve-se por um segundo, fez uma mesura impecável, impecável demais, como quem esconde o peso do que está prestes a presenciar, e inclinou levemente a cabeça.— Com licença, senhor. Voltarei ao meu trabalho.Murmurou com a voz baixa e neutra de quem já viu ruínas inteiras se erguere e caírem sob aquele mesmo teto.Ele se retirou em silêncio, desaparecendo pelas sombras do corredor. Na sala, porém, ninguém notou sua partida. Nem a nossa chegada.O ambiente estava impregnado pelo cheiro forte de perfumes caros, uísque envelhecido e o zumbido contínuo de conversas banais. A iluminação de cristal do lustre gigantesco projetava luz sobre um cenário que mais parecia um tribunal. Todos pareciam tão entretidos em suas próprias intrigas que éramos invisíveis.Até que Victor deu um passo à frente. Ele pigarreou com firmeza, cortan
Sustentei seu olhar, sentindo o peso do silêncio que nos cercava, e assenti devagar. Minha voz saiu firme, carregada de uma promessa que eu vinha repetindo para mim mesma em frente ao espelho como um mantra de sobrevivência.— Não se preocupe, Victor. Dessa vez, eu não vou te envergonhar.Afirmei, erguendo o queixo, sentindo um arrepio gélido percorrer minha espinha. — Não vou deixar ninguém pisar em mim. Eu vou provar que posso estar à sua altura... a altura da esposa que você precisa ao seu lado.Victor me encarou por um segundo interminável. Seus lábios se curvaram em um sorriso satisfeito, do tipo que calculava cada vitória antes mesmo de entrar no campo de batalha.---Os dias que antecederam o fim de semana pareceram passar como um borrão sufocante.Camila me visitou na mansão e sua empolgação foi total.— Amiga eu amei esse lugar, parece um castelos e você é a rainha.Eu ri da empolgação de Camila. Quando o sábado finalmente despontou, o ar daquela noite parecia pesado, quase







