LOGINCha Min-seo é a herdeira da Maison Cha, o maior império da alta-costura em Seul. Exigente, implacável e dona de um gênio difícil, ela carrega o peso de manter o legado da família enquanto protege a mãe inválida e enfrenta a ambição do próprio irmão, que fará de tudo para tomar o controle do conselho. Mas, por trás de sua postura inabalável, Min-seo esconde um segredo vulnerável: uma claustrofobia severa desencadeada no mesmo acidente trágico que tirou a vida de seu pai e deixou sua mãe em estado vegetativo. Após um atentado quase tirar sua vida, a empresa Maison Cha abre uma seleção rigorosa para o cargo de chefe de segurança. Entre os candidatos que desistem um a um diante da personalidade afiada da CEO, apenas Han Seo-jun permanece. Ex-militar focado, de físico imponente e conduta inabalável, ele é o único capaz de encarar o olhar desafiador de Min-seo sem recuar. Contratado para ser sua sombra 24 horas por dia, Seo-jun tem a missão de protegê-la das ameaças que espreitam os bastidores do poder. Porém, a proximidade diária nas ruas movimentadas de Seul e na intimidade de sua residência começa a testar a conduta profissional do guarda-costas. Entre jogos de controle, toques roubados na escuridão e um perigo que se aproxima, a linha rígida entre a ordem e a obsessão se rompe por completo.
View MoreO ar condicionado da sala de reuniões principal da Maison Cha funcionava no ápice de sua potência, mas a atmosfera interna estava sufocante. Sentada na cabeceira da imensa mesa de jacarandá polido, no topo do trigésimo andar da sede em Seul, Cha Min-seo mantinha uma postura impecável. O terno feminino cinza-chumbo moldava-se perfeitamente aos seus ombros, e a expressão em seu rosto era de puro gelo.
À sua direita, em pé e ligeiramente inclinado com um tablet de couro em mãos, estava seu secretário de extrema confiança, Secretário Park. Ele acompanhava cada movimento da sala com o rigor de quem conhecia exatamente o ritmo e a exigência inflexível de sua chefe.
No telão central, o diretor do departamento de suprimentos apresentava o slide da nova coleção — um conceito autoral desenhado à mão pela própria Min-seo.
— Como podem ver neste gráfico de produção, a textura proposta pela nossa diretora exige leveza absoluta — explica o diretor, limpando o suor frio da testa com o lenço. — Para viabilizar a produção em massa da linha de primavera, selecionamos o melhor fornecedor de fios de seda sintética com trama reforçada...
— Selecionaram? — A voz de Min-seo cortou a sala como uma lâmina. O tom não era alto, mas a autoridade natural fez o diretor estancar a fala no mesmo instante.
Min-seo estendeu a mão sem desviar o olhar do telão. O Secretário Park, adivinhando o gesto imediatamente, deu um passo à frente e colocou sobre a mesa o pequeno recipiente de acrílico transparente que continha as amostras dos fios enviados pelo fornecedor.
A herdeira deslizou a tampa com movimentos lentos e calculados. Ela retirou um único cabo da fibra reluzente. Seus dedos finos, com unhas perfeitamente alinhadas, tencionaram o fio. Ela não aplicou força excessiva — apenas a pressão exata que o caimento de um vestido de alta-costura exigiria ao ser vestido.
Snap.
O fio se rompeu instantaneamente, dividindo-se em farpas frágeis entre suas pontas dos dedos.
Um silêncio sepulcral dominou a sala de conferências.
Min-seo soltou os pedaços rompidos sobre a mesa de madeira, encarando o recipiente como se ali houvesse um insulto pessoal. Ela se encostou na poltrona de couro, cruzando os braços, e fixou os olhos afiados no diretor de suprimentos.
— Isso é uma porcaria — declarou ela, com a voz fria e carregada de desprezo. — Esta é a fibra que você pretende usar para dar vida aos meus esboços? Isso não aguentaria a estrutura de uma costura lateral, quanto mais o caimento de um modelo exclusivo da Maison Cha.
— Diretora Cha, por favor, considere o custo de produção e o prazo... — tentou intervir o diretor, elevando a voz em um misto de desespero e defensiva. — Estamos a dois meses do desfile de Seul! Trocar a tecelagem agora inviabiliza o orçamento aprovado pelo conselho!
— Eu não me importo com a sua incompetência em negociar prazos — rebateu Min-seo, inclinando-se para a frente e apoiando as mãos espalmadas sobre a mesa, os olhos faiscando. — A Maison Cha não vende panos rasgados a preço de ouro. O meu nome está em cada traço dessa coleção. Se o material é medíocre, a assinatura que vai nele se torna medíocre. E eu não aceito nada menos que a perfeição.
— A senhora está sendo irredutível! O mercado exige flexibilidade! — altercou um dos conselheiros mais velhos, batendo com o punho na mesa para desafiar a autoridade da jovem CEO. — Seus padrões são irreais para a escala corporativa!
— O padrão é meu porque a empresa é minha — retrucou ela, a postura rija, a respiração compassada ocultando a tensão crescente em seu peito.
Ao seu lado, o Secretário Park deu um meio passo discreto, pronto para intervir na logística da crise, enquanto os diretores começavam a falar todos ao mesmo tempo, transformando a reunião corporativa em um campo de batalha acalorado de vozes alteradas e acusações veladas.
A gritaria na sala de conferências atingiu o ápice. Diretores gesticulavam, conselheiros trocavam acusações, e o ar tornou-se cada vez mais denso. Min-seo permaneceu imóvel por três segundos, absorvendo o caos antes de se levantar. O movimento simples fez a mesa inteira se calar de imediato.
— Esta reunião está encerrada — sentenciou ela, a voz fria cortando a sala como uma lâmina de aço. — Vocês têm exatamente 72 horas para apresentar uma solução decente para a tecelagem. Se em três dias um novo fornecedor de alto padrão não for homologado, a diretoria de suprimentos inteira será demitida.
Sem esperar por qualquer réplica, Min-seo girou sobre os saltos e caminhou a passos rápidos em direção à saída da sala VIP. O Secretário Park recolheu o tablet num movimento rápido e a seguiu de perto, mantendo a distância regulamentar de dois passos.
Enquanto cruzava o corredor de mármore em direção ao hall dos elevadores, Min-seo continuou a andar a passos firmes, sem sequer olhar para trás.
— O que mais temos na agenda para hoje, Secretário Park?
— A senhora tem uma visita técnica ao ateliê principal às quatorze horas, seguida de uma videoconferência com os investidores de Paris às dezesseis, Diretora Cha — respondeu ele prontamente, acompanhando o ritmo acelerado da chefe.
Min-seo parou subitamente a poucos metros do elevador executivo. No hall, dois diretores sêniores aguardavam a chegada da cabine. Ao notarem a presença da herdeira, ambos inclinaram a cabeça em sinal de respeito. Min-seo manteve a cabeça erguida e o queixo firme, a imagem perfeita da autoridade inabalável. No entanto, por baixo da manga de seu terno cinza-chumbo, a mão direita desceu discretamente até a barra do casaco. Suas unhas perfeitamente moldadas afundaram no tecido de lã fria, apertando-o com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.
Plim.
As portas espelhadas do elevador executivo abriram. Os diretores deram um passo para o lado, cedendo a passagem. Min-seo entrou na cabine metálica sem hesitar, seguida pelo Secretário Park. As portas de aço se fecharam, selando o espaço reduzido.
A cada andar que o elevador descia, a pressão no peito de Min-seo aumentava. O ar parecia desaparecer. Ela manteve o olhar fixo no painel digital iluminado, mas a ponta de seus dedos cravou-se ainda mais fundo no tecido do casaco, torcendo o pano em uma tentativa desesperada de manter o controle sobre o próprio corpo.
Quando o indicador finalmente marcou o térreo e a porta se abriu para o imenso saguão de vidro da Maison Cha, Min-seo deu um passo para fora. Ela puxou o ar lentamente pelo nariz, preenchendo os pulmões de forma imperceptível, sem jamais perder a postura rija.
— Vou ao banheiro. Me espere aqui, volto logo — declarou ela a Park, sem encará-lo.
— Sim, Diretora.
Ela caminhou a passos rápidos até o banheiro feminino privativo da diretoria, localizado lateral direita do térreo. Assim que cruzou a porta e girou a tranca metálica, a máscara de ferro ruiu por completo.
Min-seo encostou as costas contra a porta de madeira e deslizou até o chão. Ela cobriu a boca com as duas mãos para abafar os soluços violentos que irromperam de seu peito. As lágrimas quentes inundaram seu rosto, borrando o contorno dos olhos. O pavor contido durante cada segundo dentro daquela caixa de metal fechada transbordou em um choro desesperado e silencioso. O pânico da claustrofobia, alimentado pelas memórias sufocantes daquele trágico acidente de dez anos atrás, consumia cada fibra de seu ser.
Do lado de fora, no hall de entrada iluminado, uma das recepcionistas sêniores da empresa aproximou-se discretamente do Secretário Park, segurando uma prancheta.
— Secretário Park... desculpe a curiosidade, mas a Diretora Cha sempre vai ao banheiro imediatamente após subir ou descer pelo elevador executivo. É um hábito peculiar, não acha?
Park ajustou os óculos no rosto e respondeu em tom neutro, sem dar margem para fofocas:
— Todo mundo tem seus hábitos, Senhorita Kim. Concentre-se no seu trabalho.
A funcionária curvou-se rapidamente e retornou ao seu posto.
Poucos minutos depois, a porta do banheiro se abriu. Min-seo emergiu com a maquiagem impecavelmente retocada, a pele alinhada e a expressão ríspida reconstruída. Ninguém que a olhasse diria que, segundos atrás, ela estava de joelhos no chão, chorando copiosamente.
— Vamos — ordenou ela a Park.
Os dois caminharam juntos em direção às portas de vidro da entrada principal da Maison Cha. O motorista já aguardava com o sedã preto estacionado junto à calçada.
No instante em que Min-seo colocou os pés na área externa do prédio, o ronco alto de um motor rompeu o silêncio da avenida. Um carro de vidros escuros avançou em alta velocidade, derrapando em frente à entrada. Da janela traseira, o cano de uma arma automática foi projetado.
Pow! Pow! Pow!
O som dos disparos ecoou pelo saguão de vidro.
Antes que a primeira bala atingisse o alvo, o Secretário Park reagiu pelo instinto puro. Ele se projetou com todo o peso do seu corpo sobre Min-seo, empurrando-a violentamente para o lado. Ambos caíram juntos contra o piso de granito da calçada.
O carro acelerou cantando pneus, dobrando a esquina e desaparecendo no tráfego denso de Seul.
O caos se instalou na fachada da empresa, com gritos de funcionários e pedestres ecoando por todos os lados. Min-seo, atordoada pelo impacto da queda, tentou se erguer, mas sentiu algo quente e úmido sobre sua roupa.
Ao olhar para o lado, viu o Secretário Park caído sobre o gramado decorativo. Ele respirava com dificuldade, a mão contraídas sobre o ombro ensanguentado, enquanto uma mancha vermelha e densa se espalhava rapidamente pelo tecido de calça na altura da coxa.
— Secretário Park! — gritou ela, a voz firme finalmente fraquejando diante do horror da cena.
Ao chegar à casa de Min-seo — uma residência de arquitetura moderna e sóbria em um bairro nobre de Seul — Seo-jun estacionou o veículo blindado de frente para a entrada principal. Antes de destravar as portas, ajustou o retrovisor e franziu o cenho ao notar a ausência do carro da equipe de apoio. Varreu o perímetro ao redor com o olhar analítico: a rua estava silenciosa e vazia. Nenhum sinal dos seus homens.Seo-jun saiu do veículo, deu a volta e abriu a porta traseira. Min-seo desceu tentando a todo custo manter a postura ereta, mas o corpo ainda não respondia com firmeza. Ao dar os primeiros passos, a visão oscilou e ela cambaleou.Em um reflexo rápido, Seo-jun avançou e a amparou firmemente pelo braço.Min-seo, contudo, soltou-se do toque dele de imediato, afastando o braço com a pouca força que lhe restava.— Não toque em mim — declarou ela, a voz fraca, mas carregada de orgulho.Seo-jun recuou um passo, sem argumentar, mantendo-se em sua posição de retaguarda. Min-seo caminhou at
Seo-jun notou algo estranho assim que adentrou no auditório. Seus olhos acostumados à penumbra e ao rastreio de ameaças captaram imediatamente uma oscilação anômala nos refletores do teto: duas das lâmpadas de iluminação cenográfica piscaram com um defeito sutil de fiação, projetando sombras irregulares sobre a passarela de testes.Não se tratava de um atentado iminente, mas sim de uma falha de manutenção inaceitável para o nível de exigência da Maison Cha.Varrendo o ambiente com o olhar, ele localizou rapidamente os quatro seguranças de apoio da sua equipe. Posicionados em pontos estratégicos do auditório — dois junto às saídas de emergência e dois no mezanino de controle — os operacionais mantinham-se invisíveis para os presentes, mas em perfeita sintonia visual com o Capitão. Um leve aceno de cabeça de um dos homens confirmou que o perímetro do auditório estava devidamente selado.Min-seo avançou até a mesa central da banca avaliadora sem dar importância à executiva que a bajulara
Caminhando a passos firmes pelo corredor que conduzia às escadas e elevadores do andar da diretoria, a presença de Seo-jun ao lado de Min-seo era constante. Ele ajustou o microfone sutil fixado na gola de sua jaqueta, acionando o comunicador interno conectado ao fone de ouvido.— Quatro homens, dirijam-se imediatamente ao auditório no terceiro andar — ordenou ele, a voz firme e profissional ressoando na linha tática. — Faça a varredura preventiva do perímetro antes da nossa chegada.— Positivo e copiado, Capitão. A caminho, senhor — veio a resposta imediata do outro lado do rádio.Min-seo ergueu o pulso e olhou para o relógio de marca, notando os minutos contados enquanto paravam de frente para as portas metálicas do elevador.Ao seu lado, Seo-jun mantinha uma postura impecável, com a cabeça erguida e os ombros alinhados. No entanto, seu olhar analítico não estava fixo na luz indicadora dos andares, mas na CEO. Ele percebeu quando os dedos longos e bem-cuidados de Min-seo começaram
As horas avançavam de forma lenta dentro da imponência do escritório da presidência da Maison Cha. O silêncio na sala só era quebrado pelo som suave das folhas de contratos sendo assinados e pelo ritmo pausado do teclado do computador de Min-seo.A poucos metros da mesa principal, Han Seo-jun permanecia de pé. Sua postura era a de um soldado em prontidão absoluta: pernas levemente afastadas, mãos entrelaçadas atrás das costas e um olhar frio e analítico que varria cada centímetro do ambiente, atento aos mínimos detalhes, dos dutos de ventilação às sombras na vidraça.Cansada após horas de leitura ininterrupta e com a garganta seca pela tensão do dia, Min-seo ergueu-se bruscamente da cadeira executiva. Ela caminhou em direção à bancada de mármore no canto da sala, disposta a servir-se de água da jarra de vidro lapidado que descansava sobre a superfície fria.Antes que sua mão pudesse tocar o gargalo da jarra, uma sombra alta e imponente cortou seu caminho.— Com licença, Senhora Cha —






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