Se connecterDo lado de fora do quarto de isolamento havia um corredor comprido. Tirando a equipe médica, não havia mais ninguém ali. Naquele momento, tudo estava em silêncio.Joyce entrou vindo do corredor, e Ivone a viu de imediato.Joyce lançou um olhar para a porta já fechada do quarto de isolamento atrás de Ivone. Lembrou do que Osvaldo tinha acabado de contar sobre o estado da criança lá dentro e, por isso, não se surpreendeu nem um pouco com o que estava vendo.Ela fez um leve aceno de cabeça para Ivone.Ivone tinha ficado sentada ao lado da cama por muito tempo. Quando ela se levantou e deu alguns passos, começou a sentir o mundo girar. A luz branca sobre a cabeça parecia forte demais, a ponto de ferir os olhos. De repente, as pernas dela amoleceram e o corpo todo tombou para a frente.— Cuidado. — Joyce veio rápido e segurou o braço de Ivone a tempo, apoiando a outra mão no ombro dela. — Senhora… Srta. Ivone, a senhora está bem?Ivone levou uma mão à cabeça e respondeu em voz baixa:— Obri
Rui fechou a porta do elevador em silêncio e voltou para o andar da enfermaria.Roberto estava servindo água para Fabiano. Quando ouviu o barulho da porta se abrindo, virou-se e lançou um olhar rápido por cima do ombro:— Já voltou? Tão rápido assim?Rui fez um som afirmativo. Ele se aproximou da cama de Fabiano:— A Sra. Ivone subiu comigo no mesmo elevador.Ao ouvir isso, Roberto, com o copo d’água na mão, virou-se para encarar Fabiano, que estava sentado na cama, recostado no encosto, fingindo ler alguns documentos. Roberto comentou de propósito:— Então Joyce e Ivone se encontraram?Desde que Ivone tinha recuperado aquelas lembranças, com exceção de ontem, quando Fabiano a levou para ver Cofrinho, ele não tinha aparecido mais nenhuma vez diante dela. Ele evitava qualquer coisa que pudesse abalá-la ainda mais.Por isso, quando ouviu que Ivone queria ir ver o filho, ele fingiu tranquilidade e resolveu ficar ali embaixo, em vez de subir correndo atrás dela.Rui confirmou com um murmúr
O elevador subia devagar, e Bendinho permanecia em silêncio ao lado de Ivone. Ninguém dizia uma palavra dentro da cabine.Ivone estava tão quieta que parecia uma escultura parada ali. Ela não olhava para os números do painel, como se nada existisse de verdade no campo de visão dela.No dia anterior, Bendinho já tinha notado que ela estava assim. Depois de ver Cofrinho e voltar para o quarto, ela até comia por vontade própria, mas continuava igual aos dias anteriores: sem ânimo para conversar.Naquela manhã bem cedo, Bendinho tinha acabado vendo uma cena por acaso: Ivone estava encostada na janela, os olhos completamente vazios, e usava a ponta dos dedos para cutucar o corte que tinha no pulso. Assim que percebeu que ele estava ali, ela simplesmente virou de costas, fingindo naturalidade.Aquilo deixou Bendinho preocupado e com o coração apertado ao mesmo tempo.O que precisava acontecer para que a Ivone de antes voltasse? Aquela Ivone que fazia piada com ele, que sentava para jogar com
De repente, Roberto pareceu juntar as peças e perguntou em voz mais baixa:— Você e a Joyce já transaram, né?O olhar de Fabiano continuou frio:— Não aconteceu nada. No máximo, nós dois forjamos uma certidão de casamento.O que Fabiano não tinha previsto era que aquela foto para certidão ainda ia ficar guardada na cabana da ilha… e acabar sendo vista por Ivone.Roberto puxou o ar com força:— Até na farsa você é metódico, hein!Dizendo isso, Roberto voltou a sentar ao lado, desta vez sem o tom completamente brincalhão de antes. Havia um traço de seriedade na voz dele:— Você ainda não me contou por que se casou de mentira com a Ivone.Em teoria, Fabiano colocava Ivone acima da própria vida. Mesmo tendo mandado apagar a memória dela naquela época, conhecendo o jeito dele, assim que Ivone pediu para se casar com ele, era de se esperar que ele segurasse essa mulher com as duas mãos e nunca mais deixasse sair. Por que, então, ele tinha escolhido fazer só uma certidão de casamento falsa?—
Fabiano encarou Joyce com aquele mesmo olhar frio de sempre.Comparado com o "Quanto tempo" cheio de alegria de reencontro que Joyce tinha soltado, a reação dele foi simples demais, igualzinha à que ele tinha com qualquer outro médico, enfermeiro ou funcionário da empresa.Roberto achou aquilo totalmente normal. Ele sabia que Fabiano não se aproximava de ninguém. O gênio e o temperamento dele eram estranhos, e fazer com que ele tratasse alguém de forma diferente era praticamente impossível.Da outra vez, quando Fabiano tinha sido um pouco mais atencioso com Maia por um curto período, também tinha sido só por causa de Cofrinho.Foi então que Roberto se deu conta de um detalhe: ele tinha ouvido a Joyce chamar Fabiano de "Cássio".— Como é que é? — Roberto virou o rosto na direção de Fabiano.Fabiano apertou de leve os lábios, com uma expressão igualmente neutra, sem a menor intenção de explicar."Cássio" era o nome que ele tinha escolhido dez anos antes, antes de ir para uma missão como
Aquele era o lugar mais perto de Cofrinho.Fabiano se aproximou, se agachou na frente dela e, em seguida, sentou ao lado, passando o braço pelos ombros de Ivone para que ela se encostasse nele.Ninguém saberia dizer quanto tempo tinha passado até que Ivone despertasse num sobressalto:— Cofrinho!Ela sentiu os dedos que apertavam o ombro dela ficarem, de repente, muito mais fortes e, assustada, levantou o olhar. O pânico que ela carregava no rosto apareceu, sem nenhum disfarce, nos olhos de Fabiano. Ele franziu a testa e a apertou ainda mais contra o peito:— Cofrinho está bem. Ele está descansando.A voz grave de Fabiano foi, pouco a pouco, acalmando o coração disparado de Ivone, ainda preso ao pesadelo do qual ela tinha acabado de acordar.Ivone olhou para o relógio pendurado na parede. Ela já tinha dormido por três horas. Depois, ela baixou o olhar para a mão de Fabiano, ainda apoiada no ombro dela.Como Fabiano tinha descoberto que ela estava ali? E, mais ainda, por que ele não tin







