FAZER LOGIN— Ainda não acredito que estamos mesmo fazendo isso, não deveria deixar que você se expusesse assim, ainda sim aqui estou eu. — Gael reclamou pela milésima vez.
Nós estávamos parados no carro esperando por muito tempo, até que todos chegassem na casa da minha mãe, enquanto a ceia não começasse ainda poderia chegar mais gente e eu só entraria lá depois de ter certeza de quantas pessoas tinham lá.
Não sabia se ficava feliz ou ainda mais irritado por saber que Charles estava lá dentro. Sim ele era meu amigo de infância, mas também era o homem que tinha tentando conquistar a mulher que estava esperando um filho meu.
— Pare de reclamar e vamos logo com isso, está na hora de você conhecer minha família.
— Já conheço sua família toda, li e reli a ficha de cada um deles mais de duas vezes. — esse era ele, o policial mais certinho e regrado que eu conhecia, mas também frio e solitário.
— Isso não é conhecer as pessoas, Gael. Já te disse mais de uma vez, nunca vai conhecer alguém de verdade se não deixar essa barreira sua cair.
— E você é o expert em pessoas, tanto que não hesitou em fingir pra todos da sua vida que tinha morrido. — ele jogou na minha cara. — Na verdade adorou conseguir se livrar de todo mundo.
Eu era culpado disso e não tinha desculpa para minha estupidez. Eu coloquei minha família em um sofrimento horrível, enquanto estava feliz de não precisar enfrentar mais os julgamentos por ter dormido com Lise.
Mas sofri também com eles, não queria que passassem por toda aquela loucura de proteção a testemunha, principalmente depois de todo o medo que tiveram perder Emma.
— Isso foi antes, antes de eu descobrir que Lise espera um filho meu. — ele bufou sacudindo a cabeça e conferindo a arma mais uma vez. — Sem falar que fiz isso para protegê-los, do contrario poderiam estar mortos.
— Continue dizendo isso a si mesmo até que acredite. — ele saiu do carro e analisou a rua enquanto eu dava a volta e parava ao seu lado. — Se o bem estar deles fosse mesmo importante pra você não estaria fazendo isso. Continuaria escondido no buraco que te colocaram.
Ignorei a figura ranzinza e atravessei a rua, sabendo que não tinha ameaça nenhuma nesse mundo que iria me impedir de estar ao lado da mãe do meu filho.
Entrei na casa com minha antiga chave e fui recebido pela decoração aconchegante de natal, as risadas e conversas animadas cessaram quando começaram a dar graças.
— Você fica aqui, não quero assustá-los logo de cara.
— Claro, porque você ressuscitando dos mortos é muito normal. — Gael falou com a mesma expressão taciturna, nem das próprias piadas ele ria.
— Amém. — falei junto com todos e o silêncio reinou na sala de jantar.
— Cheguei atrasado para a ceia? — perguntei parando na soleira da porta e recebendo os olhares assustados.
Todos me encaravam como se eu fosse uma aberração, um fantasma, e eu sabia que era exatamente isso o que estava acontecendo, eles passaram seis meses acreditando que eu estava morto e acabaram de começar a superar o luto, com algumas notícias boas, como a gravidez, dois netos chegando de uma vez.
— O que... — ouvi minha vó começando a falar, mas sorri a interrompendo.
— Sei que tenho muito o que explicar, porque fiquei longe todo esse tempo e porque pedi que mentissem pra vocês no hospital — entrei na sala de jantar, passando direto por meus pais e irmãos até alcançá-la — Mas quando soube que Lise estava esperando um filho meu, eu soube que tinha que voltar, precisava vir cuidar deles.
Me ajoelhei ao lado da cadeira da mulher linda, que eu tinha deixado sozinha na cama depois de ter colocado um filho dentro dela. Sorri encarando de perto a barriga de seis meses, nem podia acreditar que ali dentro tinha um pedaço meu e dela.
Ergui meus olhos pra ela, seu rosto estava pálido e eu corri me erguendo, segurei seu tronco antes que ela tombasse para trás desmaiada.
— Alguém me explica que porra é essa? — ouvi o grito da minha vó se sobressaindo a toda a gritaria enquanto todos corriam para acudir Lise — Você tem muito o que explicar, mocinho.
— E eu prometo que vou explicar tudo, mas agora ela é a prioridade aqui. — a peguei em meu colo e corri pra sala. — Gael, dá pra me ajudar aqui?
Ele correu junto comigo até o sofá da sala, coloquei Lise com cuidado sobre o estofado e Gael se curvou sobre ela testando os sinais vitais da minha pequena.
— Disse que não devia fazer isso, olha o susto que deu nela! — ele resmungou, como se eu já não estivesse preocupado o suficiente com ela.
— Só cala a boca e faz ela voltar. — gritei com ele para que não falasse mais nada.
— Já pensou que sua avó poderia ter infartado? Sua irmã também está grávida seu babaca. Continua pensando só no seu próprio rabo.
— Não sei quem é o idiota, mas a única coisa aqui que vai ter um infarto é você grandão! — vovó rebateu chegando mais perto e dando um tapa na cabeça de Gael.
Estaria rindo de como ela enfrentou o homem enorme com expressão fechada, mas eu estava mais preocupado com a mulher deitada ali desmaiada.
— Ela está voltando. — minha irmã falou e eu concentrei nela.
As pálpebras se agitaram antes que ela abrisse os olhos, coloquei minha mão na sua e senti seus dedos segurarem mais firme.
— Lise amiga, como você está se sentindo? — Emma perguntou assim que os olhos castanhos se arregalaram olhando em volta.
— Eu tive um sonho maluco, sonhei que Chris estava de volta, a coisa mais maluca... — ela se calou no momento que focou em mim, os olhos se arregalando de maneira assustadora.
— Não foi um sonho minha linda, eu voltei pra ficar, voltei para cuidarmos desse bebê juntos.
Dei meu melhor sorriso, o que eu sabia que mexia com ela e que Lise sempre se derretia. Mas dessa vez ao invés de receber seu olhar doce e as bochechas ficando avermelhadas, eu recebi foi um belo tapa na cara.
— O que você está fazendo aqui? Como está vivo? E como sabe do meu filho? — questionou me empurrando e fazendo as perguntas que todos queriam fazer.
— Nosso filho Lise, sei que é nosso. — a boca dela se escancarou e eu dei um passo para trás, dando mais espaço para ela. — Fiz as contas quando vi sua barriga e pra confirmar, o Gael ali, investigou descobrindo tudo.
— Oi pessoal. — ele acenou sem sorrir, como sempre fazia.
— Ele é da polícia federal e o motivo para eu ter um policial de babá é a razão para eu ter forjado minha morte.
— Acho bom você começar a se explicar mocinho. — mamãe apareceu ao lado de Lise, apoiando as mãos em seus ombros.
Eu sabia que ela estava rodeada pela família, nosso bebê já era amado antes mesmo de nascer e dava para notar por todos os olhares raivosos ali, que eu era o intruso, o que tinha abandonado a família e os deixado para trás sofrendo. Só que estava na hora de contar a verdade para eles.
— Eu ajudei a polícia a investigar um dos clientes da empresa, mas o envolvimento dele com coisas ilegais foi maior do que esperavam e eu estava correndo risco.
— Você o que, Christian? Perdeu a noção? — minha mãe não ia aguentar até o fim, já era de se esperar que ela fosse gritar desesperada quando soubesse disso.
— Mamãe, o deixe contar tudo antes de surtar!
— Obrigado pandinha, como eu estava dizendo, para não ter que colocar todos vocês em proteção a testemunha e perderem suas vidas normais, minha única saída foi forjar minha morte, foi a forma que encontramos para me esconder em segurança até o julgamento.
O silencio reinou na sala quando terminei de contar, claro que aquela era a versão resumida da história, sem os detalhes assustadores e nem das minhas perseguições a minha própria família.
— Garoto, você está estragando minha ceia de natal! — vovó gritou colocando um fim no choque de todos. — Anda, todos pra mesa, ele é um idiota, mas ainda é nata!
Mamãe me puxou para um abraço, me apertando tão forte que quase fiquei sem ar, isso não me surpreendia já que ela sempre ficava desesperada quando ficávamos longe por muito tempo, imagine depois de achar que eu morri.
— Ainda temos muito o que conversar menino. — ela sussurrou no meu ouvido antes de se afastar e deixar que os outros fizessem o mesmo.
Um por um me abraçaram e saíram da sala, até me deixarem sozinhos na sala com Gael e Lise. Me sentei ao lado dela, vendo nos seus olhos toda a dúvida e incerteza.
— Está se sentindo bem? Não quer comer? — perguntei tentando quebrar aquele gelo, mas tudo o que Lise fez foi continuar me olhando. — Sei que tem muitas perguntas pra mim e prometo que vou responder todas. Mas quero que saiba que voltei por você, por vocês dois, e não vou a lugar nenhum.
— Como você soube... como soube que era seu?
— Eu sai escondido do esconderijo uma noite, fui direto para o seu prédio e fiquei parado lá até te ver. Foi quando vi esse barrigão e soube, eu quis correr direto pra você e perguntar, mas Gael chegou a tempo me impedindo, podia estar sendo observado. Então eu tive que ser paciente e esperar que ele descobrisse para mim, antes de tomar a decisão de voltar.
Lise ficou quieta mordendo um lado da bochecha, suas mãos esfregavam freneticamente a barriga e eu queria de verdade poder tocá-la, poder sentir nosso filho. Eu também tinha tantas perguntas, se ele já se mexia, qual o tamanho, se já sabia o sexo, eram tantas as coisas que eu queria saber.
— Quer tocar? — ela perguntou me pegando de surpresa.
Eu acordei ouvindo o barulho do mar e me mexi na cama sentindo o braço forte me segurar me impedindo de ir a qualquer lugar. Chris não me deixava ir a lugar nenhum desde aquela noite e eu não podia dizer que não gostava daquilo.Havia se passado um mês meses e eu estava adorando cada dia com ele, vendo o meu cafajeste se moldando a nossa nova realidade.Brigamos longamente aquela noite depois que voltamos para a casa de Gael, eu odiei o medo que senti quando li a carta e imaginei o pior, ainda mais quando aquele localizador mostrou alguém próximo a casa. Meu coração estava disparado, mas eu tinha que imaginar o pior cenário para proteger o meu bebê e foi pensando nisso que eu peguei a arma na gaveta de Gael e conferi as balas, antes de seguir para fora da propriedade.Talvez fosse burrice minha andar no meio de todas aquelas árvores no meio da noite, mas eu precisava me adiantar e garantir que não invadiram o único lugar seguro naquele momento. Quando avistei o carro de Gael eu respir
— A cavalaria chegou! — Gael gritou pulando para fora do carro com um sorriso largo no rosto. — Vamos levar seu sogro para o hospital e ir encontrar Lise antes que ela acorde.— Você ainda vai me matar de infarto, não estou mentindo seu filho da mãe. — resmunguei quando ele chegou mais perto e apoiou o outro lado do homem. — Esteve armando pelas minhas costas esse tempo todo?— Claro, você não ia concordar com nenhum plano que colocasse a vida dele no mínimo risco e eu não podia deixar você morrer. — alguns homens passaram correndo para dentro do estacionamento, me deixando confuso. — O chefe deles fugiu antes que disparássemos, parece que o infeliz notou as luzes e entendeu o que estava prestes a acontecer. Mas vão pegá-lo.Colocamos o pai de Lise dentro de um dos carros que correria com ele para o hospital, enquanto eu iria atrás da minha amada. Mas assim que atei seu cinto o pai dela me segurou pelo colarinho.— Eu achei que você era um mimado cretino... mas estou vendo que a minha
Eu sai da casa de Gael nas montanhas sentindo meu coração se apertar a cada quilômetro que ficávamos mais longe dela. Escrever aquela carta acabou comigo, porque eu não tinha nenhuma esperança de que iria voltar vivo, por isso entreguei o anel que iria usar para pedi-la em casamento quando esse inferno acabasse, ele pertencia a Lise, assim como o meu coração.— Ela vai ficar bem, está mais protegida lá do que em qualquer outro lugar. — ele tentou me tranquilizar, mas mesmo repetindo isso eu não me sentia melhor, a sensação de sufoco não me deixava.— Não consigo parar de pensar que a estou decepcionando novamente. Jurei que nunca mais a deixaria e é exatamente isso o que estou fazendo. — murmurei ainda olhando para fora da janela, mesmo que tudo ao nosso redor fosse mata.— Nós dois sabemos que você nunca contaria a verdade a ela sobre o motivo de estar se entregando...— Jamais a faria escolher entre eu e o pai. — o interrompi falando o que vinha insistindo nos últimos dias.— E Lise
As coisas estavam estranhas, Chris tinha passado o último dia calado, sempre distraído e inquieto, estava claro que havia acontecido alguma coisa e os dois não queriam me contar nada. Como me arrependia de estar sem meu celular, poderia tentar falar com Emma, ou dar uma pesquisada sobre os homens que estavam atrás dele.Eu tinha acordado a alguns segundos depois de ter um pesadelo, mas não quis me virar porque sabia que ele não estava ali, do contrário seus braços estariam envolvendo meu corpo.Bufei criando coragem de me virar e encarei o outro lado da cama vazio, sentindo meu coração se afundar em apreensão, mais uma noite que ele passava longe e eu tinha a confirmação que algo de muito ruim tinha acontecido.Me levantei devagar dando passos lentos até a porta, querendo ser capaz de ouvir alguma coisa na casa, mas tudo estava silencioso de um jeito estranho.Um arrepio subiu por minhas costas, mas eu decidi ignorá-lo e me virei indo para o banheiro. Esfregando os olhos para afastar
Aquilo não podia estar acontecendo, não podia ser verdade, eu encarava as imagens no tablet sentindo meu estômago se afundar enquanto via o pai de Lise amarrado a uma cadeira, o rosto machucado e sangrando, ele estava desacordado com a cabeça pendurada e eu só me sentia ainda pior por ele.— Isso não pode ser verdade, Lise nunca vai me perdoar por isso. — murmurei ainda perdido no vídeo, onde um homem que não aparecia continuava a falar.— Entreguem esse rato mentiroso e tudo isso acaba, o velho vai ser deixado no hospital assim que nos mandarem o verme!— Tente não pensar na Lise agora, não vamos contar isso a ela. — Gael tomou o aparelho das minhas mãos o desligando. — Eles enviaram isso a sede da polícia e encaminharam para o meu e-mail.— Nós temos que fazer alguma coisa, Gael! Não podemos deixar que esse homem morra por minha causa ou Lise vai me odiar para o resto da vida e nunca vai me deixar chegar perto da nossa menina.Ele bufou mexendo freneticamente no celular e dando a vo
Podíamos estar confinados na propriedade de Gael há duas semanas, completamente isolados do mundo, mas eu estava adorando cada minuto que passava com Lise longe de tudo e de todos. Nós dois finalmente estávamos começando nos conhecer de verdade, tínhamos tempo de sobra para discutir e fazer as pazes.Gael tinha até mesmo conseguido todo tipo de aparelho, para que pudéssemos monitorar a gravidez de perto. Mas por sorte faltava pouco para o dia da audiência e então finalmente estaríamos livres, ou Lise enlouqueceria de passar mais uma comemoração longe dos nossos amigos e do pai dela, já bastava a virada do ano.— Acho que James é um nome apropriado para o nosso garoto. — falei circulando a barriga dela e sabendo que logo ela estaria fugindo de mim, porque era sempre assim quando começávamos a falar dos nomes para o bebê.— Chris, eu já disse que não vamos escolher um nome, não até sairmos daqui. Agora fica quieto e me deixar tomar sol direito. — ela deu um tapa retirando minha mão de s







