LOGINFabiano encarou Joyce com aquele mesmo olhar frio de sempre.Comparado com o "Quanto tempo" cheio de alegria de reencontro que Joyce tinha soltado, a reação dele foi simples demais, igualzinha à que ele tinha com qualquer outro médico, enfermeiro ou funcionário da empresa.Roberto achou aquilo totalmente normal. Ele sabia que Fabiano não se aproximava de ninguém. O gênio e o temperamento dele eram estranhos, e fazer com que ele tratasse alguém de forma diferente era praticamente impossível.Da outra vez, quando Fabiano tinha sido um pouco mais atencioso com Maia por um curto período, também tinha sido só por causa de Cofrinho.Foi então que Roberto se deu conta de um detalhe: ele tinha ouvido a Joyce chamar Fabiano de "Cássio".— Como é que é? — Roberto virou o rosto na direção de Fabiano.Fabiano apertou de leve os lábios, com uma expressão igualmente neutra, sem a menor intenção de explicar."Cássio" era o nome que ele tinha escolhido dez anos antes, antes de ir para uma missão como
Aquele era o lugar mais perto de Cofrinho.Fabiano se aproximou, se agachou na frente dela e, em seguida, sentou ao lado, passando o braço pelos ombros de Ivone para que ela se encostasse nele.Ninguém saberia dizer quanto tempo tinha passado até que Ivone despertasse num sobressalto:— Cofrinho!Ela sentiu os dedos que apertavam o ombro dela ficarem, de repente, muito mais fortes e, assustada, levantou o olhar. O pânico que ela carregava no rosto apareceu, sem nenhum disfarce, nos olhos de Fabiano. Ele franziu a testa e a apertou ainda mais contra o peito:— Cofrinho está bem. Ele está descansando.A voz grave de Fabiano foi, pouco a pouco, acalmando o coração disparado de Ivone, ainda preso ao pesadelo do qual ela tinha acabado de acordar.Ivone olhou para o relógio pendurado na parede. Ela já tinha dormido por três horas. Depois, ela baixou o olhar para a mão de Fabiano, ainda apoiada no ombro dela.Como Fabiano tinha descoberto que ela estava ali? E, mais ainda, por que ele não tin
O tempo todo, Rui tinha ficado de lado, só observando. A ordem de Fabiano tinha sido clara: não importava o que Ivone fizesse, a menos que ela não aguentasse fisicamente, Rui não devia interferir.Ivone jogou o lençol para trás:— Você se envenenou para chantagear o Fabiano, Maia. Eu não fazia ideia de que você fosse capaz de tanta crueldade, a ponto de não poupar nem a si mesma. Mas pode ficar tranquila, eu não vou deixar você morrer envenenada. O que você acabou de engolir foi o antídoto. Morrer seria uma punição leve demais para você.Maia já tinha perdido completamente a força para reagir. As mãos dela caíram pesadas sobre o colchão. Ela começou a rir, chorando ao mesmo tempo:— Adianta o quê? O que está me esperando é a pena de morte.Ivone pegou um lenço de papel no criado-mudo e limpou as próprias mãos com calma:— Pelo que a gente já viveu como amigas, eu vou contratar o melhor advogado que eu encontrar para defender você. Vou fazer de tudo para trocar essa sentença por prisão
— Porque carrego sangue sujo nas veias. Desde pequena eu fui desprezada pelo Geraldo, ele nunca gostou de mim. Ele me maltratava, me batia, me xingava e, quando eu fiz dezoito anos, ele já queria me empurrar para um velho tarado. Quando eu recusei, ele me trancou e me deixou sem comida. Comparada comigo, você sempre foi sortuda demais, feliz demais.Se fosse a Ivone de anos atrás, ela com certeza teria sentido uma pena profunda de Maia ao ouvir tudo aquilo. Mas, agora, o que Ivone sentiu foi só um certo desdém, quase achando tudo aquilo ridículo.— Fui eu que causei a sua desgraça? — Disse Ivone.— Não foi você. — Maia respirou fundo. — Você não podia simplesmente ficar quieta na família Moraes, sendo a herdeira certinha? Por que você tinha que tirar o Fabiano de mim?Maia continuou, sem dar tempo para Ivone responder:— Se eu me casasse com o Fabiano, eu finalmente ia ser uma mulher feliz. Todo o meu passado ia ficar para trás. Mas você fez questão de destruir tudo.Maia cravou as mão
Na cama, Maia encarava o teto sem piscar. Na cabeça dela, a frase de Rui ecoava sem parar:"O filho do Sr. Fabiano com a Sra. Ivone."As palavras rodavam como um feitiço, repetindo sem trégua, até virarem, na mente dela, um verme fino e comprido que saía pela cabeça e voltava para o corpo, correndo pelo sangue até chegar ao coração, onde começava a se contorcer feito louco.Mesmo que, em teoria, os nervos de dor dela já quase não respondessem mais, por que, então, aquela pontada súbita no peito fazia Maia sentir que preferia morrer a aguentar aquilo?Maia tinha se esgotado inteira para envenenar Ivone. Aquele bebê, sem batimentos cardíacos, tinha sido tirado à força do ventre de Ivone. Como podia estar vivo?"Se o bebê está vivo, por que Ivone sofre daquele jeito? Então o que Rui falou é mentira. Ele disse aquilo de propósito, só para me torturar."Não se sabia quanto tempo havia se passado.Nesse meio-tempo, médicos e enfermeiras tinham entrado para trocar curativos, fazer exames. Qua
Assim que Davi terminou de falar, ele e Raul empurraram a cadeira de rodas de Ivone para dentro do quarto.A porta se fechou.Fabiano ficou olhando para aquela porta por alguns segundos, os olhos baixos, e, depois de um breve instante, ele se virou e foi embora pelo corredor.Dentro do quarto, Davi apertou um pouco mais o apoio da cadeira de rodas e ficou encarando a parte de trás da cabeça de Ivone.Ivone não dizia nada. Ninguém fazia ideia do que passava pela cabeça dela.Quando chegaram ao lado da cama, Davi ajudou Ivone a se levantar e a sentar no colchão. Ela se encostou no encosto, exausta, ergueu o rosto para ele e falou:— Um dia, quando der, eu levo você para conhecer o Cofrinho. Ele é bem bonzinho, já sabe chamar "mamãe". Da próxima vez eu o ensino a te chamar de "tio". Ele é tão esperto que, com certeza, aprende rapidinho.Fabiano não tinha contado para ela que, do lado de fora do quarto de isolamento, dava para ver o Cofrinho pelo monitor. Se ele dissesse isso, ela com cert