Início / Romance / Casada com um Homem Ausente / Capítulo 5 — A Mesa Posta

Compartilhar

Capítulo 5 — A Mesa Posta

Autor: M.R Silva
last update Data de publicação: 2026-05-25 07:49:32

Lana ainda tentava manter as esperanças vivas. No começo, o esperava com a mesa posta. Ela fazia questão de cozinhar para ele, a comida preferida, as receitas mais inovadoras, a sobremesa que ele gostava. Mas nem na cozinha Rael passava, no começo ele ainda elogiava o cheiro, mas passou a ir direto da sala para o corredor e no meio gritava:

— Estava em uma reunião e já tinha jantado por lá.

Ele não tinha coragem nem ao menos de abrir o celular e avisar que não jantaria em casa. Logo ele, que passava o tempo todo com o aparelho no ouvido, não encontrava espaço para mandar uma simples mensagem para ela.

Então, nem mesmo na agenda dele ela estava. Lana engolia em seco a total indiferença de Rael para com ela.

A comida ficava para o outro dia, com esperança dele chegar mais cedo, porém se repetia a mesma cena. Ou a comida ia para o lixo, intocável como ela.

A janta estava pronta, ela estava sentada à mesa acreditando que Rael chegaria e se sentaria ao seu lado. Mas ele nem a olhava passava direto para o escritório.

Depois, o jantar passou a ficar esfriando sobre a mesa. Lana deixava a mesa posta caso de madrugada ele sentisse fome, ela pensava nele, tinha esse cuidado, entretanto pela manhã a mesa estava só mesmo jeito.

Mais tarde, passou a ficar no fogão, dentro das panelas.

Com o tempo, Rael começou a jantar sozinho no escritório, cercado por papéis, números e silêncio. Ele trazia a marmita pronta de um restaurante onde costumava fazer reunião, passava e pedia a janta para ele.

Lana observava aquelas marmitas vazias e as lágrimas escorriam. Ele preferia uma comida mais rápida do que pedir a ela para levar até o prato pronto que ela preparava com tanto carinho.

A atmosfera em casa era o oposto do que Lana vivenciara no orfanato. Ao cruzar o portão, ela era recebida por janelas fechadas e um escuro que parecia engolir qualquer resquício de alegria. Às vezes, ela tropeçava no sofá, por causa da escuridão, e Rael estava trancado no escritório improvisado, falando ao telefone ou em vídeo com algum cliente ou funcionário. Muitas vezes, Rael já estava lá, mas mergulhado de tal forma em sua apatia ou exaustão que nem ao menos se dava ao trabalho de acender as luzes. A casa parecia, de longe, que ninguém morava ali ou estavam em viagem. O silêncio, o vazio e a escuridão tomavam conta daquele lugar.

Lana entrava e, com um toque firme, iluminava os cômodos, mas o brilho das lâmpadas apenas revelava a frieza do ambiente. Ela já não ia para a cozinha preparar jantares elaborados na esperança de atrair o marido. O silêncio da casa só era quebrado pela voz dele, vinda do fundo do escritório, sem sequer abrir a porta:

— Pedi comida para mim.

Não havia um "pedi para nós", nem um "quer que eu peça algo para você?". Ele simplesmente assumia que ela já teria se resolvido ou, pior, nem sequer lembrava que ela também precisava se alimentar. Lana sentia o peso daquelas palavras como uma confirmação final. Eles não eram mais um casal; não eram companheiros e, naquele ponto, sentia que já nem podiam ser chamados de amigos. Eram dois desconhecidos dividindo o mesmo teto, um pagando as contas e a outra ocupando o espaço, separados por uma porta de escritório e dez anos de promessas descumpridas.

A invisibilidade dela era tão completa que, mesmo com o novo corte de cabelo e o brilho de quem finalmente encontrara um propósito, ele continuava trancado em seu mundo de números, incapaz de notar que a mulher ao seu lado estava, enfim, começando a se despedir.

Lana ainda tinha esperança, por mais que ela estivesse ferida, o esperasse as noites, e durante o dia aquele vazio reinava em seu quarto, no seu peito. Ela ainda o amava, mas deixou de ser esposa de Rael fazia muito tempo.

E assim, sem gritos e sem brigas, sem discussões ou despedidas a solidão foi se tornando a companhia mais presente na vida dos dois.

E a mesa que antes reunia os dois para comemorar os meses de casamento, os aniversários, agora estava com os utensílios guardados e nem ocasião especial seriam utilizados.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Casada com um Homem Ausente   Epílogo — O Amor em Triplo

    Alguns meses se passaram desde aquela madrugada inesquecível em Bromélias. A rotina na Mansão Mérida encontrou um compasso calmo, guiado por uma cumplicidade que se renova a cada dia. Para que Lana pudesse respirar e ter o suporte necessário, a nova babá finalmente começou a trabalhar. Recomendada por Kelly — com quem já havia trabalhado com enorme dedicação no orfanato —, ela se mostrou uma mulher extremamente amável e respeitosa. Cuidava dos trigêmeos com um carinho genuíno, sem qualquer outro interesse a não ser o bem-estar da família.A casa em Ollís, antes silenciosa, agora era preenchida por risadas e pequenos sons que mudavam tudo: o barulho dos brinquedos, o estalar das fraldas e a presença constante de Rael. Ele continuava o mesmo homem atencioso, mas parecia ainda mais completo. Seus olhos brilhavam ao ver os filhos crescerem, e ele fazia questão de se dedicar diariamente ao amor de Lana, vigilante para jamais repetir os erros do passado. Para ele, o cansaço das noites mal d

  • Casada com um Homem Ausente   Capítulo 94 — A imensidão do Mar e do Coração

    Quando finalmente retornaram à suíte após o término da festa, a exaustão falava mais alto, mas o carinho estava presente entre eles. Rael ajudou Lana com paciência a desabotoar o vestido escuro, e os dois tomaram um banho morno e relaxante de banheira. Sem pressa, vestiram roupas leves, deitaram-se e Rael a abraçou forte contra o peito. Não demorou para que ambos caíssem em um sono bom e reparador.Acordaram apenas por volta das dez horas da manhã. Se dependesse do cansaço do corpo, Lana teria dormido por mais algumas horas, mas o seu subconsciente de mãe parecia estar sempre atento, acionando um alarme invisível que a conectava aos bebês.Ao abrir os olhos, viu que Rael já estava de pé. Ele vestia uma roupa confortável e já tinha pedido o café da manhã na suíte. Sentado à mesa, o marido organizava e anotava os contatos e conversas da noite anterior para enviar tudo a Raul, que acompanhava o andamento das coisas na imobiliária em Ollís.Assim que percebeu que Lana havia despertado, Ra

  • Casada com um Homem Ausente   Capítulo 93 — O Reconhecimento e a Vitória de Nós Dois 😃

    O meio daquela semana correu com uma tranquilidade há muito não vista na casa dos Mérida. Rael continuava trabalhando na maior parte do tempo em home office, tirando dúvidas de Raul, que assumia a frente do escritório. De vez em quando, Rael precisava dar uma rápida passada na imobiliária para assinar documentos urgentes, mas não levava mais do que uma ou duas horas. Logo voltava para casa para ajudar Lana com as rotinas dos trigêmeos.Na quinta-feira de manhã, Lana decidiu tirar um tempo para si. Como a nova babá só começaria no mês seguinte, Rael e Carol ficaram encarregados de cuidar dos bebês para que ela pudesse ir ao salão de beleza. O cabelo de Lana já estava bastante comprido, e ela optou por um corte moderno, além de fazer a maquiagem, a depilação e pintar as unhas. Era um momento de autocuidado de que ela precisava há meses.Ao retornar para a mansão com o vestido do jantar encomendado em mãos, encontrou a casa em perfeito silêncio: Lia, Ruan e Gael já tinham tomado banho, a

  • Casada com um Homem Ausente   Capítulo 92 — A Paz Restabelecida

    Rael abriu os olhos devagar quando os primeiros raios de sol começaram a invadir o quarto. Lana ainda dormia ressonando baixinho, com a cabeça apoiada confortavelmente em seu peito. Do criado-mudo, o som suave de um choro vindo da babá eletrônica quebrou o silêncio da manhã. Rael sorriu e selou um beijo carinhoso no topo da cabeça da esposa.— Amor, bom dia... — murmurou ele com a voz rouca. — Preciso levantar para ver quem está nos chamando.Lana abriu os olhos devagar, curvou os lábios em um sorriso preguiçoso e o puxou para um beijo calmo e carinhoso nos lábios.— Te amo muito, senhor Mérida.— Também te amo, minha vida.Os dois se levantaram e caminharam juntos pelo corredor em direção ao quarto das crianças. Ao mesmo tempo, Dona Carol subia os últimos degraus da escada, já que também tinha escutado o choro lá da cozinha. Quando a senhora viu os dois saindo do quarto de mãos dadas e sorrindo um para o outro, parou no fim da escada, um pouco sem graça por ter interrompido o momento

  • Casada com um Homem Ausente   Capítulo 91 — Resgate da paixão 🥰

    “Eu estou te esperando, Rael.”Lana desceu os degraus da escada quase em um pulo, com o coração na boca e os passos apressados. Ao chegar ao hall, deu de cara com Dona Carol, que caminhava em direção à cozinha com a fisionomia perplexa.— Dona Lana! O que foi que aconteceu? — perguntou a senhora, surpresa. — O homem chegou aqui numa paz, trouxe até sacola de doces... e agora saiu com os olhos faiscando de raiva!Lana passou a mão pela testa, o tom de voz trêmulo de puro nervosismo:— Ele me pegou vendo os vídeos das câmeras de segurança... do corredor e do quarto das crianças.Dona Carol levou a mão à boca, chocada:— Meu Deus, Dona Lana... Não acredito que a senhora fez isso!— Eu precisava confirmar, Carol! Precisava ter certeza... No fundo, eu sabia que ele não tinha feito nada, mas eu não contei para ele que a Cíntia foi até o hospital! Aquela garota foi lá e falou um bando de mentiras, disse até que queria fazer exames para comprovar que eles tinham dormido juntos... Eu sei que e

  • Casada com um Homem Ausente   Capítulo 90 — Doces e Desconfianças

    Rael subiu as escadas para o quarto a passos largos, com o peito queimando de raiva. Ligou o chuveiro no frio para ver se abaixava a poeira da cabeça, tomou um banho rápido, vestiu uma roupa qualquer, pegou a chave do carro sobre a cômoda e saiu andando rápido. O ronco do motor era escutado pela Carol, tirou o carro da garagem, e foi embora sem rumo para a rua.Lá embaixo, cerca de dez minutos depois, a Carol bateu de leve na porta da brinquedoteca e entrou devagar.— Dona Lana, a senhora quer ajuda por aqui? — perguntou, com a voz mansinha.Lana levantou o olhar do tatame, sentindo o rosto quente de vergonha, e desabafou:— Carol... me desculpa por aquela gritaria lá fora. Mas o Rael consegue me tirar do sério de um jeito que você não tem ideia.— Imagina, dona Lana! Eu super entendo — disse Dona Carol, aproximando-se com carinho. — Eu também já fui casada e sei muito bem como a vida a dois é difícil. Principalmente quando se tem crianças pequenas em casa. Até os bebês completarem u

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status