Quando Ivone saiu da delegacia, já era madrugada avançada. Do lado de fora, nevava sem parar.Os poucos pedestres que passavam pela rua olhavam, curiosos, para aquela mulher de rosto marcado por hematomas arroxeados, cabelo emaranhado e passos mancos. Mas Ivone simplesmente ignorava os olhares e os comentários murmurados.Ela arrastava as pernas pesadas, caminhando devagar, de cabeça baixa, com a expressão vazia, enquanto encarava a tela estilhaçada do celular. Ela tocava, com os dedos cheios de pequenos cortes e sangue seco, a função de discagem, e digitava um número.Como era de se esperar, assim como na chamada de emergência que ela tinha feito, desesperada, enquanto apanhava, ninguém atendeu.Um floco de neve grudou nos cílios de Ivone. Ela piscou, e a água gelada derreteu direto dentro dos olhos.— Heh. — Ivone deixou escapar um sorriso de escárnio.Ela estava realmente em frangalhos. No instante em que a mão dela perdeu as forças e começou a descer, a chamada finalmente foi atend
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