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CAPÍTULO 3

Author: Euridce
last update publish date: 2026-05-14 11:34:25

Helena descobriu quem era Vanessa Alencar por acidente.

Ou talvez o destino simplesmente tivesse decidido humilhá-la mais uma vez.

Era início da tarde. Luna dormia no sofá depois de horas inquieta, chamando pelo pai entre choros confusos e birras que partiram o coração de Helena em pedaços cada vez menores.

Ela estava na cozinha tentando tomar café quando o celular vibrou sobre a mesa.

Notificação de rede social.

Helena quase ignorou.

Mas então viu o nome de Ricardo.

Seu estômago afundou imediatamente.

As mãos começaram a tremer antes mesmo de abrir.

E quando abriu, o mundo parou.

A foto mostrava Ricardo sorrindo.

Sorrindo de verdade.

Um sorriso que Helena não via há meses.

Ao lado dele estava uma mulher alta, elegante, absurdamente bonita, usando um vestido branco justo que destacava a barriga levemente arredondada.

Grávida.

Vanessa.

A legenda destruiu o pouco que ainda restava dela.

“Às vezes a felicidade chega quando temos coragem de recomeçar."

Helena ficou olhando para a tela sem respirar.

Como se o cérebro se recusasse a entender.

Recomeçar?

Era aquilo que ele chamava de destruir a própria família?

Ela ampliou a foto sem conseguir evitar.

Vanessa tinha cabelos loiros impecáveis, pele perfeita e um sorriso satisfeito demais.

A mão dela estava sobre o peito de Ricardo.

Como se ele pertencesse a ela.

Talvez pertencesse mesmo.

Helena sentiu uma náusea violenta.

Correu até a pia e apoiou as mãos trêmulas no mármore frio.

Seu reflexo na janela parecia o de um fantasma.

Ela ouviu a própria respiração ficando irregular.

O peito apertando.

A visão está embaçando.

Enquanto Ricardo reconstruía a vida com outra mulher.

Ela mal conseguia levantar da cama.

Aquilo era injusto.

Tão injusto.

O celular vibrou novamente.

Mensagem de uma amiga antiga.

“Helena eu sinto muito, Você viu a publicação?”

Claro que todo mundo viu.

Todos.

As pessoas provavelmente estavam comentando naquele exato momento.

Coitada da Helena.

Foi trocada.

Ele já tinha outra.

Ela não conseguiu segurar o marido.

Humilhação tinha gosto de sangue.

Ela desligou o celular rapidamente e o jogou sobre a mesa como se queimasse.

Mas a imagem já estava gravada em sua cabeça.

Vanessa é Bonita, Confiante é está Grávida.

Tudo o que Helena não era naquele momento.

Luna começou a choramingar baixinho no sofá.

Helena respirou fundo e limpou o rosto rapidamente antes de ir até ela.

— Ei meu amor.

A menina esfregou os olhos sonolentos.

— Papá?

Aquilo quase destruiu Helena outra vez.

Ela engoliu o nó na garganta.

— Papai está trabalhando.

Mais uma mentira.

Mais uma entre milhares.

Luna encostou a cabeça no ombro da mãe enquanto Helena a abraçava forte demais.

Como se alguém pudesse tirá-la dela também.

Horas depois, enquanto dava banho na filha, Helena percebeu algo cruel.

Ela estava começando a se comparar com Vanessa.

Comparava o corpo.

O rosto cansado.

As olheiras.

As roupas simples.

Enquanto a amante parecia saída de uma revista de luxo.

Helena olhou para si mesma no espelho do banheiro e sentiu vergonha.

Vergonha de ter sido deixada.

Vergonha de ainda amar um homem que a destruiu.

Vergonha de não conseguir odiá-lo completamente.

Mais tarde, depois que Luna dormiu, Helena tentou organizar algumas contas na mesa da sala.

Mas sua mente continuava voltando para aquela foto.

Até que ouviu uma notificação nova.

Ela hesitou antes de pegar o celular.

Mensagem de um número desconhecido.

“Agora ele está com uma mulher de verdade.”

Helena parou de respirar.

Outro envio.

Uma foto de Ricardo beijando Vanessa dentro de um restaurante.

Depois mais uma mensagem:

“Você devia aceitar que perdeu.”

As mãos dela começaram a tremer violentamente.

Vanessa.

Tinha que ser Vanessa.

A amante queria machucá-la.

Queria que ela soubesse exatamente quem tinha vencido.

Helena sentiu lágrimas silenciosas escorrerem.

Não respondeu.

Não tinha forças.

Bloqueou o número imediatamente e deixou o celular cair no sofá.

Então abraçou o próprio corpo no meio da sala escura, tentando conter a dor esmagadora dentro do peito.

Mas ela não sabia qual parte machucava mais.

Ser abandonada.

Ou perceber que outra mulher estava comemorando isso.

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