LOGINPOV/ LORENZOTerminei de lavar os cabelos de Antonella, enxaguei o corpo dela e desliguei o chuveiro. Peguei uma toalha grande, envolvi seus ombros e sequei sua pele devagar. Ela permaneceu parada diante de mim, observando meus movimentos com uma expressão mais calma do que aquela que tinha quando entrei no quarto.Quando passei a toalha pela barriga, Sienna se mexeu sob a pele.Antonella segurou minha mão e a pressionou sobre o lugar.— Sentiu?— Senti.— Ela sempre se mexe quando você fala.— Talvez esteja reclamando da minha voz.— Puxou a mãe.Ajudei Antonella a sair do boxe e a levei para o quarto. As roupas ainda estavam espalhadas pelo chão, mas ela já não parecia interessada nelas. Coloquei-a sentada na cama, ajoelhei-me diante de suas pernas e sequei seus pés antes de subir a toalha pelas panturrilhas.— Você não precisa fazer isso — murmurou ela.— Eu quero.Antonella passou os dedos por meus cabelos molhados.— Não me sinto sexy desse jeito.Levantei o rosto.— Por quê?—
POV/ LORENZOAntonella acompanhou meu olhar até as roupas espalhadas e soltou um suspiro irritado.— Experimentei tudo. As calças não fecham, os vestidos apertam meus peitos e aquela roupa azul me deixou parecendo uma almofada com pernas.Coloquei a sacola sobre a cômoda.— Podemos comprar roupas novas.— Eu não quero roupas novas. Quero usar as minhas.— Amor, sua barriga cresceu. Suas roupas realmente não vão servir agora.Ela me encarou.— Você está dizendo que eu estou enorme?— Eu disse que sua barriga cresceu.— Deu no mesmo.— Não deu.Antonella fechou o robe sobre o corpo, mas a barriga impediu que as duas pontas se encontrassem.— O que você está fazendo aqui? Não falou que só voltaria amanhã?— Mudei de ideia.— Por quê?— Estava com saudade.Ela apertou os olhos, estudando meu rosto como se procurasse alguma mentira.— Aham.— É verdade.— Você fez alguma coisa?— Trabalhei.— Alguma coisa que vai aparecer no noticiário?— Espero que não.Ela ainda parecia desconfiada, mas
POV LORENZO Saí do cômodo dos fundos deixando Dominic e Aléssia com Hassan. O chip continuava fechado dentro do pequeno recipiente de metal que eu tinha guardado no bolso interno da jaqueta. Ainda precisava entregá-lo ao Noah para que ele extraísse as informações sem correr o risco de acionar algum bloqueio, apagar os arquivos ou avisar os homens ligados à rede de Hassan.Meu trabalho naquela sala tinha terminado. Eu tinha conseguido respostas, uma possível ligação entre Leopoldo e Marcellos e o acesso a um arquivo que poderia expor compradores, intermediários e homens influentes envolvidos naquelas negociações. O restante pertencia a Dominic e, principalmente, a Aléssia.Atravessei o terreno da fazenda enquanto o sol já iluminava parte das plantações. Eu tinha planejado permanecer ali até o dia seguinte, dormir algumas horas e voltar para casa depois que Dominic terminasse o interrogatório. A ligação de Antonella tinha alterado o plano.Ela tinha perguntado por que eu não tinha vol
POV/ LORENZO— Uma pequena bagunça.Calcei as luvas e examinei o indicador que ele tinha apontado. O chip estava sob a pele, próximo à lateral do dedo. Não era grande, mas a posição tornava impossível retirá-lo sem abrir um corte.Hassan tentou puxar o braço.O soldado o manteve parado.— Se mexer, posso errar — avisei.— Quero o antídoto primeiro.— Quero a senha primeiro.— Depois do antídoto.Peguei o instrumento necessário e fiz uma incisão pequena sobre o local indicado. Hassan fechou os dentes e soltou um gemido. O sangue se espalhou pela lateral de sua mão e pingou sobre a mesa.— Merda — resmunguei. — Eu realmente não gosto de bagunça.— Vai se foder.— Não posso. Minha mulher ainda está com raiva.O soldado tentou esconder uma risada.Afastei a pele o suficiente para encontrar o dispositivo e o retirei com a pinça. O chip era pequeno, escuro e coberto de sangue. Coloquei-o num recipiente transparente e fechei a tampa.Depois pressionei gaze sobre o corte e envolvi o dedo com
POV / LORENZO— Lorenzo — Antonella pronunciou meu nome devagar.Conhecia aquele tom. Significava que qualquer resposta poderia estar errada.Afastei-me alguns passos de Hassan, mas permaneci dentro do cômodo. Não havia outro lugar onde pudesse atender sem deixá-lo sozinho.— Aconteceu alguma coisa? — perguntei.— Você não voltou para casa.Olhei para o relógio. Já tinha passado mais tempo naquela conversa do que imaginei.— Você disse que estava com nojo da minha cara.— E isso significa que você desaparece?— Pensei que significasse que não queria me ver.— Eu não queria olhar para sua cara ontem. Hoje é outro dia.Tentei encontrar uma resposta adequada.— Então vou voltar hoje.— Também não precisa voltar correndo só porque reclamei.Hassan soltou uma risada atrás de mim.Antonella ficou em silêncio.— Onde você está?— Na fazenda.— Com quem?Olhei para o homem preso à cadeira, suado, pálido e com um revólver a poucos centímetros da perna.— Com um homem.Hassan riu mais alto.— T
POV/ LORENZO— Dominic machuca o corpo para alcançar a mente. Eu prefiro começar pela parte mais fraca. — Minha mente não é fraca. — Então pare de olhar para o seu joelho. Ele continua inteiro. Hassan levantou o rosto. — Onde está Leopoldo? — perguntei. — Não sei. — Resposta incompleta. — Eu realmente não sei! Apontei para sua coxa. — Tente novamente. O suor descia pelas laterais de seu rosto. Hassan puxou o ar, mas sua respiração continuou rápida. — Leopoldo nunca forneceu uma localização. Entrava no perfil, deixava instruções e desaparecia. As mensagens eram apagadas depois de abertas. — Ele contou onde estava escondido? — Não diretamente. — O que contou? Hassan hesitou. Movimentei o indicador sobre o gatilho. — Disse que estava protegido por uma pessoa ligada ao passado da garota. — Que garota? — Aléssia. Mantive o rosto sem reação. — Nome. — Não deu nome. — Homem ou mulher? — Homem. Pelo que entendi, alguém que odeia Dominic e acredita que Aléssia deveria te







