LOGINPOV/ ELIZABETHTirou os dedos devagar. Eu contraí no vazio, um segundo irritada com a falta, e ele beijou a parte de dentro da coxa, a virilha, o osso do quadril. Mordiscou a pele da coxa sem furar, o bastante para eu puxar o ar, e apertou a bunda por baixo, erguendo um pouco meu quadril da cama. Depois puxou meu corpo para a beira do colchão. Uma perna de cada lado dos ombros dele. Eu ajeitei a direita, longe da cicatriz vermelha. Ele não reclamou. Aproximou o rosto.— Você já sabe o que eu vou fazer.— Se você for só me torturar e não me comer, eu—— Não. Isso fica para depois. Vou aproveitar a euforia depois da corrida. Agora é só você.Os polegares dele abriram os lábios da buceta, um V lento, expondo o clitóris ao ar do quarto. Eu senti o frio primeiro. Depois a língua, de cima para baixo, larga, passando no clitóris e descendo até a entrada, voltando. Outra vez. Outra. Ele não chupou ainda. Só passou a língua nas dobras, nas asinhas, como se estivesse terminando a massagem num lu
POV/ ELIZABETHEthan esfregou as palmas uma na outra até o óleo esquentar. O cheiro subiu doce, limpo, misturado com o vapor que ainda saía do banheiro. A toalha continuava na minha cintura. O cabelo molhado escorria pelas costas, frio, até a mão dele afastar os fios para o lado e pousar no meio das omoplatas.A primeira pressão foi firme. Não doía. Empurrava para fora a vibração que as voltas deixam no ombro e no maxilar. Os polegares desceram ao longo da coluna, pararam acima da toalha, voltaram. Ele não falou nada. Só a respiração dele, o lençol na minha boca e o óleo esquentando na pele.Começou pela nuca. Os dedos entraram no cabelo molhado, circular, devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo e a corrida não existisse. Desceu para os ombros. Apertou a base do pescoço, aquele nó que eu nem tinha percebido que estava lá, e eu soltei o ar sem querer.— Se você estiver tentando me fazer dormir, vai falhar — murmurei.— Não quero que durma. Quero que pare de estar pronta para bat
POV/ ELIZABETHA raiva perdeu parte da força, embora eu ainda me sentisse ridícula por ter permitido que as palavras de Yuri me atingissem.— O que ele fez? — Ethan perguntou.— Fui contar sobre Aléssia. Perguntei se ele gostaria de conhecê-la.— E o que respondeu?— Que vai pensar porque uma filha já dá trabalho demais. Depois disse que nós duas somos um castigo por tudo de ruim que fez no mundo.O maxilar de Ethan se contraiu.— Seu pai é um idiota.— Ele também me expulsou do escritório porque estava resolvendo alguma coisa importante.Pensei na conversa que tinha escutado, mas não mencionei. Ainda não sabia do que se tratava nem quem Yuri pretendia atacar. Contaria a Ethan depois, quando tivesse organizado aquela informação.Ele passou a mão pelos meus cabelos.— Aguenta mais um pouco. Até o fim do ano, nós teremos nossa vida, nossa casa e nossas próprias regras. Você não vai precisar pedir atenção ao seu pai nem autorização para visitar sua irmã.— Você promete?— Prometo.Assent
POV/ ELIZABETHO carro preto atravessou os portões da propriedade pouco depois do meio-dia.Reduzi a velocidade enquanto passava pela guarita e segui pelo caminho cercado de árvores até a entrada principal. O motor ainda estava quente por causa do treino, e minhas mãos mantinham uma vibração discreta provocada pelas voltas na pista.Parei diante da escadaria e desliguei o carro.Ethan se inclinou para olhar o painel antes de voltar os olhos para mim.— Pode descer. Eu guardo o carro.— Tem certeza?— Elizabeth, meu ombro está praticamente curado.— Praticamente não significa completamente.— Consigo estacionar um carro sem correr risco de morte.— Foi exatamente esse tipo de confiança que colocou uma bala no seu ombro.— Aquilo não teve nada a ver com estacionamento.— Continua sendo excesso de confiança.Ethan retirou o cinto e beijou o canto da minha boca.— Vai descansar. Eu encontro você lá dentro.Abri a porta e desci.Alguns homens responsáveis pela segurança estavam espal
POV/ ELIZABETH Ethan permaneceu em silêncio, esperando que eu continuasse. — Uma casa de acolhimento. Um orfanato, talvez. Ainda não sei exatamente como vai funcionar. Quero receber crianças que perderam os pais em guerras, para organizações criminosas ou por causa de pessoas como meu pai. Crianças que ninguém procura porque não existe ninguém vivo para sentir falta delas. Pronunciar aquilo fez a ideia parecer mais real. — O que aconteceu com Aléssia me fez pensar — continuei. — Existem mulheres desaparecendo todos os dias, e muitas têm filhos. Existem homens que trabalham para a máfia, morrem e deixam crianças para trás. Algumas acabam nas mãos das mesmas pessoas que mataram suas famílias. Passei a língua pelos lábios, desconfortável com a própria vulnerabilidade. — Nunca fui uma pessoa boazinha. Passei tempo demais tentando sobreviver para pensar em salvar os outros. Mas agora tenho uma irmã. E, quando descobri o que fizeram com ela, percebi que poderia ter sido uma daquelas cr
## ALGUMAS SEMANAS ANTES POV/ ELIZABETHEu nunca tinha imaginado que gostaria de estar casada.Durante boa parte da minha vida, casamento significava vigilância, obrigação e uma gaiola bonita construída para parecer escolha. Homens como meu pai não se casavam porque amavam. Casavam por poder, alianças, herdeiros ou qualquer outra palavra elegante usada para disfarçar posse.Então Ethan apareceu e destruiu minhas certezas da maneira mais irritante possível.Meu marido tinha muitos defeitos, mas três deles me incomodavam profundamente.O primeiro era ser bonito demais.Ethan não conseguia entrar em um lugar sem chamar atenção. Não importava se vestia um terno sob medida ou uma camiseta comum. As mulheres olhavam. Algumas discretamente; outras, sem qualquer vergonha. Eu sempre percebia e, embora fingisse indiferença, imaginava diferentes formas de arrancar os olhos de cada uma.Talvez aquilo fosse ciúme.Talvez fosse possessividade.Talvez beirasse a psicopatia.Não importava. Ele er






