LOGIN“Henrique” César e eu paramos ao lado dos carros, ainda tentando entender tudo o que tínhamos acabado de ouvir. — Você acha que dá para confiar neles? — perguntou. Olhei para a entrada do galpão. Os três homens já tinham desaparecido lá dentro. — Neste momento, não temos outra escolha. Vamos confirmar o que disseram e tomar cuidado. Meu celular tocou. O nome do meu avô apareceu na tela. — Vô? — É assim que você está se entendendo com a Aurora, moleque? Franzi a testa. — Do que está falando? — Eu vi as fotos. Estão em todo lugar. Você manchou o nome da nossa família. Não tem vergonha? Fiquei sem reação. — Que fotos? Vô, do que você está falando? — As fotos suas com Lara. Se a Aurora quiser o divórcio, vou aceitar. Não vou impor nada a ela depois dessa humilhação. O celular escorregou da minha mão e caiu no chão. César se aproximou imediatamente. — Henrique, o que aconteceu? Olhei para ele, ainda tentando assimilar as palavras do meu avô. — Preciso ir agora ver a Auror
“Bruna”— Quem é César?Meu pai fez a pergunta sem tirar os olhos dos documentos sobre a mesa.Parei junto à porta do escritório.— O que você quer dizer?— Seu irmão me contou que ele foi ao seu apartamento. Você se esqueceu de quem é? Não pega bem aparecer por aí com um diretorzinho qualquer.Senti a irritação subir pelo peito.— Não meta o César no meio dessa história.Meu pai finalmente ergueu os olhos.— Bruna, está na hora de parar com essa brincadeira. Três anos já foram suficientes. Você fez o que queria fazer. Agora vai voltar para casa e assumir seu posto como herdeira.— Eu não estou brincando.— Está, sim. Você abandonou suas responsabilidades e vive como se não tivesse uma família esperando que volte a ocupar o lugar que é seu.— Eu não abandonei nada. Só não vou voltar porque você decidiu que chegou a hora.Ele empurrou os papéis para o lado e se levantou.— Você não pode fugir para sempre.— Não estou fugindo.— Então prove. Volte para casa e faça o que se espera de voc
“Henrique”O endereço do bilhete nos levou a uma fileira de galpões afastados do centro. César estacionou ao meu lado. Quando olhei para o relógio, eram cinco em ponto.Ele desceu do carro e veio até mim.— Vamos?Assenti.Entramos por uma passagem larga, parecida com um corredor de garagem. Portas numeradas se alinhavam dos dois lados. Caminhamos até o fundo, conferindo cada número.— Começamos pelo maior e terminamos no cinco — comentou César.A última porta era a nossa. Uma placa discreta indicava o número cinco.Parei diante dela.— E agora?Antes que César respondesse, a porta metálica começou a subir. Olhei para o interior escuro. Não havia ninguém à vista.Entrei primeiro. César veio logo atrás.Assim que passamos, a porta desceu com um ruído pesado. O espaço ficou completamente escuro por um instante. Então as luzes se acenderam.Três homens estavam no centro do galpão. Um deles era o policial que esbarrara em mim na saída da delegacia. Os outros dois usavam roupas civis, mas
“Henrique” Saímos da sala de Aurora em direção à recepção. Eu ainda segurava a mão dela, tentando me acostumar à notícia que tinha acabado de mudar tudo. Eu seria pai. O pensamento me deixava feliz e assustado ao mesmo tempo. Aurora precisava descansar, e eu queria levá-la para casa. Também precisava encontrar uma enfermeira de confiança para acompanhá-la, como a médica recomendara. Quando nos aproximamos do elevador, vi Bruna parada diante das portas. Ela tentava enxugar o rosto, mas as lágrimas continuavam caindo. Aurora soltou minha mão e foi até ela. — Amiga, o que foi? Bruna balançou a cabeça, tentando falar. — Eu não consigo… — disse, limpando as lágrimas. — Não consigo parar de chorar. Estou tão feliz que você vai ter um nenê. Tão feliz que vocês dois se encontraram de novo… Ela respirou fundo, mas voltou a chorar. — Estou feliz por vocês. Muito feliz. Aurora a abraçou, emocionada. Eu sorri, tocado com a reação de Bruna. As portas do elevador se abriram.
Henrique Alfredo apareceu à porta da minha sala pouco depois do meio-dia. — Senhor Montes, a senhora Aurora acabou de chegar. Eu havia pedido que me avisasse assim que ela entrasse no prédio. Desde que Bruna desligara na minha cara, eu tentara falar com Aurora várias vezes, mas nenhuma ligação fora atendida. Levantei-me imediatamente. — Obrigado, Alfredo. Atravessei o corredor até a sala dela. A porta estava entreaberta. Bruna ainda estava lá, sentada diante da mesa, enquanto Aurora permanecia de pé perto da janela. Quando entrei, Aurora se virou. Fui direto até ela e segurei suas mãos. — Você está bem? Passou mal de novo? Foi ao médico? O que ele disse? Está se sentindo melhor? Ela abriu a boca, mas eu continuei: — Você não atendeu minhas ligações. A Bruna disse que tinha algo que você precisava me contar. Me fala, Aurora. O que está acontecendo? — Se você parar de falar, eu consigo responder — ela disse, tentando sorrir. Interrompi-me. Aurora parecia prestes a contar al
“Aurora” A médica sorriu para mim antes de começar o exame. — Você pode relaxar. Vou explicar tudo enquanto faço a ultrassonografia. Bruna segurava minha mão ao lado da maca. Eu ainda estava apreensiva, sem saber o que esperar. Até aquela manhã, tinha tentado convencer a mim mesma de que os enjoos eram consequência do cansaço e do estresse. A médica aplicou o gel e iniciou o exame. Olhei para a tela, mas não consegui entender o que aparecia ali. Então ela parou a imagem. — Está vendo aqui? Prendi a respiração. — O quê? A médica apontou para a tela. — Tem um bebê aqui. Fiquei imóvel. Bruna apertou minha mão. — Um bebê? — perguntei, sentindo a voz falhar. — Sim. Pelo tamanho, você está com aproximadamente dez semanas de gestação. As palavras pareceram atravessar a sala sem chegar a mim de verdade. Dez semanas. Levei a mão à boca. As lágrimas vieram antes que eu conseguisse pensar em qualquer coisa. — Você não sabia? — a médica perguntou, com delicadez







