MasukPassei o braço pelas costas dela num reflexo bruto, impedindo que os joelhos batessem na madeira. O ar sumiu dos meus pulmões. As mãos, acostumadas a destravar fuzil sem tremer um milímetro, vacilaram no tecido do vestido dela:— Não mexe. Fica parada. Respira devagar.Ela soltou um gemido contra o meu peito, as unhas cravando na minha clavícula:— Para de dar ordem, William! Eu que estou com dor aqui! Se alguém tem direito de surtar nesta casa agora, sou eu!Girei a cabeça em direção ao corredor, a voz subindo num comando descompassado:— O que eu faço?! O que você precisa?!Ela puxou a minha orelha com força, forçando meu rosto para baixo:— Me levar pro hospital, idiota! Anda!Passei o braço direito por baixo dos joelhos dela e a ergui num solavanco só, colando o corpo pesado contra o meu peito. Desci os degraus da escadaria de dois em dois, o coração socando as costelas como se estivesse no meio de uma emboscada.— Mordomo! — o grito ecoou pelo hall de entrada. — Abre o portão e j*
A porta bateu, cortando o ar pesado no escritório. Ajustei o coldre sob a jaqueta escura, virando para Raiden:— Segure as pontas. Vou voltar pro hospital agora.O telefone funcional sobre a mesa tocou duas vezes. Raiden bateu o dedo na tela, jogando direto no viva-voz.A voz grossa de Aleksandr preencheu o cômodo:— A caçada acabou, rapaz. Os mercenários que puxaram a emboscada contra as duas mulheres foram apagados no galpão. Os poucos que sobraram estão amarrados no porão do meu navio, sem dentes e sem língua para latir.Apoiei os nós dos dedos no mogno:— E os ratos da seita do meu avô?— Os dois últimos estavam no meio dos meus desertores. Tentaram correr pelo canal de fuga e viraram comida de peixe. A sujeira antiga está enterrada.— Perfeito.Olhei para Raiden:— Derrube as empresas de fachada da Apex. Bloqueie as contas ligadas ao Colton, revogue cada credencial e limpe o quadro de funcionários até o osso. Não quero um único rastro desse motim respirando em Nevada.— Já passei
— Vai sair, vai tomar um banho e tirar essa porra dessa camisa ensopada de sangue. O Harry fica na porta. Anda.Ele me encarou, o ar saindo em golfadas curtas, até o resto das forças dele ceder. Caminhou na minha frente em silêncio até o carro blindado.Na base dos Cunningham, o cheiro de ferro e pólvora dominava os corredores do subsolo.Mandei Bryce direto para os alojamentos da ala leste:— Vinte minutos pra tirar essa carcaça imunda. Se não descer limpo, mando te arrastar.Fui para a minha suíte particular, arranquei a roupa manchada e deixei a água fria bater na nuca até o sangue ir embora pelo ralo. Vesti uma camisa preta limpa, ajustei o coldre duplo nas axilas e desci para o escritório principal.Raiden já esperava, encostado na minha mesa de trabalho.— Bryce mal molhou a cabeça e já pegou uma caminhonete de volta pro hospital.— Deixa ele — sentei na poltrona de couro, destravando a gaveta. — Traz o Logan. E manda o Cameron entrar também.— Cameron está na sala de espera faz
Puxei o aparelho sem soltar a mão dela. Levantei devagar e dei três passos para o canto da janela, mantendo os olhos nela:— Fala, Raiden.— Logan descobriu o que o filho fez — a voz dele veio baixa, abafada pela linha segura. — Está exigindo falar com você. E o Cameron também quer uma reunião imediata na sede. Consegui barrar o velho na entrada pra não vir pro hospital.— Cameron eu resolvo pessoalmente amanhã. — Trinquei os dentes, a frieza voltando para o lugar. — Mas o Logan fica exatamente onde está. Na cela de isolamento do subsolo. Não solta aquele velho. Não confio nele até eu ter certeza absoluta de que não sabia de cada passo do Colton.— Beleza. Vou manter a tranca reforçada.A linha caiu. Guardei o aparelho e volt
Os dedos dela cederam. O peso da mão de Viola escorregou pelo meu peito, a cabeça tombando contra a curva do meu pescoço, sem força. Os olhos fecharam num espasmo mudo.— Viola!Bati a palma da mão contra o vidro divisório do carro num baque seco:— Pisa fundo nessa merda! Fura qualquer sinal!Arranquei a porta da SUV antes mesmo de o motorista frear totalmente sobre a calçada da emergência.Saltei com Viola nos braços. O corpo dela parecia não ter ossos, a cabeça caída para trás, a mancha escura empapando as minhas duas pernas enquanto eu corria sob as lâmpadas brancas da entrada.
Um dos capangas de Colton rasgou a fumaça correndo na minha direção. As mãos sujas do homem fecharam no meu tornozelo, puxando meu corpo para fora da cobertura do concreto. Minhas unhas rasparam no chão sem apoio.Theo viu o puxão e se jogou para a frente, tentando agarrar a perna do homem com os bracinhos curtos:— Larga a tia Vio!A bota do desgraçado acertou o ombro do menino, arremessando Theo contra a parede. O ar queimou na minha garganta:— Theo! Fica no chão com a sua mãe! Eu vou voltar, não levanta!O capanga me arrastou pelo chão de brita, mas a silhueta de Bryce cortou a fumaça cinzenta a dez passos de distância, disparando duas vezes no peito do meu agressor. Harry vinha colado na retaguarda dele, a submetralhador







