LOGINMelissa estava estarrecida com o que estava acontecendo. Não bastasse o plágio de seus vestidos, agora estava sendo acusada de plagiadora. Como poderia ser isso?
Chegou em seu escritório na empresa e ligou para a segurança: — Oi, senhor Cortês, gostaria que me enviasse as imagens de segurança do final do mês passado. O senhor Cortês era o chefe da segurança e passava um bom tempo olhando as imagens das câmeras de vigilância da empresa. — Infelizmente, não poderei lhe atender. O CEO também pediu as imagens e ordenou que eu as guardasse no cofre e não desse a ninguém. Melissa parou para pensar e achou bom que a empresa estivesse investigando, mas ela queria saber quem a estava boicotando. Deixou sua vida na Espanha para vir ao Brasil e trabalhar nessa empresa, mas não foi para ser roubada e caluniada. — Tudo bem, senhor Cortês, obrigada. A gerente de setor entrou na sala sem bater e foi logo falando, agitada: — Que confusão é essa, Lissa? Melissa achou aquela pergunta, ofensiva. Se tinha alguém que não podia duvidar dela, era a gerente Cintia. — Está perguntando para a pessoa errada. Você acompanhou todo o processo e sabe muito bem que, só uma pessoa muito próxima e com acesso, podia roubar os desenhos. — Por isso mesmo, só consigo pensar em você. — Por quê eu faria isso? Meus desenhos foram escolhidos, recebi um bônus excelente e serei promovida no mês que vem. Até estou em uma sala exclusiva para mim. Me responda, por quê? Cintia abaixou seu olhar para as mãos, cutucando as unhas e relaxando a postura, respondeu: — Talvez eles tenham te oferecido mais dinheiro… Melissa percebeu a inquietação da outra e suspeitou. Não perderia tempo se justificando para quem deveria acreditar nela. — Talvez, a pessoa que roubou os croquis ainda crus, tenha feito isso por dinheiro, mas não fui eu. Agora, eu posso fazer as mesmas perguntas para você. Já que não confia em mim, por quê eu confiaria em você? Cíntia não chegou a responder, olhou para Melissa com os olhos arregalados, cheios de culpa. Melissa não sabia se era culpa pela desconfiança ou por que sua pergunta acertou o alvo. Mas o telefone interno tocou. — Alô. — atendeu Melissa, ouvindo a ordem que vinha do outro lado — Sim, senhor, estou indo. Levantou-se, olhou para Cintia com frieza e indicou a porta. Mesmo que o roubo já tenha sido cometido, ela não relaxaria deixando alguém dentro da sala, sozinho. — Não se esqueça que sou sua superior e chefe. — relembrou-a Cintia, querendo sair por cima e ofendida por ser expulsa da sala. — Como poderia, você não me deixa esquecer. Eu sempre fiz tudo que você mandou, até as tarefas que não eram de minha incumbência, mas me acusar de roubo, está acima da minha tolerância. Ela trancou a porta após saírem, hábito que tinha adquirido desde que iniciou a nova coleção e por isso sabia que não foi uma pessoa qualquer que roubou os seus desenhos. Foi para o elevador, mas antes de chegar, seus colegas de trabalho lançaram olhares acusatórios e palavras ofensivas. Ela fingiu que não escutou e entrou no elevador com sua postura superior de quem não deve nada a ninguém. Era muito bonita, mesmo se ocultando atrás dos cabelos rebeldes e dos óculos de aros grossos e pretos. Não tinha como não chamar a atenção com sua brejeirice latina. Também vestia-se com elegância discreta, o que a destacava das demais. Assim que o elevador abriu as portas no andar da presidência e ela deu o primeiro passo para fora, uma garotinha trajando um vestido de princesa, com bochechas rosadas e cachos castanhos emoldurando seu rosto, chocou-se com suas pernas, agarrando-a. — Mamãe, mamãe, a bruxa qué me pegá, me salva. A menina esticou os braços, queremos colo e Melissa não resistiu e trouxe-a para o seu colo. Suspensa, seus olhos se encontraram e um amor especial brotou naquele instante. — Oi, meu amorzinho. Você é uma princesa tão linda, quem quer te dar uma maçã envenenada? — A bruxa. Papai trouxe um montão delas para me pegá. — Enquanto falava, Bela abria os braços para mostrar a quantidade de bruxas. Melissa não entendeu muito bem, mas olhou para a porta do escritório se abrindo e admirou o homem lindo e agradavelmente viril que saiu por ela. Fazia juz a música: “ Moreno alto, bonito e sensual…” Talvez ele seja a solução dos meus problemas, pensou, enquanto o homem se aproximava dela, trajado elegantemente em um terno grafite, com camisa branca e gravata azul. Rômulo era bonito por natureza, com seus cabelos curtos e castanhos claros, olhos verdes profundos e pele dourada. Sempre atraia a atenção das mulheres por onde passava, mas depois do que vivenciou com a primeira esposa, estava sempre carrancudo. — Então é aqui que você está, sua danadinha. — perguntou ele para a menina, com a expressão séria. Havia passado a manhã entrevistando candidatas a babá e todas foram decepcionantes. Quando via uma candidata jovem entrando, acenava, dispensando-a, sem nem ouvir seu nome. As demais eram mais velhas e experientes, mas muito austeras. Bela não gostou de nenhuma. Fez careta, gritou e até cuspiu em uma delas, que ousou lhe chamar a atenção por se sentar de pernas abertas. Perguntou-se se existia uma tia Anastácia na vida real, ao invés de só no Sítio do picapau amarelo, ele suportou o quanto pode e quando a última entrou, parecia a mais aceitável de todas. Porém, quando a deixou conversando um instante com Belinha e foi ao banheiro, voltou e não encontrou a filha. — O que aconteceu, onde está minha filha? — perguntou para a candidata. — Sua filha é uma selvagem, mordeu-me e dei-lhe um corretivo. Ela saiu correndo pela porta. Bastou um olhar para seu assistente e ele sabia o que fazer, deixou-o resolvendo a situação, saiu para procurar sua filha e uma descarga de adrenalina o atingiu. Seria Afrodite que desceu do Olimpo? Era a mulher mais linda que já viu em toda a sua vida. Um sopro de ar fresco, depois de todas as tempestades que enfrentou essa manhã.Ficou decidido e ninguém ousou reclamar. Clarice leu a carta, descobrindo a mentira de Cornélio que ocultou a mãe dela durante tantos anos sem que ela pudesse conhecê-la. Ele amou-a tanto que conviveu com ela como casal sem união carnal, apenas como um vínculo de companheirismo. Aproveitaram os últimos anos de vida dela e criaram aquele local como o seu paraíso particular. Clarice foi ao local onde estava o corpo, junto com a equipe que o recolheu para fazer a exumação. Pediu a todos um tempo e conversou com ele: — Você me salvou, deu-me um novo sentido para viver e ajudou-me a crescer. Porém, como todo ser humano, você tinha seus defeitos e cometeu alguns que me afetaram muito. Por isso estou violando o seu local de repouso, é o meu castigo para você, vou expor para todos que quiserem ver. Adeus. Ela olhou para o caixão ao lado, mas apenas se despediu, não conheceu a mãe pessoalmente e não tinha o que dizer a ela. Assim, voltou para a mansão onde estava hosp
Rômulo observou bem todo o local e comentou: — Tudo aqui foi feito com dedicação. O material é de primeira e tudo está preparado para não sofrer nenhum revés do tempo ou invasão de animais. Tem até um dispositivo que elimina o odor e o ar está limpo. — O Sr Dietrich falou que vão encontrar no arquivo todos os dados que precisa. — informou John mostrando o arquivo no canto da sala. — Ele pensou em tudo e provavelmente, as informações contidas neste arquivo e as coisas que ele fez não são muito corretas ou ele não precisaria se esconder. — disse Bela. — Esse outro caixão deve conter o corpo da minha avó. Acho que tem muita coisa oculta por trás desta história. — completou Vitor. — Não temos o que fazer aqui. Não faremos um funeral porque o corpo já está praticamente enterrado. Vamos esperar Clayton chegar, ele é o único que tem direito a mexer nas coisas do pai. — concluiu Rômulo. Ela não falou mais nada, virou-se e foi embora subindo as escadas. Vi
A incredulidade atingiu a todos. — Como assim, faleceu? Meu avô estava bem…— perguntou Vitor, não acreditando que Cornélio tivesse morrido, nunca parou para pensar que um dia ele não estaria mais presente. — Existe um segredo que só agora será revelado. Esta cabana foi construída por ele e ao ser revelado o segredo dele, veio ficar com sua amada. O jazigo deles está aqui nessas terras e fomos direto lá onde ele tomou veneno e deitou no caixão ao lado dela, falecendo sem que conseguíssemos fazer nada. Estavam todos chocados com a notícia, Bela principalmente, amava Cornélio por tudo o que aprendeu com ele no ano em que ficou na sede da Firma. Agora veio parar justamente no lugar que ele usou como esconderijo e descobrir que havia um jazigo naquelas terras, Era surpresa maior do mundo. Victor percebeu que ela não estava bem e a abraçou, ainda sentados no sofá. Melissa percebeu e foi buscar um copo d'água, fazendo com que ela bebesse e anunciou: — Eu estava
Cornélio viajou por horas, dormiu e acordou várias vezes. Chegou ao anoitecer, graças ao fuso horário, e ficou hospedado em um hotel para se recuperar da viagem. Um médico o acompanhou e medicou quando necessário. Alimentou-se bem e marcou sua saída às quatro e meia da madrugada. Queria chegar ao chalé antes de todos acordarem e visitar o túmulo de sua amada que ficava no mesmo terreno. Acreditava que eles ainda não tinham encontrado, já que ficava em um local ermo e cercado de vegetação que protegiam a visão do local. O médico e dois John’s o acompanharam e passou tranquilamente pelo portão secreto que ficava no local mais ermo da propriedade. Deixaram o carro estacionado do lado de fora na calçada e apesar do muro não aparentar ter nenhum portão, Cornélio apertou um ponto específico e o muro deslizou para o lado, mostrando a passagem para o interior. — Por aqui, doutor. Jonh’s, um entra comigo e o outro fica aqui no aguardo. Caso apareça alguém, simplesmente entr
Os dias que se seguiram foram de uma busca minuciosa. Vitor se esmerou em cuidados com Bela, prestando atenção em sua segurança, no cansaço, na alimentação e até se respirava alguma poeira. — Você está exagerando, Vitor. Estou grávida, não doente. — Te conheço bem, minha Bela. Você sempre foi muito ativa e sempre acaba se descuidando. É meu dever cuidar de você. Ela olhou para ele fazendo aquele bico que todos conheciam e não mudou, mesmo adulta. Quando se aborrecia com alguma coisa, todos sabiam e saiam de perto, mas Vitor só sorria. — Amo esse seu bico. É sua marca registrada e te deixa muito fofa. — Está me chamando de gorda? — Minha mulher fofinha fica linda, brava. Eles estavam sentados no sofá, ele a abraçou pelo ombro e ela deitou a cabeça em seu ombro, amuada. — Você não gosta de mim, nunca gostou, só está comigo por causa do bebê. Vitor sabia que a gravidez deixava sua esposa emotiva e sensível, manteve a paciência e a ab
Larissa quase não acreditou que sua sorte tinha mudado e que os compradores daquele chalé não perceberam a peculiaridade que manteve o imóvel na lista de vendas por tanto tempo. — Excelente. A transação não é demorada se vocês quiserem pode me acompanhar até a imobiliária e resolvemos tudo de uma vez. — Está bem assim, seguiremos você, deixaremos os documentos para a elaboração do contrato e enquanto você faz isso, nós vamos almoçar. Larissa esperou ser convidada, mas eles não o fizeram, entraram na imobiliária só para tirar cópia da documentação e saíram em seguida. Ela suspirou depois que eles saíram, contente por ter feito duas grandes vendas em apenas dois dias. Talvez a mansão fosse devolvida, mas esse povo era tão rico que podia ser que a usassem como um investimento. Vitor levou Bela para o restaurante mais próximo que viu quando passavam, deixando o carro estacionado na calçada. — Vamos entrar no restaurante e conversamos. Não podemos permitir q







